Essa startup promete fazer você largar o cigarro usando um app

Breno França

Colaboração para o UOL

  • Getty Images

    App Quit Genius quer ser plataforma para aqueles que querem largar o cigarro

    App Quit Genius quer ser plataforma para aqueles que querem largar o cigarro

Se você é brasileiro, há alguma chance de que você seja fumante. Segundo uma pesquisa da Fundação Bloomberg, nós ainda ocupamos a oitava posição no ranking de países com o maior número de fumantes no planeta. Para ser mais claro, 21,9 milhões de pessoas curtem um cigarrinho no país, segundo a última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada em 2013.

E se você tá nessa, é bem provável que você tenha tentado sem sucesso parar pelo menos uma vez nos últimos 12 meses. De acordo com a mesma PNS, 51,1% dos fumantes nacionais já passaram por esse sofrimento. Quando o assunto é largar o cigarro, a experiência contradiz o dito popular: querer nem sempre é poder. Pelo contrário. Para quem é viciado na nicotina, a distância entre a vontade e o sucesso de se libertar do vício parece se tornar cada dia maior.

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Foi de olho no martírio do fumante que três jovens médicos ingleses enxergaram uma oportunidade. Yusuf Sherwani, Maroof Ahmed e Sarim Siddiqui criaram uma startup, batizada de Digital Therapeutics, que tem um objetivo ambicioso: ajudar 1 bilhão de pessoas que ainda fumam diariamente no mundo inteiro a largar o vício.

O lance deles não tem nada de adesivos de nicotina, remédios mirabolantes ou cigarros eletrônicos. O primeiro produto da Digital Therapeutics é o Quit Genius, um app de terapia comportamental gamificado e personalizado para pessoas que querem largar o vício em cigarro.

Percebemos que os médicos alertavam os pacientes sobre os riscos, mas não ensinavam como parar de fumar. Portanto, criamos uma solução que deixasse os médicos a vontade de poder indicar e o pacientes felizes em saber como podem efetivamente conseguir

Maroof  Ahmed, cofundador da Digital Therapeutics

Ele também explica que o tratamento indicado se baseia numa técnica terapêutica, que segundo o trio, é a mais eficiente no tratamento de fumantes chamada de Terapia Cognitiva Comportamental (CBT).

Ela divide cada situação em pensamentos, sentimentos e comportamentos. Assim, o app primeiro procura entender quais são os gatilhos que levam o usuário a fumar, para depois "substituir esses pensamentos e sentimentos negativos por outros mais positivos e saudáveis".

"Não pedimos para que o usuário pare de fumar imediatamente, dando tempo para que ele mude seus hábitos de forma profunda e duradoura", resume Ahmed.

Além disso, o Quit Genius oferece uma comunidade de ex-fumantes que dá apoio durante o processo e um diário no qual os usuários devem marcar quando e quantos cigarros fumaram – a ideia é que o app possa aprender sobre seus hábitos.

Na versão plus (R$ 21,49/mês) da plataforma há uma jornada gamificada que inclui perguntas, dicas práticas, mensagens e vídeos informativos e motivacionais. Se largar o fumo está mesmo complicado, você pode assinar ainda a versão gold (R$ 24,99/mês), na qual o usuário tem acesso a um suporte individualizado com um dos terapeutas de plantão, a qualquer hora do dia ou da noite.

No fim das contas, a ideia de oferecer um tratamento por um preço mais acessível do que clínicas de recuperação e ou de que medicamentos parece ter dado certo. A própria Imperial College of London realizou um estudo independente e concluiu que 36% dos usuários do aplicativo deixaram de fumar (comparados a 3% da média geral nos Estados Unidos). Entre aqueles que não pararam, 60% relataram uma redução na quantidade de cigarros. O que nos resta saber é se o modelo de negócio da empresa dará condições para que o Quit Genius também tenha uma vida longa e saudável.

Empresário ou doutor?
Divulgação
Fundadores da Digital Therapeutics, empresa que produz o app Quit Genius

A Digital Therapeutics começou em 2011 na faculdade de medicina da Imperial College School, em Londres. Segundo conta Ahmed ao UOL Tecnologia, "nos conhecemos no primeiro dia de aula, sete anos atrás, e nos tornamos melhores amigos desde então." Estudando, trabalhando e até viajando juntos, a sintonia entre eles foi aumentando e logo o espírito empreendedor dos três somados ao conhecimento da medicina fez brotar algumas ideias. "No nosso penúltimo ano, durante uma clínica respiratória que mostrava o quanto fumar afetava a saúde dos pacientes, a ficha caiu."

Recém-formados, eles tiveram que tomar a primeira de muitas decisões difíceis que estavam por vir: virar empresário ou doutor? O dilema era se deveriam se dedicar ao empreendimento em tempo integral ou investir numa carreira médica tradicional. Ahmed conta qual foi o raciocínio que seguiram para optar por seguir com a startup: "Pensamos que como médicos poderíamos impactar a vida de milhares de pessoas. Mas acreditamos que com o Quit Genius podemos impactar a vida de milhões."

Foi só em 2017 que a ideia finalmente decolou. Graças a investidores-anjo e ao aporte de grandes empresas como a Y Combinator, Merck & Co, Telefonica e Force Over Mass, o Quit Genius arrecadou US$ 900 mil e saiu do papel para as principais lojas de aplicativos em vários países do mundo. Com o novo projeto devidamente financiado, os três sócios se mudaram para Palo Alto, na Califórnia, e foram parar na lista anual da Forbes "30 under 30" que premia jovens empreendedores.

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