Empresa envolvida em escândalo do Facebook e Trump suspende CEO

Do UOL, em São Paulo

A Cambridge Analytica, empresa envolvida na eleição de Trump e no Brexit, suspendeu seu CEO, Alexander Nix. A companhia é acusada de ter roubado dados de 50 milhões de usuários do Facebook para enviar marketing político na eleição norte-americana. 

A suspensão do executivo, segundo a Bloomberg, tem efeito imediato e vale enquanto durarem as investigações independentes a respeito da questão. Já existem investigações abertas pelo Facebook com uma empresa forense independente de dados digitais, pelo governo norte-americano e também pelo Reino Unido, onde a companhia tem sede. 

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O CEO Alexander Nix é uma das figuras centrais do escândalo como representante máximo da Cambridge Analytica. Ele já havia até sido ouvido pelo parlamento britânico em outras investigações sobre a companhia, anteriores às notícias divulgadas no fim de semana pelos jornais The New York Times e The Guardian. 

O posto de Nix ficou ainda mais insustentável após investigação e reportagem de quatro meses exibida pelo Channel 4 britânico. Nela, um repórter se passa por um interessado nos serviços da companhia para influenciar a eleição do Sri Lanka e ouve do CEO, em conversa gravada secretamente, que a companhia usa propinas, ex-espiões, informações falsas e até prostitutas para ter políticos na sua mão.

Em uma das frases gravadas, Nix dizia: "não precisa ser verdade, só precisa que as pessoas acreditem". Mais tarde, a empresa negou esses atos e, agora, o conselho decidiu suspender o CEO. 

Os comentários recentes do Sr. Nix gravados secretamente pelo Channel 4 e outras alegações não representam os valores ou operações da empresa e sua suspensão reflete a seriedade com que vimos essa violação Conselho da Cambridge Analytica

No lugar de Nix, Alexander Tayler atuará como CEO provisório. A Cambridge Analytica ainda disse que um advogado britânico conduzirá investigações. Em uma entrevista à BBC na última segunda (19), Nix negava que a empresa usou táticas impróprias para influenciar eleições e disse que tudo se tratava de um "ataque coordenado da imprensa". 

A denúncia envolve a empresa, que usou ilegalmente dados de 50 milhões de eleitores norte-americanos pelo Facebook para enviar marketing político e possivelmente influenciar eleitores indecisos por meio da rede social. A companhia contou com a ajuda do psicólogo Aleksandr Kogan, que tinha autorização do site para conduzir um estudo apenas para fins acadêmicos. 

A Cambridge Analytica também atuava no Brasil desde o ano passado em parceria com a consultoria A Ponte, do publicitário André Torreta. Segundo a Folha de S.Paulo, a parceria será desfeita após o escândalo. A renovação do acordo seria feita nas próximas semanas. 

Como dados foram roubados

A empresa Cambtidge Analytica se aproveitou de um aplicativo inicialmente utilizado para fins acadêmicos para conseguir dados de 50 milhões de usuários norte-americanos. Inicialmente, 360 mil pessoas foram pagas de US$ 2 a US$ 5 para fazer o quiz. Contudo, o app ligado ao Facebook também conseguia dados dos amigos de quem participava, aproveitando-se de uma brecha e abusando dos dados da rede social. 

A plataforma conseguiu criar um algoritmo que utilizava tanto o resultado dos quiz quanto os dados de amigos para predizer gostos e reações das pessoas. Com isso, tinha a capacidade de direcionar marketing político a quem fosse mais suscetível - você pode entender aqui mais como as curtidas e testes foram usados como arma política. 

Agora suspenso de suas atividades, Alexander Nix é citado como a pessoa responsável por fazer o acordo com o psicólogo Aleksandr Kogan que culminou com a empresa conseguindo dados de milhões de usuários das redes sociais. O Facebook já excluiu a companhia de sua plataforma. 

Como funciona a Cambridge Analytica

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