Segurança? Para ex-chefe de carros autônomos da Uber, isso não importava

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL

  • Reprodução/ABC

    Carro autônomo da Uber se envolveu em acidente que matou pedestre que segurava bicicleta

    Carro autônomo da Uber se envolveu em acidente que matou pedestre que segurava bicicleta

O acidente no qual uma mulher foi atropelada por um carro autônomo da Uber colocou uma dúvida sobre a confiabilidade de carros capazes de se locomover sozinhos.

Ainda que, posteriormente, as investigações tivessem indicado que o veículo em si não teria sido culpado, a situação acabou trazendo à tona uma passagem da disputa judicial que envolveu o Waymo - empresa parente do Google que desenvolve tecnologias de direção autônoma - e a Uber, que teve fim no início deste ano.

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Durante o processo, veio a público uma mensagem enviada em janeiro de 2016 por Anthony Levandowski para Larry Page, um dos fundadores do Google. Ela coloca em dúvida o quanto as empresas que desenvolvem tecnologia de direção autônoma estão, de fato, preocupadas com segurança. Antes de ser o responsável pela divisão de carros autônomos do Uber, Levandowski era engenheiro do Google. 

A mensagem dizia o seguinte: "Nós não precisamos de sistemas redundantes de freios e direção, ou um carro novo em folha, nós precisamos de um software melhor. Para conseguir isso, nós devíamos lançar os primeiros mil carros o quanto antes. Eu não entendo por que não fazemos isso. Parte da nossa equipe parece estar com medo de fazer isso".

Pouco tempo depois, Levandowski acabou saindo do Google e fundou uma empresa de caminhões autônomos, que rapidamente foi comprada pela Uber. Depois de todo o imbróglio envolvendo Waymo e Uber (leia abaixo), ele acabou sendo demitido da Uber.

Durante o julgamento, advogados do Waymo já haviam mostrado Levandowski como um funcionário problemático, que não gostava da abordagem lenta e segura dos seus chefes em relação ao lançamento da tecnologia de direção autônoma.

A mensagem acima teria sido apenas uma entre várias nas quais o engenheiro pressionava seus superiores para um avanço mais rápido. Se no Waymo ele não conseguiu ninguém que comprasse sua ideia, na Uber o ex-CEO Travis Kalanick era um entusiasta da ideia de lançar o quanto antes a tecnologia, mesmo que houvesse um custo de segurança.

Isso ficou claro após uma troca de mensagens entre os dois vir a público, com Levandowski dizendo que era preciso pegar "todos os atalhos possíveis" para lançar a tecnologia antes dos rivais, e Kalanick dizendo "manda ver". No julgamento, o ex-CEO da Uber disse não se lembrar da troca de mensagens com Levandowski.

Waymo contra Uber

A Waymo descobriu que havia algo estranho quando foi copiada por engano em um e-mail enviado à Uber. Essa mensagem continha o desenho de uma placa de circuito que lembrava muito algo similar desenvolvido pela companhia. O resultado disso foi uma ação contra a Uber de US$ 1,4 bilhão e um pedido de desculpas públicas.

Durante o processo todo, Levandowski admitiu que havia roubado cerca de 14 mil documentos confidenciais do Google, o que motivou a ação da Waymo contra a Uber. Ele foi demitido da Uber em 2017.

A disputa judicial, por sua vez, teve fim em fevereiro: Waymo e Uber entraram em um acordo, no qual a primeira teria direito a US$ 245 milhões em ações da Uber. Já Levandowski continua atuando no ramo de inteligência artificial e chegou a fundar uma igreja, chamada Caminho para o Futuro que visa "desenvolver e promover a realização divina baseada na inteligência artificial".

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