Zuckerberg não irá a parlamento britânico; EUA e Europa investigam Facebook

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • Justin Sullivan/Getty Images/AFP

O Facebook ainda está sendo pressionado pelo maior escândalo de sua história envolvendo os dados de usuários. O CEO Mark Zuckerberg deu explicações públicas, mas já avisou que não vai ao Parlamento britânico --mesmo com tantas questões em aberto, como sua pressão contra a imprensa e a auditoria que fará contra apps que usaram a plataforma Facebook para roubar dados pessoais de usuários.

Enquanto isso, os EUA confirmaram uma investigação formal contra a empresa, e a União Europeia deu um prazo de duas semanas para que ela se explique. Outros países, como Brasil e Israel, também estão colocando a empresa na berlinda.

Segundo a rede de televisão CNN, Mark Zuckerberg vai comparecer ao Congresso dos EUA para responder sobre as questões de roubo de dados pessoais dos usuários do Facebook. O empresário deverá se apresentar em Washington em algumas semanas. Até o momento, nem Zuckerberg ou representantes do Facebook confirmaram a nota da CNN.

Além disso, a Cambridge Analytica --consultoria que teria obtido dados pessoais para usar em campanhas eleitorais-- está sendo investigada.

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No Reino Unido, a responsável de relações públicas da rede social, Rebecca Stimson, indicou que será um dos funcionários próximos a Zuckerberg, e não ele mesmo, que dará respostas às interpelações dos deputados do Parlamento.

A informação veio de carta enviada ao presidente do Comitê Parlamentar de Assuntos Digitais, Cultura, Meios de Comunicação e Esportes, Damian Collins, que chamou no último dia 20 o fundador do Facebook para que explicasse o escândalo.

Stimson reconhece na carta que estes assuntos "tem que ser abordados ao mais alto nível da companhia por diretores com posições de autoridade". E por isso Zuckerberg "pediu pessoalmente a um de seus próximos que fique à disposição do comitê para prestar esclarecimentos em pessoa".

A porta-voz do Facebook nomeia dois diretores da rede social como possíveis candidatos a se apresentar perante a Câmara: Mike Schroepfer, o responsável de tecnologia do Facebook, e Chris Cox, chefe de produto, "ambos com uma grande experiência nestes assuntos e bem posicionados para responder às perguntas do comitê sobre esses temas complexos", especifica.

EUA

Já nos Estados Unidos, o órgão regulador comercial FTC confirmou na segunda-feira (26) ter aberto uma investigação sobre a proteção de dados privados no Facebook.

"A FTC leva muito a sério as preocupantes publicações recentes da imprensa sobre as práticas do Facebook de proteção da privacidade", disse Tim Pahl, diretor do Escritório de Proteção ao Consumidor da organização, citado em nota.

Em 2011, o Facebook havia firmada um acordo com a FTC para colocar fim nas acusações de que tinha enganado consumidores, dizendo que suas informações pessoais na rede social continuavam sendo privadas, apesar de tê-las compartilhado.

O presidente do Comitê Judiciário do Senado, Chuck Grassley, também convidou Zuckerberg para testemunhar em uma audiência no dia 10 de abril sobre privacidade de dados. Grassley chamou ainda o CEO da Google, Sundar Pichai, e do Twitter, Jack Dorsey.

A audiência "cobrirá amplamente os padrões de privacidade para a coleta, retenção e disseminação de dados do consumidor para uso comercial", disse o escritório de Grassley.

União Europeia

A Comissão Europeia deu prazo de duas semanas para que o Facebook responda sobre a crise. O Executivo europeu também pede à rede social quais as medidas que o Facebook pensa em adotar para evitar casos similares no futuro, segundo uma carta enviada na segunda-feira pela comissária europeia de Justiça, Vera Jourova.

"Escrevo para entender melhor como os dados de usuários do Facebook, incluindo potencialmente os de cidadãos da UE, caíram em mãos de terceiros sem que soubessem e sem o seu consentimento", escreve Jourova na carta dirigida à diretora operacional e número dois da rede social, Sheryl Sandberg.

"Existe a intenção de mudar algo no enfoque da responsabilidade social da empresa, em particular no que diz respeito à transparência com os usuários e com as autoridades de regulamentação?", pergunta a comissária europeia.

O caso estará na agenda de uma reunião dos 28 países da União Europeia na quinta-feira e sexta-feira em Bruxelas.

O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, já havia convidado o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, a apresentar explicações aos eurodeputados.

* Com agências Reuters e AFP

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