Facebook passa a checar fotos e vídeos para evitar nova crise política

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images/iStockphoto

O Facebook anunciou que está aumentando seus esforços de verificação de fatos em uma teleconferência realizada nesta quinta-feira (29) com a imprensa. Uma das principais ferramentas será a checagem de informações para fotos e vídeos.

A empresa iniciou o processo desde a quarta (28), começando na França em uma parceria com a agência de notícias francesa AFP, e "estará se expandindo para mais países e parceiros em breve", disse a gerente de produto Tessa Lyons.

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postagem do blog do Facebook com a novidade não especifica se apenas serão examinadas fotos e vídeos compartilhados por determinadas páginas, como as promovidas por organizações e partidos políticos.

O método do Facebook para checar informações seria o seguinte:

  • Usando sinais, incluindo o feedback de pessoas no Facebook, para prever histórias potencialmente falsas para os verificadores de fatos analisarem.
  • Quando os verificadores de fatos classificam uma matéria como falsa, reduzem "significativamente" sua distribuição no feed de notícias, descartando, em média, as visualizações futuras em mais de 80%.
  • Notificam as pessoas que compartilharam a história no passado e avisam as pessoas que tentam compartilhá-las no futuro.
  • Para aqueles que ainda encontram a história em seu feed de notícias, mostramos mais informações de verificadores de fatos em uma unidade de artigos relacionados.
  • Usam as informações dos verificadores de fatos para treinar seu modelo de aprendizado de máquina, para que possam capturar mais notícias potencialmente falsas e fazer isso mais rapidamente.

Como Mark Zuckerberg, chefe do Facebook, havia manisfestado preocupações com o uso da rede social para fins políticos neste ano, é provável que as primeiras fotos e vídeos a serem verificados sejam aquelas que lidam com notícias eleitorais.

A preocupação da empresa vem a reboque do escândalo político que transformou dados de usuários em arma política para a consultoria britânica Cambridge Anaytica em 2013 e que resultou em um grande banco de dados e anúncios personalizados para influenciar as eleições presidenciais nos EUA em 2016, além do plebiscito que tirou o Reino Unido da União Europeia, o "Brexit".

O Facebook teme novos problemas este ano, em que teremos eleições parlamentares nos EUA, além de campanhas presidenciais no Brasil e estaduais na Índia.

A nota diz ainda que a empresa vai "dobrar" seus esforços de parceria com acadêmicos, empresas de tecnologia e outras organizações para ampliar os processos de checagem de fatos.

"Nos EUA, anunciamos recentemente uma parceria com a Associated Press para usar seus repórteres em todos os 50 Estados para identificar e desmascarar histórias falsas e enganosas relacionadas às eleições locais, estaduais e federais do país", diz o texto.

A rede social diz ter atualmente parceiros de checagem de fatos em seis países e pretendem expandir para mais. "Nossos lançamentos mais recentes foram na Itália e no México", diz.

Apesar os esforços, o Facebook não conta com um histórico favorável para contra-atacar desinformação, demonstrando até agora certa passividade para reagir. O escândalo de dados com a Cambridge, pelo visto, poderá ser fundamental para a empresa rever a postura.

Entenda o caso

Em 2013, a consultoria britânica Cambridge Analytica supostamente usava dados pessoais coletados do Facebook para criar perfis psicológicos e gerar anúncios personalizados em campanhas políticas. O escândalo ganhou força após reportagens dos veículos "The New York Times", "The Guardian" e "Channel 4".

O fato provocou o movimento #DeleteFacebook, conclamando usuários a parar de usar a plataforma. As empresas do magnata Elon Musk, Tesla e SpaceX, saíram de lá, assim como a fundação Mozilla. O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, poderá testemunhar no Congresso dos EUA sobre isso, mas por ora, disse não ao Parlamento britânico.

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