De olho na segurança

Tim Cook cutuca Zuckerberg: "Não estaria nessa situação"

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • Stephen Lam/ Getty Images/AFP

    Tim Cook, CEO da Apple

    Tim Cook, CEO da Apple

Como a má fase do Facebook está longe de terminar, os rivais continuam fazendo a festa. Um deles é Tim Cook, CEO da Apple, que há alguns dias já havia dito que a rede social precisava ser regulamentada após o escândalo do uso de dados pessoais sendo usados como arma política nos EUA e Reino Unido. Agora Cook foi além: disse que "não estaria nesta situação".

A declaração ocorreu na quarta-feira (29) em uma entrevista de Cook ao canal de TV "MSNBC", ao ser perguntado sobre o que faria se estivesse na situação de Mark Zuckerberg. Para ele, isso não seria possível nem em teoria.

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Cook tem lá seu histórico para embasar essa declaração. De fato a Apple possui uma preocupação com a privacidade e segurança dos usuários um pouco acima da média em relação a outras gigantes da tecnologia, como Google, Twitter e o próprio Facebook.

Repercutiu bastante o caso de um iPhone bloqueado do atirador de San Bernardino que matou 14 pessoas em dezembro de 2015. O FBI pediu à Apple o desbloqueio, e a empresa se recusou, alegando que tal recurso, ainda que fosse tecnicamente possível de ser criado, seria um precedente para qualquer pessoa conseguir desbloquear qualquer iPhone.

A disputa entre FBI e Apple foi parar nos tribunais. Sem entendimento legal entre as partes, a entidade optou por pagar mais de US$ 1 milhão para hackers quebrarem o sigilo do aparelho.

A posição da Apple também é mais confortável nesse sentido porque a empresa nunca se deu bem no ramo das redes sociais, onde dados de usuários são a principal moeda. Sua última empreitada foi o Ping, que funcionou na plataforma iTunes, mas foi desativado em 2012 por falta de adesão.

Segurança à parte, sabemos ainda que a Apple também tem lá seus tetos de vidro, como pudemos sentir em dezembro com a polêmica dos iPhones programados para reduzir o desempenho à medida que a bateria dos celulares ficava mais velha.

Entenda o caso

Em 2013, a consultoria britânica Cambridge Analytica supostamente usava indevidamente dados pessoais coletados do Facebook para criar perfis psicológicos e gerar anúncios personalizados em campanhas políticas. O escândalo ganhou mais força após reportagens recentes dos veículos "The New York Times", "The Guardian" e "Channel 4".

O fato provocou o movimento #DeleteFacebook, conclamando usuários a parar de usar a plataforma. As empresas do magnata Elon Musk, Tesla e SpaceX, saíram de lá, assim como a fundação Mozilla. O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, poderá testemunhar no Congresso dos EUA sobre isso, mas por ora, disse não ao Parlamento britânico.

Na quarta-feira (28), o Facebook anunciou que vai limitar a quantidade de dados disponibilizados para os anunciantes que comprarem anúncios hiper-segmentados na rede social. Isto é, bancos de dados de terceiros usados para anúncios, como Experian, Acxion e Oracle, não terão mais esse poder no Facebook.

"Queremos informar aos anunciantes que iremos encerrar [o programa] Categorias de Parceiros. Este produto permitia que provedores de dados de terceiros oferecessem sua segmentação diretamente no Facebook. Embora essa seja uma prática comum na indústria, acreditamos que essa etapa, que será reduzida nos próximos seis meses, ajudará a melhorar a privacidade das pessoas no Facebook", diz o texto.

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