Facebook endurece regras para uso comercial de emails

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • Reuters

O Facebook dá mais um passo para endurecer regras e assim (tentar) proteger a privacidade de seus usuários após o escândalo da Cambridge Analytica. Segundo notícia do "TechCrunch" no sábado (31), a rede social agora vai "apertar a torneira" de quem criava anúncios personalizados no Facebook usando listas de endereços de email de terceiros.

Basicamente o Facebook vai exigir que as empresas que anunciam na rede social, além das agências que representam tais empresas, terão que obter o consentimento de usuários para cadastrar endereços de emails em sua ferramenta de publicidade segmentada, a Custom Audiences. Além disso, terão também comunicar ao próprio Facebook que obtiveram esse consentimento.

O Custom Audiencies existe desde 2013 e funciona da seguinte forma: um dono de um negócio --um restaurante, por exemplo-- obteve os endereços de email de seus clientes com o consentimento deles para enviar novidades.

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Aí entra o Facebook: o Custom Audiences permitia ao empresário fazer um upload dessa lista de emails na plataforma. Assim, anúncios de seu restaurante alcançariam essas pessoas dentro do Facebook, sem que essas pessoas ficassem sabendo dessa operação.

O que vai mudar? O Facebook está planejando uma ferramenta de certificação para que as empresas passem a pedir a autorização de todos os seus clientes se quiserem continuar com essa prática. Afinal, as pessoas do nosso exemplo poderiam até ter concordado com o email de spam, mas não com anúncios personalizados dentro de seu Facebook também. Os detalhes sobre esta ferramenta ainda não são conhecidos.

Outra mudança em vista, de acordo com o "TechCrunch", será impedir o compartilhamento de dados do Custom Audiences entre contas empresariais do Facebook. Por exemplo, o tal restaurante do nosso exemplo poderia repassar, via Facebook, a lista de endereços de email de seus clientes para outra empresa à parte, como um grande banco ou uma empresa de análise de crédito. Agora não poderá mais.

Isso passou a ser mais importante para o Facebook desde que o psicólogo Alexandr Kogan repassou dados de sua pesquisa para a consultoria política Cambridge Analytica em 2013, o que virou uma arma política sem a permissão dos usuários envolvidos.

Entenda o caso

Em 2013, a consultoria britânica Cambridge Analytica supostamente usava indevidamente dados pessoais coletados do Facebook para criar perfis psicológicos e gerar anúncios personalizados em campanhas políticas. O escândalo ganhou mais força após reportagens recentes dos veículos "The New York Times", "The Guardian" e "Channel 4".

O fato provocou o movimento #DeleteFacebook, conclamando usuários a parar de usar a plataforma. As empresas do magnata Elon Musk, Tesla e SpaceX, saíram de lá, assim como a fundação Mozilla. O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, poderá testemunhar no Congresso dos EUA sobre isso, mas por ora, disse não ao Parlamento britânico.

Na quarta-feira (28), o Facebook anunciou que vai limitar a quantidade de dados disponibilizados para os anunciantes que comprarem anúncios hiper-segmentados na rede social. Isto é, bancos de dados de terceiros usados para anúncios, como Experian, Acxion e Oracle, não terão mais esse poder no Facebook.

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