4.5G: marketing ou tecnologia?

Anita Abdalla

Colaboração para o UOL

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É bem provável que você tenha esbarrado com propagandas de operadoras bradando sobre redes 4.5G ou 4G+. Considerando que muitos usuários ainda encontram dificuldades com o 4G comum, não é difícil imaginar que esses nomes causem desconfiança. E aí, é marketing ou tecnologia de verdade? 

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Bom, os nomes são marketing sim. Tanto o 4.5G quanto o 4G+ se referem ao padrão LTE Advanced, que foi formalizado em 2011 pela 3GPP (3rd Generation Partnership Project), um grupo internacional que determina padrões de telecomunicações. Portanto, 4.5G e 4G+ são a mesma coisa. Por outro lado, existem sim diferenças entre o 4G tradicional e essa nova tecnologia vendida pelas operadoras.

4G x 4.5G

A grande diferença entre o 4G e 4,5G está na velocidade e estabilidade de rede. Enquanto o 4G funciona usando somente uma faixa de frequência, de 2.500 MHz, o 4,5G pode usar diversas faixas para transmitir dados ao mesmo tempo. São combinadas à faixa de 2.500 MHz as faixas de 1.800 MHz e de 700 MHz (no último caso, apenas onde o sinal de TV analógica deixou de existir) - até cinco faixas de transmissão podem ser combinadas.

Em uma analogia simples, essa agregação de faixas, é como adicionar mais faixas de rolagem em uma estrada, diluindo o tráfico e viabilizando maiores velocidades. Ou seja, em vez de todo mundo congestionar uma mesma via de dados, o volume é diluído em diversas faixas. Essa tecnologia é chamada carrier aggregation (agregação de faixas em tradução livre).

Além dessa combinação de frequências, o 4.5G também conta com outras estruturas que o diferenciam, como a MIMO 4x4, que permite que a comunicação entre a torre da operadora e o seu celular seja feita com quatro antenas de transmissão e de recepção, ao invés de duas, como é com o 4G. Também há a modulação 256QM, que permite que o dispositivo transmita um volume muito maior de dados. Esses dois aspectos juntos vão trazer uma estabilidade de rede muito maior, principalmente porque vai significar uma melhoria na infraestrutura que temos atualmente.

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Em termos de velocidade, o LTE Advanced pode em tese registrar até 1 Gbps de velocidade, mas, como já vimos nas gerações anteriores, o valor máximo proposto pela tecnologia de transmissão de dados quase nunca se reflete no mundo real. Assim, o consumidor receberia por volta de 40 Mbps, segundo Jonas Justo, executivo-chefe da Melhor Escolha, plataforma de comparação de planos de TV por assinatura, internet, telefone fixo e móvel.

Vale lembrar: a velocidade final depende da infraestrutura da operadora, da cobertura do sinal e também da tecnologia presente no seu celular. Ainda que mais baixo do que gostaríamos, o número é o dobro da média de velocidade do 4G no Brasil, que é de 19,67 Mbps, segundo o mais recente relatório da companhia OpenSignal.

Ainda assim, nem todas as operadoras se rendem à tecnologia e consideram mais importante completar a transição para o 4G. A TIM comenta que apesar de ter a tecnologia, considera baixo número de dispositivos com acesso a todo esse poderio. Leonardo Capdeville, vice-presidente de tecnologia da operadora, comenta: "Hoje só 10% dos aparelhos telefônicos no mercado suportam essa função. Para a TIM hoje, não adianta construir pontos pensando nisso". A operadora pretende esperar até se consolidar a estrutura necessária para o 4.5G funcionar de forma plena.

De fato, você só terá acesso ao 4.5G se o seu celular tiver as antenas compatíveis com o padrão. Nesse caso, significa ter celularzão novo e topo de linha. Entre eles estão o iPhone 7, o iPhone 8, o iPhone X, o Galaxy Note 8, o Galaxy S8, o Galaxy S9 e o Galaxy S9+, o Moto Z2 Force e o LG G6.  Se você tem um desses aparelhos, o processo para se conectar na rede é o mesmo do 4G. Basta estar em uma região com sinal disponível e ter um plano de dados que cubra a tecnologia que a conexão rola automaticamente.

E o 5G?

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Embora existam testes em países como EUA e Japão, o 5G ainda não está disponível comercialmente no mundo. A promessa de algumas operadoras é de isso se torne realidade em 2020. O 4.5G, portanto, seria uma ponte entre o 4G comum e o que ainda está por vir.

Além de mais velocidade, a grande promessa da indústria para o 5G é mais estabilidade e capacidade de conexão para outros dispositivos que vão além dos smartphones.

"Cada G representa uma nova geração de tecnologia móvel. O 4.5 é uma melhoria do sistema que já temos, o 5 representa uma nova era inteira. A ideia é que a performance mude drasticamente. Falamos aqui não somente de uma velocidade muito maior e uma latência muito menor, mas de um mundo conectado, o que chamamos de a internet das coisas", diz André Miceli, coordenador do MBA em Marketing Digital da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Em linhas gerais, enquanto a proposta do 4,5G é mudar a forma como você navega no seu celular, o 5G pretende elevar a forma como interagimos com o mundo. Uma conexão entre seu celular, sua TV, geladeira, carro e qualquer outro objeto que possa ter um sensor e uma antena para a rede celular.

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