LCD, LED, Amoled, Oled e Qled: aprenda de vez a diferença entre as telas

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Você decide trocar de TV ou de celular e, na hora de escolher o aparelho, resolve checar as especificações técnicas para decidir qual levar. É aí que a sopa de letrinhas entra em cena: afinal, o que significa a tela do aparelho ser LED, Oled, Qled, TFT, LCD, Amoled, Super Amoled ou IPS?

Primeiramente, é bom deixar claro: essas siglas não são jogo de marketing e, em sua maioria, envolvem tecnologias específicas - algumas são preferidas por determinados fabricantes de celulares, outras são mais usadas em TVs e assim por diante.

Para explicar o seu funcionamento, UOL Tecnologia conversou com professor de sistemas audiovisuais Marcelo Parada, do Centro Universitário FEI.

Divulgação
TV de LCD da Sony

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LCD

As telas de cristal líquido são a base da tecnologia atualmente vistas nas TVs. Elas consistem em um "sanduíche" de filtros polarizadores, cujo recheio é um painel de vidro fino com cristais líquidos em seu interior. Atrás de tudo isso, há a chamada backlight, que ilumina o conjunto de filtros e painel.

Conforme os cristais presentes em cada uma dessas áreas recebem corrente elétrica, eles mudam de orientação. Dependendo dessa orientação, eles permitem passar mais ou menos luz, que é direcionada para um filtro de cores. Cada pixel desse filtro é formado por três subpixels, responsáveis por pelas cores vermelho, verde e azul (o famoso RGB).

Para determinar a quantidade de corrente elétrica que cada cristal irá receber - e, consequentemente, o quanto ele irá se mexer e o quanto de luz ele irá permitir passar - entram em cena os transistores. Eles ficam em um filme, cujo nome é Thin Film Transistor (filme de transistores fino), ou TFT. Ou seja: TFT não é um tipo de tela, mas sim um componente das telas LCD. 

E por que o alinhamento dos cristais é importante? A quantidade de luz que ilumina cada subpixel do filtro de cores é o que vai determinar a cor exibida na tela. Geralmente, há milhões de combinações possíveis. 

Shutterstock
RGB

IPS

Você já deve ter percebido que quanto mais fica de lado em relação a sua TV, menos visível fica a imagem, certo?

Isso ocorre devido à direção das moléculas de cristal líquido dentro de cada pixel. A tecnologia IPS, na verdade, faz com que as moléculas de cristal líquido girem paralelamente em relação às camadas de filtros polarizadores quando estimuladas por eletricidade. Em um painel convencional, essas moléculas giram perpendicularmente aos filtros polarizadores.

O resultado disso são cores mais fiéis e um ângulo de visão maior. Essa tecnologia é usada em telas de TV e também de aparelhos como celulares e tablets. 

A Apple, por exemplo, usa painéis IPS em boa parte dos seus produtos, acrescentando o nome "Retina". Isso nada mais é do que um display com grande densidade de pixels, de maneira que o olho humano não consiga enxergá-los individualmente. 

Reprodução
TV de LED

LED

As telas de LED nada mais são do que uma tela de LCD (podendo ser IPS ou não) cuja lâmpada traseira (backlight) utiliza diodos emissores de luz (os LEDs) para iluminar o painel frontal.

Essa é a tecnologia mais popular atualmente, seja para TVs, computadores, celulares e tablets e tem como principal vantagem o menor gasto de energia em relação aos painéis LCD convencionais. 

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TV de Oled da LG tem 8k de resolução

Oled

Aqui a coisa muda de figura. O cristal líquido sai de cena e, em seu lugar, entram os diodos orgânicos emissores de luz, cuja sigla em inglês é Oled.

Esses diodos são capazes de emitir luz por conta própria, o que dispensa a necessidade do backlight. Não há uma luz iluminando constantemente o painel e cada diodo é acionado individualmente e sob demanda, o que ajuda a economizar energia.

Essa tecnologia ainda está presente em TVs com tela maior e custo mais elevado, não sendo exatamente popular. Entre suas vantagens, está o contraste muito maior do que as telas de LED - consequentemente, um tom de preto realmente preto -, imagens de qualidade superior, painel mais fino e menor consumo de energia. 

Arte/UOL
Telas do Galaxy S9 e do Iphone X

Amoled e Super Amoled

Bastante usada em celulares - especialmente os modelos mais avançados -, as telas Amoled usam o mesmo conceito das Oled. O "AM" da sigla, por sua vez, significa "Active-Matrix", ou matriz ativa, em português.

Aqui, o termo é mais uma questão de marketing: a tal "matriz ativa" nada mais é do que o acionamento dos elementos de cada pixel individualmente. As TVs OLED atuais, em sua maioria, usam essa tecnologia. A diferença aqui, por questões comerciais, é que o nome Amoled acabou se popularizando entre os celulares, enquanto Oled ficou para as TVs.

Há ainda as telas Super Amoled. Criação da Samsung, ela utiliza o mesmo conceito dos displays Amoled, mas coloca a função sensível ao toque diretamente na tela, dispensando um vidro adicional. Desta maneira, o peso do celular diminui e a resposta a toques fica mais rápida. A tela fica menos reflexiva, o que exige menos brilho e resulta em economia de energia. Além de boa parte dos celulares Samsung, essa tecnologia também é usada no iPhone X. 

Divulgação
TV Qled da Samsung

Qled

As telas Qled, usadas em televisores de ponta da Samsung, utilizam um filtro com os chamados pontos quânticos - cristais com nanômetros de tamanho, o "Q" da sigla. Esse filme fica na frente da backlight da TV, que é azul em vez de branca.

A intenção ao usar esse filtro é melhorar a luz proveniente do backlight, produzindo um branco "mais branco", cores mais puras e mais brilho nas imagens, características normalmente usadas como argumentos de venda para aparelhos do tipo.

Por usar uma construção menos complexa do que as TVs Oled, a produção de telas Qled acaba saindo mais em conta - o que não necessariamente impacta no preço final dos produtos.

Qled e Oled, inclusive, protagonizam uma batalha pela preferência do consumidor.

Empresas como a LG se valem de argumentos como a produção de tons de preto mais precisos e menor consumo de energia para defender a tecnologia Oled.

Já a Samsung, principal fabricante de TVs Qled, diz que suas telas mostram cores mais fiéis, brilhantes e são imunes ao chamado "efeito burn-in", que faz com que as imagens fiquem gravadas na tela da TV permanentemente --ainda que este seja um problema cada vez mais raro em TVs modernas.

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