De olho na segurança

Cambridge Analytica pode ter acessado mensagens do Facebook Messenger

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

O pesquisador Jonathan Albright publicou na plataforma "Medium" um artigo em que levanta uma possibilidade ainda mais preocupante para o escândalo do abuso que a consultoria Cambridge Analytica cometeu com dados de usuários do Facebook em 2014: acesso ao apenas aos dados de perfis, mas também de mensagens privadas do Facebook Messenger.

A vulnerabilidade remonta à primeira versão da Graph API do Facebook, que permitia que os aplicativos de desenvolvedoras solicitassem grandes quantidades de informações dos amigos dos usuários com um único comando. 

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Segundo o pesquisador, a primeira Graph API poderia dar essa capacidade de ler as mensagens privadas do Facebook dos usuários por meio de uma solicitação de API "read_mailbox".

Depois que a permissão foi concedida, aplicativos como o teste de personalidade "This Is Your Digital Life", da Cambridge Analytica, poderiam continuar a extrair dados por anos até que o app fosse excluído do perfil ou até quando o Facebook desativasse a versão 1.0 da Graph API para a mais segura versão 2.0, o que ocorreu em 2015.

O Facebook começou a enviar notificações para os usuários descobrirem se foram ou não afetados pelo escândalo. Um dos detalhes da notificação é o fato de que os usuários afetados podem ter também suas mensagens privadas vazadas para a Cambridge.

A empresa confirmou à revista "Wired" que apenas 1.500 usuários do Facebook teriam dado acesso aplicativo "This Is Your Digital Life" para acessar os dados do Messenger nessas circunstâncias. Mas qualquer um que enviasse ou recebesse mensagens dessas 1.500 pessoas também poderia ser impactado. Então ainda não está claro o alcance e danos desta situação.

O executivo-chefe, Mark Zuckerberg, prestará nesta terça e quarta-feira depoimento ao Congresso americano para explicar detalhes do escândalo com a Cambridge.

Relembre o caso

Em 2014, a empresa britânica Cambridge Analytica começou a usar indevidamente os resultados de testes de personalidade e curtidas no Facebook para traçar perfis de usuários.

Essas informações revelaram o perfil psicológico completo de 87 milhões de pessoas que estão na rede social, que passaram a receber propaganda eleitoral altamente personalizada. O Brasil está no meio, com 443.117 usuários atingidos.

A campanha presidencial dos EUA em 2016, que elegeu Donald Trump, e do Brexit, o plebiscito do ano passado que levou o Reino Unido a deixar a União Europeia, são alguns exemplos desta prática.

O escândalo explodiu em 17 de março, depois que um ex-funcionário da Cambridge Analytica, chamado Christopher Wylie, revelou que a consultoria pegava dados das pessoas que fizeram o teste e também de seus amigos, sem consentimento. O caso ampliou o medo generalizado de como as redes sociais, especialmente o Facebook, podem usar dados sem nosso controle ou conhecimento. E de como o chamado big data virou poderosa arma política capaz de influenciar uma eleição.

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