De olho na segurança

Facebook vai pagar para quem denunciar abuso e já começou a desligar apps

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • iStock

Duas mudanças do Facebook chegam nesta terça-feira (10) para ajudar a rede social a conter a crise do abuso de dados de usuários cometido pela consultoria Cambridge Analytica e fortalecer o discurso do executivo-chefe, Mark Zuckerberg, em seu iminente depoimento ao Congresso americano.

A primeira novidade vem de um post de Collin Greene, líder de segurança de produtos do Facebook. No post, ele explica o programa "Data Abuse Bounty", criado para ajudar o Facebook a descobrir possíveis violações de suas políticas de uso por parte de desenvolvedores de apps.

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Ganhará dinheiro quem conseguir comprovar que um aplicativo dentro da plataforma do Facebook coleta e transfere dados de usuários para outra pessoa ou empresa terceira com o intuito de vender, roubar ou usar estes dados para golpes ou influência política.

Assim como outro programa do Facebook, que recompensa quem acha bugs na plataforma, o investigador será recompensado de acordo com o "impacto de cada denúncia". Greene diz que não há um limite máximo, mas o programa contra bugs já premiou uma descoberta de mais de US$ 40 mil (R$ 142,8 mil), para se ter uma ideia.

"Se confirmarmos o abuso de dados, encerraremos o aplicativo ofensor e tomaremos medidas legais contra a empresa que está vendendo ou comprando os dados, se necessário. Pagaremos a pessoa que denunciar o problema e também alertaremos aqueles que acreditamos que tenham sido afetados", promete Greene.

Mais detalhes sobre o programa de recompensas estão no Facebook, por enquanto só em inglês.

Apps sendo desativados

A segunda novidade do Facebook é limitar a capacidade dos aplicativos de acessar os dados dos usuários. Os apps terceiros --jogos e testes que rolam dentro do Facebook, por exemplo-- que usam a plataforma do Facebook terão que enviar usuários o processo de login do Facebook a cada 90 dias.

A pessoa que logar novamente no app precisará concordar com as permissões de dados tocando em "Continuar".

Na teoria, essa medida evita que empresas que desenvolveram estes apps continuem acumulando informações infinitamente de milhares de perfis, mesmo quando o usuário não precisa mais do serviço prestado pelo app e esqueceu ele mesmo de desativar a permissão nas configurações.

Entre 9 de abril e 21 de abril, usuários que não logaram por conta própria em um aplicativo e não concederam o consentimento para as permissões nos últimos 90 dias terão seus perfis desligados dos respectivos apps, segundo o Facebook.

"Acreditamos que essa atualização de acesso imediato ajude a criar confiança e leve a conexões mais fortes em nosso ecossistema", diz o post no blog de desenvolvedores do Facebook.

Relembre o caso

Em 2014, a empresa britânica Cambridge Analytica começou a usar indevidamente os resultados de testes de personalidade e curtidas no Facebook para traçar perfis de usuários.

Essas informações revelaram o perfil psicológico completo de 87 milhões de pessoas que estão na rede social, que passaram a receber propaganda eleitoral altamente personalizada. O Brasil está no meio, com 443.117 usuários atingidos.

A campanha presidencial dos EUA em 2016, que elegeu Donald Trump, e do Brexit, o plebiscito do ano passado que levou o Reino Unido a deixar a União Europeia, são alguns exemplos desta prática.

O escândalo explodiu em 17 de março, depois que um ex-funcionário da Cambridge Analytica, chamado Christopher Wylie, revelou que a consultoria pegava dados das pessoas que fizeram o teste e também de seus amigos, sem consentimento. O caso ampliou o medo generalizado de como as redes sociais, especialmente o Facebook, podem usar dados sem nosso controle ou conhecimento. E de como o chamado big data virou poderosa arma política capaz de influenciar uma eleição.

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