Em meio a escândalo no Facebook, Cambridge Analytica perde mais um chefe

Do UOL, em São Paulo

  • LinkedIn/Reprodução

Em paralelo aos depoimentos de Mark Zuckerberg ao Congresso americano sobre o escândalo de vazamento de dados protagonizado pela Cambridge Analytica, o executivo-chefe da empresa de pesquisa política deixou o cargo. A Cambridge Analytica anunciou nesta quarta-feira (11) que o Alexander Tayler saiu da posição de executivo-chefe para retomar sua antiga posição, de chefe de dados (CDO, Chief Data Officer, sigla em inglês).

O cargo, por enquanto fica vago, já que em 20 de março o antigo executivo-chefe, Alexander Nix, foi suspenso após ser revelado que a empresa havia obtido dados de milhões de usuários do Facebook (última estimativa de 87 milhões).

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A novidade vem um dia após a empresa utilizar o Twitter para se defender das afirmações do escândalo em que é protagonista. A Cambridge Analytica argumentou não ter violado leis e disse não ter hackeado o Facebook para obtenção de dados.

"SCL Elections licenciou dados de uma empresa de pesquisas chamada Global Science Research (GSR), a qual obteve os dados por meio de uma ferramenta providenciada pelo Facebook, prática comum na época. A SCL Elections licenciou 30 milhões de registros de cidadãos americanos da GSR. Assim que o Facebook nos avisou que os termos de serviço foram quebrados, deletamos todos os dados da GSR e seus derivados, e certificamos isso ao Facebook", explicou.

A Cambridge Analytica diz que uma auditoria independente está em curso para investigar o caso e ainda disse que não usou dados do GSP e seus derivados na campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.

"Usamos dados do RNC (Comitê Nacional Republicano), fontes públicas como registros de eleitores, corretores de dados e pesquisas que coletamos sob um aviso de consentimento", afirmou a empresa, que também disse não ter envolvimento no referendo do Brexit, no Reino Unido – embora tenha sugerido seus serviços para as campanhas a favor e contra a saída da União Europeia.

Por fim, a Cambridge Analytica minimizou a relação da empresa com Christopher Wylie, responsável por iniciar a crise no Facebook após revelações aos jornais "The Guardian" e "The New York Times".

"Wylie não é um delator ou fundador da nossa empresa. Ele saiu há quatro anos para criar uma empresa bem parecida chamada Eunoia Technologies, e obteve separadamente uma cópia dos dados da GSR para ele mesmo. A Eunoia ofereceu serviços à campanha de Trump, e Wylie depois tentou trabalhar para o "leave" [no Brexit]. Quando a SCL Elections descobriu que Wylie tinha violado seu contrato, ela tomou ação legal contra ele e a Eunoia", esclareceu.

Universidade de Cambridge responde a Zuckerberg

Nesta quarta-feira, Mark Zuckerberg deu continuidade aos depoimentos ao Congresso dos Estados Unidos. Após falar com os senadores, o executivo-chefe do Facebook conversou com os deputados e, durante o papo, citou que a empresa explora alguma ação contra a Universidade de Cambridge.

Foi na instituição de ensino britânica que o pesquisador Aleksandr Kogan desenvolveu o aplicativo que coletou os dados de milhões de usuários que foram vendidos à Cambridge Analytica. "Precisamos saber se havia algo ruim acontecendo de forma geral na Universidade de Cambridge que necessite uma reação forte de nós", disse Zuckerberg.

A universidade afirmou que ficaria surpresa de saber que Zuckerberg só ficou ciente das pesquisas recentemente. "Nossos pesquisadores têm publicado tais pesquisas desde 2013 em grandes jornais científicos. Esses estudos têm sido reportados amplamente pela imprensa internacional. Estes incluem um estudo em 2015 liderado por Aleksandr Spectre (Kogan) e de coautoria de dois empregados do Facebook", reagiu a instituição.

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