De olho na segurança

Zuckerberg diz que seu perfil no Facebook também foi afetado pela Cambridge

Do UOL, em São Paulo

  • Saul Loeb/AFP

    Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, em depoimento ao Congresso dos EUA

    Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, em depoimento ao Congresso dos EUA

Mark Zuckerberg, fundador e executivo-chefe do Facebook, disse nesta quarta-feira (11) que até mesmo os dados pessoais de seu perfil foram afetados pelo escândalo de abuso de dados da Cambridge Analytica. A declaração foi dada durante sabatina na Comissão de Energia e Comércio da Câmara de Representantes, em Washington (EUA).

Anna Eshoo, congressista democrata da Califórnia, perguntou: "Seus dados pessoais foram incluídos na violação da Cambridge?" "Sim", respondeu ele, sem dar mais detalhes.

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Ou seja, ele não diz se foi um dos cerca de 300 mil usuários que responderam ao teste de personalidade "This is Your Digital Life", que deu início ao caso, mas é mais provável que ele tenha alguém entre seus amigos que fez o teste e entregou os dados dos amigos.

Zuckeberg começou repetindo literalmente o que tinha dito na audiência de ontem, no Senado: que errou e não fez o suficiente para impedir que as ferramentas fossem usadas para o mal.

"Isso vale para notícias falsas, interferência estrangeira em eleições e discurso de ódio, bem como desenvolvedores e privacidade de dados. Não tivemos uma visão ampla o suficiente de nossa responsabilidade, e isso foi um grande erro", repetiu.

Os parlamentares tentaram traçar paralelos entre a campanha de Obama no Facebook (que dizia quais dados estava coletando) e a Cambridge Analytica (que secretamente comprou dados). "Eles não deveriam estar igualmente indignados com o uso de dados da campanha de Obama?", perguntou o republicano Gregg Harper. 

Zuckerberg disse que a coleta de dados feita na campanha de Obama foi legal e não violou os termos de uso da plataforma, ao contrário do que aconteceu na eleição de Trump. 

Coleta de dados, anúncios e críticas

O executivo desconversou quando perguntado se iria mudar as configurações padrão para minimizar a coleta de dados do usuário e disse que essa era uma questão complexa para responder com apenas uma palavra (sim ou não).

Por várias vezes, ele reafirmou que o usuário consente com a coleta de dados e pode sair da rede social quando quiser. 

Ele também voltou a dizer que não vende dados de usuários diretamente a anunciantes. Mas confirmou que coleta "certas informações por motivos de segurança e por motivos de anúncios". Isso é uma meia-verdade, já que Facebook opera com propagandas direcionadas que utilizam dados dos usuários --ainda que não sejam transferidos diretamente para anunciantes.

Saul Loeb/AFP
Zuckerberg enfrenta maratona no Congresso norte-americano

"Mesmo que alguém não esteja logado, rastreamos determinadas informações, como quantas páginas estão acessando, como medida de segurança. Para publicidade, também é executada uma 'rede de terceiros' que rastreia a segmentação de anúncios", explicou.

Zuckerberg, contudo, não teve a oportunidade de se explicar se coletava dados até de pessoas que não têm contas no site. Ao ensaiar um "sim" com uma explicação posterior, foi interrompido diversas vezes por uma congressista. 

Um dos parlamentares mais contundentes foi o democrata Mike Doyle, que questionou Zuckerberg sobre não ter informado os usuários afetados pela Cambridge Analytica em 2014 e ter deixado que todo mundo descobrisse a falha pela imprensa somente agora. "Você se preocupou mais em obter desenvolvedores para sua plataforma do que com seus usuários", disse Doyle.

Mais uma vez, Zuckerberg citou medidas que vem implementando na rede social e que foram anunciadas nas últimas semanas. Ele repetiu que consertar a plataforma pode levar anos e se colocou novamente a favor de uma regulamentação desde que seja "certa". 

Em maio, a Europa irá impor regras de privacidade mais forte para dados online e todas as empresas de tecnologias estão tendo que adaptar suas plataformas e termos de uso. Zuckerberg já foi questionado várias vezes se as regras da Europa serão adotadas para o resto do mundo e suas respostas têm variado: já disse que não, afirmou que apenas parte delas e hoje alegou que sim. 

O que o Facebook é?

Depois de questionar se o Facebook era uma empresa de mídia ou uma empresa financeira, já que permite envio de dinheiro via Messenger, o republicano Walden quis saber a empresa faz com os dados dos usuários. Zuckeberg respondeu novamente, assim como já havia feito no Senado, que se considera uma empresa de tecnologia ( o que o isenta, por exemplo, da regulamentação para empresas de mídia).

"Todos os dias, centenas de pessoas usam nossos produtos (Facebook, Messenger) com conteúdos e fotos que querem compartilhar. Eles decidem se querem compartilhar com pessoas ou grupo de pessoas. Essa é a coisa mais importante que fazemos", falou.

Propagandas ruins serão retiradas

Um congressista questionou sobre a venda de opioides vendidos sem prescrição médica por meio do Facebook. "Você está machucando pessoas", acusou o político, que criticou a falta de regulamentação do comércio de remédios por meio de farmácias digitais ilegais.

Zuckerberg assumiu o erro, disse que os anúncios serão retirados do ar e se esquivou. "Mesmo com 20 mil pessoas trabalhando [na fiscalização de conteúdo], é difícil monitorar tudo", explicou.

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