De olho na segurança

Cansou de ter seus dados vasculhados? Use VPN (com cuidado) e fique anônimo

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

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Depois do mais recente escândalo envolvendo a distribuição ilegal de dados mostrar que nossos dados passam longe de serem privados, você deve estar pensando em jeito de aumentar a sua segurança digital.

Quando listamos cinco maneiras simples de reduzir seus rastros na internet, mostramos que uma delas, especificamente, requer um cuidado adicional: o uso de VPNs (sigla em inglês para redes privadas virtuais).

A sigla ficou famosa no Brasil quando, em 2016, o WhatsApp foi bloqueado por aqui devido a uma decisão judicial. Para poder usar o sistema durante o (relativamente curto) tempo de bloqueio, várias pessoas baixaram apps gratuitos que permitiam o uso de VPNs públicas.

Isso não acabou bem: da mesma forma que há VPNs seguras, há redes do tipo que são extremamente vulneráveis. Elas deixam seu usuário exposto a todo tipo de mazela digital, de invasões a roubo de dados.

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Você é o produto: cada passo que você dá na web gera rastros e essas informações são usadas para te vigiar e influenciar o seu comportamento

Entenda

Antes de falarmos como escolher uma opção segura, entretanto, vale explicar o que é, exatamente, uma VPN.

Uma conexão "particular"

As VPNs (Virtual Private Network) surgiram como algo corporativo, uma forma de acessar diretamente e de maneira segura as redes de empresas.

No começo, elas criavam um canal direto entre um ponto de acesso (no caso, um computador) e o endereço de destino (um site ou um banco de dados, por exemplo). Assim, a conexão deixaria de ser pública - passando por servidores de operadoras de internet ou, ainda, gratuitos de empresas como o Google - e se tornaria privada. Essa conexão anônima usaria, então, os servidores da empresa de VPN contratada. 

O seu uso por usuários domésticos surgiu após países como a China criarem barreiras para o uso da internet. As VPNs, então, passaram a ser usadas como forma de burlar essas proibições, explica o especialista em infraestrutura de redes Jefferson Castanheira.

Para esse tipo de uso, a VPN guia a conexão do usuário por caminhos diferentes, de forma a chegar de um ponto a outro. 

Uma metáfora válida para isso seria como tentar ir do ponto "A" ao ponto "Z" de carro, mas a estrada que liga diretamente esses dois pontos está bloqueada. Então você utiliza outras vias, passa por outros pontos e "dribla" o bloqueio da estrada principal.

O problema, no caso das VPNs gratuitas, é que esses outros pontos por onde passam os dados de sua conexão costumam ser bem problemáticos. Os pontos intermediários do trajeto podem servir para roubar dados, por exemplo, diz Castanheira.

Ele conta que criar uma VPN é algo de baixo custo e, por isso, tende a ser uma ferramenta usada por criminosos.

"VPNs 'de garagem' nunca serão seguras. É o caso daqueles apps gratuitos que vemos nas lojas virtuais dos celulares, como Google Play e AppStore", diz. Quando você digita VPN na busca das lojas de apps, um monte deles aparecem.

Ou seja: se você pretende utilizar uma VPN, o primeiro passo é ficar longe de alternativas gratuitas. Existe uma solução, mas você pagará por ela

Toda VPN é insegura, então? Não.

Há serviços que oferecem esse tipo de conexão que são seguros e, além de manterem seus dados, garantem uma velocidade de conexão superior à obtida quando se utiliza a internet de maneira convencional.

Eles seriam, então, uma boa alternativa para quem quer deixar o mínimo de rastros possível enquanto navega pela internet. Não chega a ser totalmente anônimo (isso é praticamente impossível), mas seus dados são criptografados e seu IP real fica escondido, então os sites não conseguem te identificar ou rastrear seu comportamento.

Há, porém, um problema: o preço. 

"Criar uma VPN segura, de qualidade e ótimo tráfego, é algo que sai caro", conta Castanheira, e isso se converte em custo ao consumidor.

Uma breve pesquisa feita por UOL Tecnologia para a contratação de serviços do tipo --com boas referências em termos de qualidade do serviço e segurança-- mostrou que o preço da assinatura varia bastante. Há casos de serviços, como o FastestVPN que cobram US$ 600 por uma assinatura de "vida toda".

Outros, como o ExpressVPN, adotam modelos de assinatura com cobrança mensal. Neste caso específico, o plano de um ano dá direito a três meses de graça por US$ 6,66 dólares ao mês.

Caso você decida assinar um serviço do tipo, há alguns pontos que merecem atenção além do preço em si. "É importante pesquisar sobre quem fornece o serviço, se é uma empresa de qualidade reconhecida, de onde vem suas conexões e se possui certificados de segurança", aponta Castanheira.

Outro ponto para ficar esperto é o fato de que há serviços do tipo que têm franquias de tráfego de dados. Neste caso, o ideal é encontrar um que permita navegação ilimitada.

Uma vez contratado o plano, o método mais comum para acessar esse tipo de rede envolve baixar e instalar um aplicativo fornecido pela empresa responsável pelo serviço. Esse programa, em geral, precisará ser aberto e pedirá um login. Preenchidas as informações e escolhido o servidor que será usado, a navegação passa a ser privada.

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