Pesquisadores transformam água em "programa de computador"

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL Tecnologia

  • Divulgação/MIT

Como seria se pudéssemos controlar a água que está ao nosso redor? Pois essa é uma das premissas de um grupo de pesquisas do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

O grupo, liderado pelo pesquisador Udayan Umapathi, demonstrou uma maneira de transportar gotas d'água individualmente e por caminhos precisos, como se essas gotas tivessem sido programadas para tal.

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A demonstração ocorreu em janeiro e envolve, além das gotas em si, uma placa de circuito impresso, revestida de material pouco abrasivo e com uma trama de fios de cobre em sua parte superior.

O controle das gotas ocorre devido ao campo elétrico da superfície, que permite mudar a forma das gotas e fazer com que elas se movimentem de acordo com o desejado. É possível, inclusive, fazer duas gotas se fundirem.

Controlar a água e a transformar numa espécie de "programa" é o primeiro passo, mas o grupo agora busca aplicações práticas da descoberta.

O grupo de Umapathi, chamado Tangible Media Group (Grupo de Mídia Tangível), trabalha justamente com os chamados "Átomos Radicais", que são materiais reconfiguráveis por meio de computação.

Entre as demonstrações feitas pelo grupo, estão a possibilidade de criar cores específicas ao controlar gotas de diferentes tonalidades, o que poderia ser útil a pintores. Para selecionar a cor, é possível tirar uma foto com o celular e escolher a tonalidade que será recriada.

"Neste caso específico, a informação de que as gotas carregam é a cor por si só. A tecnologia acaba sendo integrada a um objeto pequeno e real", diz Umapathi.

Além dessa demonstração usando cores, a equipe também criou uma espécie de jogo no qual você precisa controlar uma gota e "capturar" outras e também um espelho capaz de mostrar mensagens pré-programadas, que são desenhadas sobre a superfície embaçada por vapor d'água.

Neste último caso, o grupo possui um painel que pode ser usado para mostrar mensagens, mas ele ainda está em fase de testes e ainda não pode ser montado sobre um espelho.

Além de demonstrações mais "artísticas", a tecnologia também poderia simplificar processos de empresas farmacêuticas, diminuindo o custo necessário para manipular pequenas quantidades de líquidos em pesquisas, por exemplo.

Por ora, ainda não há previsão para aplicação prática da tecnologia. O próprio espelho "desenhável" ainda está um pouco distante: segundo Umapathi, um protótipo do tipo demoraria "pelo menos um ano" para ficar pronto.

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