Para acabar com a solidão, este robô narra o que seus amigos estão fazendo

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Reprodução

Uma rotina de trabalho estressante, estudos e, por que não, até mesmo um vício em séries: hoje em dia há diversos fatores que fazem com que nos tornemos pessoas cada vez mais solitárias. E isso não faz nada bem.

A falta de contato social aumenta o risco de morte prematura em 50%, de acordo com um estudo realizado em 2015 pela Brigham Young University, em Utah, Estados Unidos. Entre os possíveis males causados pela solidão estão aumento da pressão sanguínea, níveis elevados de colesterol, depressão, queda da capacidade cognitiva e até mesmo mal de Alzheimer.

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Ou seja: motivos não faltam para você se reunir com os amigos frequentemente. E se você é do tipo esquecido ou relapso, temos uma boa notícia.

Em breve, você poderá contar com um robô criado com o único intuito de te aproximar das pessoas queridas. 

Trata-se do Fribo, um pequeno robô --que lembra um bocado assistentes domésticos, como o Google Home e o Amazon Echo-- apresentado em uma conferência que tratou da interação entre humanos e robôs, realizada em Chicago (EUA) recentemente.

Desenvolvido por pesquisadores sul-coreanos, o Fribo parece um personagem de desenho japonês, com um visual fofinho, orelhas e olhos que remetem a um gato.

Tem cara de brinquedo, mas passa longe de ser um. Eles são instalados nas casas de cada pessoa de um grupo de amigos.

O grande lance é que o bichinho analisa o que acontece dentro da sua casa (a porta de entrada abrindo, por exemplo) e passa certas informações para o Fribo dos amigos. A ideia é criar uma rede de confiança entre os Fribos, de forma que eles relatem o que cada pessoa dessa rede está fazendo e incentive os demais amigos a comentarem essas ações.

Por exemplo: o seu Fribo pode avisar que um dos seus amigos despertou e isso seria um incentivo a dar um "bom dia". Ou ainda, checar o que uma das pessoas está fazendo. A intenção é evitar que as pessoas que fazem parte dessa rede se sintam sozinhas.

As mensagens podem ser individuais ou para o grupo de amigos e são enviadas tanto via voz - pelo próprio Fribo - quanto por aplicativos de mensagens em texto.

Bons resultados

Ainda que ter um robô te vigiando e, mais do que isso, passando detalhes de sua vida pessoal para um grupo de pessoas seja algo um tanto bizarro, os testes preliminares com a novidade renderam elogios das "cobaias".

O Fribo foi testado em grupos de jovens sul-coreanos

Um dos participantes disse que fazer parte de uma rede que utiliza o robô fez ele "pensar sobre o que o seu amigo está fazendo e sentir como se eles morassem na mesma casa, mas em cômodos diferentes. É como dividir atividades diárias com os amigos".

Já outros disseram que passaram a falar com os amigos com mais frequência e promoveram mudanças em sua rotina, como passar a acordar mais cedo, porque seus amigos também faziam isso.

Em alguns casos, os participantes passaram a enxergar o Fribo como uma companhia, até mesmo conversando com ele.

O fato de ter um robô destinado a relatar sua atividade diária pode ser uma ameaça à privacidade. Mas, por outro lado, ele foi moldado para um estilo de vida mais próximo dos jovens sul-coreanos --o que pode atrapalhar seu sucesso em outros mercados.

Ainda não há uma data certa para que ele seja lançado. Mas, por ser movido por uma placa Raspberry Pi, há boas chances de ele ser um produto barato. 

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