Impressão de água? Técnica abre espaço para criação de gadgets líquidos

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL Tecnologia

  • Divulgação/Lawrence Berkeley National Laboratory

    Esquema de funcionamento da "impressora de água"

    Esquema de funcionamento da "impressora de água"

Você já imaginou ter em mãos um celular capaz de se moldar ao seu bolso ou, ainda, totalmente imune a quedas?

Parece coisa de filme de ficção científica, mas pesquisadores do Lawrence Berkeley National Laboratory, ligado ao departamento de energia dos Estados Unidos, fizeram uma recente descoberta que permite que impressoras 3D utilizem líquidos capazes manter uma determinada forma.

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Essas impressoras, em geral, criam formas expelindo plástico derretido ou, ainda, usam laser para solidificar partículas dos materiais, de maneira a criar objetos complexos. Independentemente da versão, essas impressoras são capazes de criar apenas objetos sólidos. Ou, ao menos, eram.

O que os cientistas fizeram foi comprar uma máquina do tipo e realizar modificações, como substituir o bico usado para expelir plástico derretido por uma agulha fina, que solta água. Outra alteração foi uma reprogramação da máquina, de maneira que ela pudesse reproduzir padrões em três dimensões - em seu uso normal, ela imprime em duas dimensões, sendo a terceira dimensão - no caso, a altura do objeto - vai surgindo conforme ele é impresso.

A ideia era fazer com que a agulha de impressão fosse usada dentro de um tanque com líquido e criasse uma forma - também usando líquido - que ficasse estável. Para isso, o tanque foi preenchido com um composto formado por óleo de silicone e polímeros capazes de se unir a metais, enquanto a água que seria a "tinta" da impressora foi misturada a nanopartículas de ouro.

O resultado disso é que os fios de água "impresso" dentro do tanque de óleo de silicone mantinham sua forma, uma vez que eles ganhavam uma "cobertura" de polímero, criando uma espécie de "capa" que isolava a água do óleo de silicone.

Pode parecer pouco, porém cientistas afirmam que o sucesso desse experimento abre espaço para diversas aplicações, como a criação de máquinas nanoscópicas construídas à base de líquidos. Ou ainda, como dito no início deste texto, criar eletrônicos flexíveis que seriam inquebráveis.

Caso isso se confirme, no futuro, trocar uma tela trincada de celular poderá ser apenas uma lembrança ruim de tempos remotos.

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