Se cuida Pinóquio! A inteligência artificial virou arma contra mentirosos

Lucas Baranyi

Colaboração para o UOL Tecnologia

  • iStock

Se você nunca passou por um teste de polígrafo (popularmente conhecido como detector de mentiras), com certeza já o viu em ação – seja na ficção, em algum filme ou série policial, ou em programas televisivos. Apesar do ar científico, a cada nova leva de estudos publicados, é provado que sua efetividade não é das melhores.

Seu funcionamento é simples: ele observa mudanças fisiológicas (pressão sanguínea e pulso) da pessoa questionada. Qualquer sinal de nervosismo, independente da culpabilidade da pessoa, é apontado pelo aparelho.

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O cerco aos mentirosos, porém, está apertando. O departamento de segurança nacional dos Estados Unidos e autoridades da União Europeia e Canadá estão testando um sistema chamado Avatar – que nada tem a ver com o filme dirigido por James Cameron - que pode aposentar o polígrafo de vez. Ele usa inteligência artificial e foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de San Diego, na Califórnia, e da Universidade do Arizona. 

"O sistema pode detectar mudanças nos olhos, voz, gestos e postura para determinar riscos em potencial", afirmou Aaron Elkins, professor assistente de administração de sistemas de informações, em um comunicado. "Ele pode dizer até mesmo quando você dobra os dedos do pé", completou.

Mais recentemente, Elkins afirmou à rede americana CNBC que a taxa de acerto do Avatar (que significa, em tradução livre, Agente Virtual Automatizado Para Análise de Verdade em Tempo Real) transita em torno de 60% e 75%, podendo atingir picos de 80%. Se você acha que esses números não são tão altos, saiba que eles estão acima dos humanos: segundo Elkins, nossa taxa de acerto para julgar afirmações verdadeiras corretamente fica entre 54% e 60%.

A ideia é usá-lo em pontos de fronteira para realizar perguntas padrão de segurança; se suspeitos forem identificados, eles são interrogados por outros agentes (desta vez humanos).

Olhos nos olhos

O Avatar não está sozinho na busca da inteligência artificial pela verdade (ou mentira): um sistema chamado EyeDetect, que analisa respostas de um participante por meio de seus movimentos oculares durante um teste de até 30 minutos, poderia ser aceitado como evidência em um julgamento no Novo México. O réu foi julgado "crível" pelo sistema e pediu que a corte aceitasse o teste como prova.

Segundo o presidente da Converus, empresa criadora do EyeDetect, o acontecimento foi "um marco significativo para que o sistema seja aceito em outras cortes". De acordo com a companhia, uma delegacia – também localizada no Novo México – utiliza o sistema para testar candidatos a vagas de emprego no local.

Um dilema ético, porém, paira no ar: se essa prática tornar-se mais costumeira não apenas em fronteiras, mas em aeroportos e cortes de julgamento, cientistas e cidadãos podem passar a questionar de maneira mais veemente a sua taxa de acerto.
Resta saber quem irá vencer essa queda de braço.

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