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Treta entre WhatsApp e Facebook era sobre como ganhar dinheiro

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images

Uma reportagem do "Wall Street Journal" desta terça-feira (5) relata a relação entre os executivos fundadores do WhatsApp, Jan Koum e Brian Acton, com seus superiores no Facebook, o executivo-chefe Mark Zuckerberg e a chefe de operações, Sheryl Sandberg. Em resumo: o WhatsApp não foi até agora um negócio lucrativo para o Facebook.

O WhatsApp foi comprado pelo Facebook em 2014 por US$ 16 bilhões, em uma das negociações mais altas da indústria de tecnologia. Mas como o app de mensagens tem na privacidade um de seus maiores trunfos, houve uma batalha interna para tentar implementar nele o modelo de negócios do Facebook: anúncios segmentados.

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Nesses quatro anos, Zuckerberg e Sandberg teriam, segundo a reportagem, tentado convencer Koum e Acton a aceitar esse modelo, mas para isso precisariam abrir mão, por exemplo, da criptografia ponta a ponta e aceitar a coleta de dados de usuários para em seguida oferecer anúncios personalizados de acordo com esses dados.

Com a constante recusa de Koum e Acton, eles foram pressionados a oferecer modelos de negócios alternativos para que o WhatsApp se tornasse enfim lucrativo. Eles não conseguiram chegar a esse modelo, e com isso "cada lado ficou frustrado com o outro", de acordo com as pessoas em ambos os lados ouvidos pela reportagem.

O final da história ficamos sabendo: Brian Acton deixou o Facebook (e o WhatsApp, por tabela) em setembro do ano passado, enquanto Jan Koum fez o mesmo em abril deste ano.

Apesar das saídas terem sido aparentemente amigáveis, o maior sinal de que não foi bem assim foi um tuíte de Acton logo após o escândalo da Cambridge Analytica vir à tona. O ex-dono do WhatsApp afirmou ter aderido à campanha #DeleteFacebook, iniciada nas redes sociais como reação ao caso.

Outro ponto de divergência ocorreu em 2016, quando o WhatsApp lançou uma política de privacidade na qual os usuários passaram a permitir o compartilhamento de alguns dados de sua conta -- como número de telefone e tempo que passam no aplicativo-- com o Facebook. 

Como outra aquisição do Facebook --o Instagram-- gradativamente passou a aceitar o modelo de publicidade direcionada, esse exemplo foi usado bastante internamente para pressionar o WhatsApp a fazer o mesmo, o que não aconteceu.

Em resposta à pressão, Koum e Acton propuseram idéias para gerar mais receita. Uma delas, conhecida como "mensagem de reengajamento", permitiria que os anunciantes contatassem somente usuários que já eram seus clientes. Nenhuma das propostas foi tão lucrativa quanto o modelo baseado em anúncios do Facebook.

O "Wall Street Journal" não confirma se ouviu diretamente Zuckerberg, Sandberg, Koum e Acton para confirmar as informações relatadas na reportagem. O UOL vai entrar em contato com Facebook e WhatsApp e incluir seus comentários em uma atualização desta notícia.

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