O que fazer com os aparelhos eletrônicos encostados na sua casa?

Marcelle Souza

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Getty Images

    Sabe aquela gaveta cheia de eletrônicos parados? É hora de esvaziá-la

    Sabe aquela gaveta cheia de eletrônicos parados? É hora de esvaziá-la

Certamente você tem pelo menos um celular, alguns carregadores e outros tantos produtos eletrônicos sem uso guardados em algum canto da casa. Se você faz parte desse time, saiba que não está sozinho.

Não é muito fácil se livrar desse tipo de lixo. Segundo relatório "Global E-Waste Monitor 2017", foram gerados 44,7 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2016 em todo o mundo. Desse montante, apenas 20%, ou 8,9 milhões de toneladas, foram reciclados. O estudo, divulgado no fim do ano passado, foi produzido pela UIT (órgão da ONU para telecomunicações), a universidade da ONU e a Associação Internacional de Resíduos Sólidos (ISWA, na sigla em inglês).

Só o Brasil gerou 1,5 milhão de toneladas de lixo eletrônico em 2016, de acordo com o levantamento.

O problema –aqui e em todo o mundo– é que poucos lugares têm políticas para lidar com esse volume de material, que é altamente tóxico e não pode ir parar em aterros sanitários comuns (destinados ao lixo doméstico).

"Se hoje todo mundo resolvesse dar a destinação correta ao lixo eletrônico no Brasil, nós [de toda a cadeia] certamente não teríamos capacidade para recebê-lo", diz Gabriela Otero, coordenadora do departamento técnico da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).

Reprodução/Sigma Live
Atenção: não misture lixo eletrônico com lixo comum ou reciclável
Lixo sem dono

Por aqui, a legislação indica um caminho para o consumidor: devolver o aparelho sem uso para o fabricante. Pelo menos é o que prevê a lei nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos no Brasil.

Segundo o artigo 33 da norma, empresas que fabricam produtos eletroeletrônicos e seus componentes estão entre as obrigadas a "estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos". 

Na prática, no entanto, ainda é difícil encontrar empresas que tenham ações desse tipo em funcionamento.

Em nota, a Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) disse que trabalha, ao lado do Governo Federal, em um acordo para regular e padronizar os procedimentos da logística reversa para o segmento. "O acordo setorial está em construção faz seis anos. O consenso é difícil porque envolve muita gente -- redes varejistas, fabricantes, representantes e a população -- e uma gama de resíduos, que vão desde o produto nacional até o 'made in China'", explica Otero. Ela acredita que o plano seja firmado até o final deste ano.

Enquanto isso, a Eletros "reforça que os aparelhos eletroeletrônicos não devem ser descartados junto com o lixo convencional. O consumidor que desejar se desfazer de um produto pode buscar programas de recolhimento das próprias fabricantes, ou buscar empresas especializadas em reciclagem na sua cidade", disse.

As marcas associadas à Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), por sua vez, criaram a Green Eletron, empresa responsável por coletar e dar a correta destinação ao lixo eletrônico. Em seu site, é possível consultar uma lista de pontos de coleta, distribuídos apenas no Estado de São Paulo.

Já pensou em usar seu celular velho para outras funções?
O que fazer?

Antes de procurar o destino adequado, é importante destacar que o lixo eletrônico não pode ser misturado ao comum ou ao reciclável. Isso porque, além de ser altamente tóxico para o meio ambiente, o contato com material orgânico e outros produtos pode fazer com que esses aparelhos liberem substâncias que colocam em risco a saúde dos trabalhadores do setor de limpeza e reciclagem.

Vale dizer ainda que destinar esses produtos para um ferro velho ou para empresas não credenciadas pode fazer com que seu lixo eletrônico acabe sendo desovado em pontos de descarte irregular pela cidade. O risco existe porque apenas uma parte do material facilmente retirado tem valor comercial imediato.

Dito isto, o primeiro passo é procurar a loja em que você comprou o produto, já que algumas redes fazem a ponte com os fabricantes e empresas especializadas nesse tipo de reciclagem.

Outra opção é entrar em contato com os canais do fabricante de atendimento ao consumidor e verificar se ele possui política de logística reversa

Uma terceira alternativa é solicitar à secretaria do meio ambiente do seu Estado ou município uma lista dos pontos de coleta de lixo eletrônico certificados pelos órgãos ambientais locais.

Em alguns lugares, há parcerias com shoppings e supermercados para a coleta de pilhas, carregadores e baterias.

No caso dos celulares, é cada vez mais comum reaproveitar aparelhos antigos para outras funções ou usá-los como para amortizar o preço pago na compra de um novo.

Já listamos 12 utilidades para seu celular que ficou guardado no gaveta, como câmera de segurança, gadget para monitoramento de saúde e fitness, vídeogames, controle remoto, câmera ou porta-retrato digital, relógio e despertador, tocador de música, GPS, monitor de bebês ou aparelho para entretenimento infantil, TV de bolso, livro digital ou até peso de porta. Reaproveitar é sempre o melhor caminho.

O primeiro passo para quem pretende vender o celular é garantir que o aparelho em questão esteja em condições de uso. Uma possibilidade é usar sites de vendas como OLX ou Mercado Livre para anunciar o celular. Outro jeito é utilizar sites especializados na compra e venda de aparelhos usados, como Trocafone ou o Recompra.

Alguns grandes varejistas, como as Casas Bahia, oferecem a modalidade de compra de celular usado, porém o valor pago se transforma em vale-compra para outros produtos da loja. Vale ressaltar que nem todos esses sites aceitam modelos variados de celular. A preferência costuma ser por aparelhos da Apple, da Samsung e da Motorola.

Outra opção é checar se a loja na qual você está comprando o aparelho aceita celulares antigos como parte do pagamento.

Se a ideia é simplesmente dar um destino a um celular antigo, mas sem qualquer preocupação em conseguir algum dinheiro com isso, há duas soluções possíveis: reciclar ou doar. 

Jefferson Coppola/Folhapress
O Cedir, da USP, faz a triagem e o encaminhamento dos eletrônicos

Coleta na USP

Para quem mora em São Paulo, um dos jeitos mais certeiros de resolver o problema é procurar o Cedir (Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática) da USP (Universidade de São Paulo), localizado na Cidade Universitária, zona oeste da cidade.

O projeto, que funciona desde 2009 na Escola Politécnica, recebe computadores, telefones e outros aparelhos sem uso das unidades da USP, mas também de pessoas de fora.

O local funciona basicamente como um centro de triagem, onde o lixo eletrônico pode ter três destinos diferentes.

A primeira opção é o reuso, quando peças em funcionamento são utilizadas no conserto de outros aparelhos.

Às vezes eu consigo utilizar um HD, uma memória de computador, por exemplo. Se, a partir daí, montamos um novo equipamento, podemos destiná-lo a organizações sem fins lucrativos ou escolas

André Rangel Souza, técnico de manutenção do Cedir

O segundo caminho é a reciclagem, destino de fios, metais ferrosos e não-ferrosos, alguns tipos de plástico e de borracha. Nessa etapa, o projeto encaminha o material para empresas especializadas nesse tipo de processamento.

A terceira alternativa é tentar devolver para o fabricante.

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