Testamos: Libreflix, a "Netflix brasileira e gratuita", tem ótima curadoria

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Reprodução

    Há ótimas produções no catálogo da plataforma brasileira

    Há ótimas produções no catálogo da plataforma brasileira

Não há dúvidas que a Netflix começou a revolucionar o mercado audiovisual ao adotar o modelo de streaming de mídia, em 2007. De lá para cá, a empresa cresceu ao ponto de estar presente em mais de 190 países. Há, porém, dois problemas: como é de se esperar, trata-se de um serviço pago e não há uma opção gratuita (ou que não envolva pirataria).

Mas, quem não quer ou não pode gastar, pode testar o Libreflix.

Trata-se de um serviço de streaming de filmes, curtas e documentários idealizado pelo estudante e hacktivista (como ele mesmo se define) Guilmour Rossi.

"O Libreflix surgiu pela necessidade de um canal que reunisse, de forma simples e amigável ao usuário comum, produções audiovisuais, que, no mínimo, pudessem ser transmitidas gratuitamente pela web sem ferir nenhum direito autoral", diz. "A ideia era construir algo para rodar num velho notebook que eu queria transformar em 'mediacenter', então fiz os primeiros esboços e um levantamento de obras que estavam livres para exibição na internet". 

O projeto se expandiu no ano seguinte e, em agosto de 2017, ficou online.

O Libreflix utiliza software livre e sua plataforma tem código aberto. Rossi é o mantenedor e, juntamente com ele, cinco pessoas cuidam da parte de programação, curadoria de conteúdo e planejamento. 

A plataforma não tem fins comerciais e é desenvolvida comunitariamente, por isso o custo de manutenção é baixo.

Mas Rossi estuda a possibilidade de uma "assinatura voluntária", para quem quiser pagar um pequeno valor para que o serviço evolua.

"Seria muito interessante poder ter um time, remunerado justamente, que pudesse dedicar todo o tempo para a expansão do projeto. Nesse sentido, a economia colaborativa é um dos melhores caminhos", diz. 

Atualmente, há cerca de 200 obras na plataforma. Para constarem no catálogo do serviço, porém, há algumas condições.

"Elas precisam ter licenças permissivas que as autorizem ser, no mínimo, transmitidas de graça pela internet. Outros pequenos critérios também são analisados, como a não existência de discurso de ódio e que o formato se encaixe próximo ao de um filme, seja documentário, de curta ou longa metragem e de ficção ou não".

Como é, na prática?

UOL Tecnologia testou o Libreflix e a experiência foi positiva. O primeiro ponto que chama a atenção é a organização dos títulos disponíveis na plataforma.

Além das categorias como "Docs", "Filmes", "Curtas", "Séries", entre outras, é possível escolher a obra por assunto, como "Música", "Ativismo", "Educação", entre outros.

Por se tratar de uma plataforma que exibe obras com direitos de exibição livres, é de se esperar que você não encontre nenhum blockbuster ou filme mais famoso.

Ainda assim, há ótimas produções, em especial na categoria documentários. Lá, é possível assistir obras como "Muito Além do Cidadão Kane", "Falcão: Meninos do Tráfico" e "Zeitgeist".

Na hora de reproduzir os filmes, tudo funciona bem. Cada obra tem descrição detalhada e a qualidade e reprodução é, no máximo, Full HD - isso depende, claro, da obra selecionada.

Não há opções de áudio ou configurações de legenda, no entanto.

Além de poder usar o Libreflix na tela do computador - neste caso, exibir na TV exigiria um cabo HDMI -- há um aplicativo para celulares Android.

"Pretendemos aprimorá-lo e também criar uma versão para iOS. A melhoria dos aplicativos para smartphones é muito importante, já que é o principal meio de acesso à internet das pessoas que queremos alcançar", diz Rossi.

Mesmo com a oferta restrita, vale a pena conhecer o serviço. Você pode se surpreender com algumas das obras disponíveis e, no final das contas, é grátis.

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