Como o WhatsApp pretende ganhar dinheiro sem mexer na criptografia

Fabiana Uchinaka

Do UOL, em Menlo Park (EUA)*

  • Justin Sullivan/Getty Images/AFP

    WhatsApp Business pode ser uma importante fonte de receita para a empresa

    WhatsApp Business pode ser uma importante fonte de receita para a empresa

Mesmo não sendo o principal aplicativo para troca de mensagens em muitas regiões, o WhatsApp já é usado por 1,5 bilhão de pessoas em 180 países. Claro, brasileiros e indianos são responsáveis pela maior fatia desse montante. Mas, para se ter uma ideia, são 2 bilhões de chamadas de vídeo feitas por dia no mundo.

E quanto mais o WhatsApp cresce, mais ele precisa mostrar como pretende ganhar dinheiro com toda essa popularidade, sem abrir mão de um dos seus maiores trunfos: a criptografia de ponta a ponta.

A resposta, segundo o chefe de comunicações do aplicativo, Carl Woog, está no WhatsApp Business.

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"Estamos totalmente comprometidos com a criptografia", fez questão de dizer ele durante a primeira conferência para jornalistas internacionais na sede do Facebook, no Vale do Silício.

A fala dele marca uma posição importante dentro da companhia de Mark Zuckerberg, que comprou o WhatsApp em 2014 por US$ 16 bilhões, em uma das negociações mais altas da indústria de tecnologia.

Segundo uma reportagem recente do "Wall Street Journal", existiu uma batalha interna entre os executivos fundadores do WhatsApp, Jan Koum e Brian Acton, e a cúpula do Facebook sobre como tornar o app um negócio lucrativo.

O Facebook pressionava pelo fim da criptografia para que o mensageiro passasse a coletar dados de usuários e oferecesse anúncios personalizados, modelo adotado pela rede social.

Pelo visto, acharam um caminho alternativo.

"Diferentemente das redes sociais, a natureza do WhatsApp é ser uma troca de mensagens privada, simples, confiável e segura. Essas são as nossas bases", afirmou Woog.

Para garantir essa característica, a empresa foca em três coisas: coletar o mínimo de dados possíveis dos usuários, não armazenar as mensagens -- elas passam pelo sistema, mas não são armazenadas -- e criptografar para que o sistema não saiba sobre o que as pessoas estão conversando.

"Há uma troca de aprendizados entre o WhatsApp e o Facebook e algumas vezes nós trabalhamos juntos, mas são produtos diferentes. Há um reconhecimento de que são duas formas distintas de conectar o mundo, e a nossa é por mensagens privadas. E está tudo bem, as pessoas têm o direito de escolher a forma que querem usar para se engajar", disse o chefe do WhatsApp.

Para explicar o potencial que o WhatsApp Business tem para gerar receita, ele citou um dado brasileiro. Por aqui, 80% dos usuários de pequenos empreendimentos dizem que usam o app para fechar negócios e interagir com os clientes. Então a plataforma está sendo pensada para atender isso-- oferecendo espaço para o horário de funcionamento, quais produtos tem em estoque, mensagens rápidas, respostas automáticas, análises de dados sobre as interações, etc.

"E agora estamos fazendo testes com empresas grandes também, por exemplo companhias aéreas, para envio de mensagens personalizadas. Outro dia, minha mala se perdeu na conexão entre Roma e Berlim, e eu pude resolver isso facilmente trocando algumas mensagens pelo WhatsApp", contou. Tudo indica que parte desses serviços corporativos será cobrada e/ou o WhatsApp receberá uma porcentagem por vendas realizadas e/ou veiculará anúncios na plataforma.

Outro uso importante para o modelo do WhatsApp Business será a divulgação de notícias, especialmente as verificadas.

"O jeito como estamos construindo-o hoje poderá ser usado para distribuir conteúdo jornalístico, e inclusive poderá ser usado em iniciativas como Comprova [pool de veículos de mídia comprometidos com a checagem de fatos, do qual o UOL faz parte]. Por enquanto ainda estamos em fase de testes, mas no futuro esperamos poder usá-lo assim", afirmou Woog. "Eu acho que o uso do WhatsApp para checagem de fatos vai se tornar muito, muito popular."

No México, o projeto Verificado usou com sucesso o WhatsApp para envio de informações verificadas durante a última eleição presidencial. "Funcionou muito bem. Eles construíram um engajamento enorme", avaliou ele. "Agora vamos usar nas eleições do Brasil."

O modelo do WhatsApp Business, portanto, deve ser adotado e ampliado em novas frentes. 

*a repórter viajou a convite do Facebook

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