UOL Testa: Celulares

Moto Z3 Play é para quem quer um celular quase premium, sem pagar tanto

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

A Motorola vem melhorando seus celulares intermediários a tal ponto que ficou difícil distingui-los dos premium. Isto tem os dois lados: eles ficam tecnicamente bem melhores a cada ano, mas também mais caros. Foi assim com o Moto G6 Plus, e agora com o Moto Z3 Play, que chegou com preço sugerido de R$ 2.299.

Testamos a versão mais simples, com 4 GB de memória RAM e 64 GB de armazenamento. Ele tem visual bacana, boas especificações (embora não perfeitas), tela caprichada e uns truques espertos.

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Design

Usei um com a bela cor índigo, um azul profundo quase preto. Como de praxe na linha, ele é bem fino, com só 6,7 mm de profundidade. Mas se você incluir um acessório Moto Snaps, pode ficar um pouco mais "gordinho". E talvez você precise de um Snap de bateria (falo disso mais abaixo).

O vidro da traseira é elegante, mas sensível a marcas de gordura --a menos que você use uma capinha. O sensor de digitais foi da frente para a lateral, o que foi um ponto bem-vindo. Mas a câmera traseira é protuberante demais e às vezes inclinará o celular na mesa, derrubando-o no chão. 

O tamanho dele é um pouco grande para o meu gosto (15,6 cm de altura, 7,6 cm de largura), por isso segurá-lo com uma mão só foi muito difícil. Mas com o tamanhão veio também uma senhora tela, o ponto forte deste aparelho.

Tela

Com seis polegadas, a boa resolução Full HD+ e iluminação Super Amoled, a tela do modelo faz jus ao "Play" do seu nome, tornando-o uma feliz escolha para quem curte ver vídeos no celular.

Há um recurso que valoriza ainda mais a tela: você pode trocar os três principais botões de navegação do Android por um único botão de gestos. E esse botão fica oculto, só reaparecendo quando você o puxa para cima com o dedo. Assim, o usuário ganha mais uns milímetros de tela. 

Com ele, o gesto de deslizar com o dedo para a esquerda é o "Voltar"; para a direita, mostra os apps abertos; no centro, volta para a tela principal. Usei bastante e me pareceu funcionar muito bem.

Desempenho

O Snapdragon 636 com até 1,8 GHz de velocidade, mais os 4 GB de RAM, servem principalmente para dar conta de quase todas as tarefas médias e pesadas, como jogos e gravação de vídeo. Por não trazer um processador de ponta, o celular pode ficar mais lento após o primeiro ano de uso.

Para quem gosta de testes de benchmark, ele obteve no 3D Mark 938 pontos; no AnTuTu, 110.969; e no Geekbench 4 1.309 pontos (núcleo único) e 4.868 pontos (multinúcleo). Números melhores que os do concorrente XperiaXA2 Ultra, por exemplo.

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Câmera

A câmera dupla de 12 MP + 5 MP vai te dar fotos com bom brilho (a abertura máxima é boa, de f/1.7) e fidelidade de cores. Mas alguns pontos da foto ficam meio escuros, mesmo ligando o recurso HDR (que equilibra o contraste). No escuro, a imagem granula mais. É um intermediário-premium com câmera de qualidade idem.

Márcio Padrão/UOL
Foto com a câmera traseira (sem HDR) do Moto Z3 Play

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Foto com a câmera traseira (com HDR) do Moto Z3 Play

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Foto com a câmera traseira (com HDR) do Moto Z3 Play

A câmera é dupla para segurar os efeitos de profundidade, como modo retrato seletivo (o desfoque pode ser editado depois do clique), troca de fundo e preto e branco seletivo. Deu para perceber que eles estão melhores do que nos Motorolas do ano passado.

Márcio Padrão/UOL
Foto com a câmera traseira (com HDR) do Moto Z3 Play aplicando efeito troca de fundo

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Foto com a câmera traseira (com HDR) do Moto Z3 Play aplicando modo retrato e preto e branco seletivo

Márcio Padrão/UOL
Foto com a câmera frontal do Moto Z3 Play

Outros recursos da câmera são filtros estilo Snapchat, acesso ao Google Lens para reconhecer objetos, um scanner de texto (que não funcionou em quase todas as tentativas) e o divertido "Cinemagraph", um tipo de GIF que você edita a parte do enquadramento que vai se mexer.

GIF feito no Cinemagraph do Moto Z3 Play - acredite, as pessoas atrás estavam se mexendo
GIF feito no Cinemagraph do Moto Z3 Play - acredite, as pessoas atrás estavam se mexendo
Imagem: Márcio Padrão/UOL

Bateria

Ponto forte nas gerações anteriores do Moto Z, a bateria infelizmente fraquejou. O primeiro Z Play alcançava dois dias de uso com facilidade e podia sobrar um pouco. O Z2 Play chegava com esforço aos mesmos dois dias.

Com só 3.000 mAh, o Z3 Play te dá um dia e meio sob uso leve (com muito tempo de standby), ou cerca de um dia e duas horas no moderado (internet, música e redes sociais em 20% do tempo fora da tomada). É ok, melhor que outros celulares médios ou de ponta, mas considerado o seu passado, houve sim essa perda. 

Ele vem com carregador rápido, mas talvez o usuário precise investir em um Snap de bateria extra (atualmente, por R$ 449), que sacrifica a "finura" do modelo. Ou comprar um carregador de outra marca, mais barato.

Que mais?

O Android 8.1 da Motorola ainda é bem limpo e flui bem. De extra, só o app Moto, que gerencia funcionalidades extras da marca.

Os clássicos gestos de abrir câmera (girar duas vezes o celular) e lanterna (sacudir duas vezes) também estão lá.

Traz ainda um assistente Moto Voz, que achei bem ruim: não entendia minha voz nem executou os comandos pedidos.

Há o reconhecimento facial nativo do Android 8 que funciona bem. É que nem no iPhone X: um cadeadinho mostra que a tela está sem senha, bastando deslizar com o dedo depois. Testei algumas vezes com uma foto grande do meu rosto e felizmente a tela não desbloqueou desse jeito.

O fone de ouvido é só ok: quase sem graves, como a maioria dos fones para celular. A notícia ruim: não tem a entrada de 3,5 mm para fone. Na caixa vem um adaptador para plugar via entrada USB 3.0. E o áudio do alto-falante também é só ok, embora estoure com volume alto.

Vale a pena?

No conjunto o Z3 Play é ótimo. Com preço sugerido de R$ 2.299 e já custando cerca de R$ 2.000 à vista, encara rivais como o Samsung Galaxy A8+ ou ao Sony Xperia XA2 Ultra --todos intermediário-premium com telonas e quase empatados em preço, com diferença de R$ 100 a R$ 200 entre eles, dependendo da loja. 

O Galaxy A8+ ganha um pouco na câmera e o Xperia XA2 Ultra, na bateria, enquanto o forte do Z3 Play é a tela (embora seja um empate técnico também com a do A8+). 

Há uma versão no mercado do Z3 Play com 128 GB e 6 GB de RAM, com preço sugerido de R$ 2.699. Mas na faixa de preço do modelo de 64 GB/4 GB, vale pagar um pouco mais mais por um top de linha da geração anterior, como o Moto Z2 Force (R$ 2.400), LG G6 (R$ 2.100) e o Galaxy S8 (R$ 2.640).

Ficha técnica: Motorola Moto Z3 Play

Tela: 6 polegadas Full HD+ (1.080 x 2.160 pixels)
Sistema operacional: Android 8.1
Processador: Snapdragon 636 (1,8 GHz)
Memória: 64 GB de armazenamento e 4 GB de RAM; ou 128 GB de armazenamento e 6 GB de RMA
Câmeras: 12 MP e 5 MP (principal) e 8 MP (frontal)
Dimensões e peso: 156,5 x 76,5 x 6,7 mm; e 155 g 
Bateria: 3.000 mAh
Pontos positivos: Bonito design, tela poderosa e grande, e um divertido modo de GIFs
Pontos negativos: grande e escorrega fácil; bateria deixou de ser o destaque; custo-benefício piorou
Preço: R$ 2.299 (com 64 GB/4 GB) e R$ 2.699 (128 GB/6 GB)

Arte/UOL

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