De olho na segurança

Afinal, qual a função do polêmico terceiro pino das tomadas?

Bruna Souza Cruz

Do UOL, em São Paulo

Já faz um bom tempo que o Brasil adotou a polêmica tomada de três pinos. A decisão foi feita há anos, mas até hoje causa indignação em muita gente. Há, inclusive, quem acredite que a mudança foi feita para seguir interesses políticos e econômicos. Independentemente do que esteve por trás da decisão, é preciso explicar uma coisa: o terceiro pino nas tomadas foi criado para dar mais segurança aos usuários e equipamentos.

Como ele funciona?

Primeiro, encontre algum aparelho, carregador ou eletrônico que tenha um plug de três pinos. Pegou? Agora, observe detalhadamente como ele é (se você não tiver um em mãos, veja a imagem acima).

Os dois pinos das extremidades funcionam para a condução normal da corrente de energia.

Já o pino do meio é o que torna tudo mais seguro. Ele é um pouquinho maior do que os demais e funciona para levar direto para a terra qualquer descarga elétrica fora do normal, desmagnetizando o aparelho conectado na tomada e evitando acidentes, como choques elétricos.

A questão é que o terceiro pino só protege corretamente se houve o aterramento -- que nada mais é do que o caminho até o solo da casa ou de um prédio pelo qual a eletricidade vai percorrer.

O aterramento é feito com barras de cobre enfiadas na terra, que canalizam de forma correta a energia excedente. Quando não há esse aterramento, os aparelhos conectados até funcionam, mas não existe essa camada de segurança.

"Após fazer o aterramento, o eletricista mede a qualidade usando um equipamento específico. Assim como uma caixa d'água, o aterramento deve passar por inspeção e manutenção periódicas", explica o doutor em engenharia elétrica Nivaldo Zafalon Junior.

José Roberto Soares, professor de engenharia elétrica da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que o padrão de tomadas adotado no Brasil trabalha com dois tipos de pinos. Um deles possui 4 mm e é ideal para aparelhos com corrente de até 10 A. O outro formato é um pouco maior, conta com 4,8 mm e serve para aparelhos que trabalham com correntes até 20 A.

Segundo Marcos Crivelaro, professor de engenharia da FIAP, as tomadas de três pinos são vantajosas por dois motivos: segurança para os usuários e segurança para os aparelhos elétricos, já que o risco de eles queimarem por problemas na rede elétrica é bem menor.

O terceiro pino consome mais energia?

Por se tratar de um pino de proteção, ele não tem qualquer influência na questão de "puxar" mais energia. Seu uso não vai interferir na conta de luz, ressalta o engenheiro Romulo Mota Volpato, professor do Inatel (Instituto Nacional de Telecomunicações).

Nele não circula qualquer corrente em condições normais do equipamento. Se circular corrente é por que o equipamento tem um curto circuito.

Posso quebrar o pino?

Muita gente quebra o terceiro pino dos conectores de alguns aparelhos para que eles funcionem em tomadas de diferentes formatos, mas a recomendação dos especialistas é: não faça isso

Silvio Szafir, professor de engenharia do Insper, ressalta que o risco de choque elétrico é um dos principais problemas decorrentes da quebra caso o equipamento sofra algum curto circuito.

Por que o Brasil adotou os três pinos?

A mudança para o relativamente novo padrão foi oficializada em 1998. Apesar disso, desde 1981 o país estudava adotar um formato único de tomadas.

"Existiam cerca de 12 tipos de plugues e oito tipos de tomadas. Fora a imensa quantidade de adaptadores", diz Soares.

Depois de várias discussões e estudos, o Brasil decidiu usar o modelo de três pinos. Pouco tempo depois, ficou decidido que as novas construções teriam obrigatoriamente que possuir o aterramento adaptado para as tomadas de três pinos.

Apesar do fator segurança ser real, alguns críticos condenam exatamente a imposição da mudança para todo o país.

Um dos argumentos é que muitas edificações brasileiras são antigas e não possuem o aterramento. Logo, o terceiro pino perde a sua função, destacou Marco Aurélio Sprovieri Rodrigues, presidente do SincoElétrico (Sindicato do Comércio Varejista de Material Elétrico e Aparelhos Eletrodomésticos no Estado de São Paulo).

"Ainda existem muitas edificações que não têm o aterramento. Por tanto, o terceiro pino ainda é um formato sem utilidade. A escolha é mais segura, mas não precisaria ter mudado o padrão. Apenas introduzir o terceiro pino como uma alternativa mais segura para aqueles que possuem o aterramento", afirma.

Atenção ao uso de muitos adaptadores

Por conta de toda a mudança, o uso de adaptadores de tomada se tornou muito comum, principalmente em residências mais antigas que possuem outros padrões. Mas é preciso ter muito cuidado ao utilizá-los. Jamais utilize vários deles ligados uns aos outros.

De acordo com os especialistas, existe o risco de sobrecarga na fiação que pode provocar até um incêndio.

Já que a decisão está tomada, o interessante seria trocar todas as tomadas para o novo padrão nas edificações que possuem o aterramento. 

E lembre-se sempre de recorrer a um especialista para fazer o serviço. 

Getty Images/iStockphoto/manopjk

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