Hackers vão tentar entrar em máquinas de votação em busca de vulnerabilidades nas eleições

Por Jim Finkle

LAS VEGAS (Reuters) - Hackers que participam neste fim de semana da convenção de hacking Def Con em Las Vegas terão a oportunidade de invadir máquinas de votação e bancos de dados eleitorais, com o objetivo de descobrir vulnerabilidades que poderiam ser usadas para influenciar resultados eleitorais.

Os organizadores da conferência de 25 anos decidiram estabelecer a primeira "vila de votação de hackers" para aumentar a conscientização sobre a ameaça de resultados eleitorais serem alterados por ciberpiratas.

Tais preocupações estão crescendo desde o fim do ano passado, quando surgiram notícias de que as principais agências de inteligência dos EUA descobriram que o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou a interceptação de emails do Partido Democrata para ajudar o republicano Donald Trump a vencer as eleições de 8 de novembro.

Essas preocupações aumentaram em junho, quando uma autoridade do Departamento de Defesa dos Estados Unidos disse ao Congresso que hackers russos miraram 21 sistemas eleitorais estaduais dos EUA na corrida presidencial de 2016 e um pequeno número foi violado, mas que não havia evidências de que algum voto tenha sido manipulado.

A Rússia negou consistentemente todas essas acusações.

"O gênio está fora da lâmpada", afirmou o fundador da Def Con, Jeff Moss, em uma entrevista. "A era de interferência na votação chegou em grande escala por meio de eletrônicos".

A vila de votação é uma das cerca de uma dúzia de áreas interativas nas quais os participantes podem estudar e praticar "hacking". Outras áreas incluem automóveis, criptologia, saúde, e redes sem fio.

O evento vai abrigar mais de 30 peças de equipamentos eleitorais, incluindo tipos de máquinas de votação e livros de votação digital que estão atualmente em uso.

"Nós vamos colocar as mãos nas máquinas. As pessoas vão desmontá-las", disse Moss.

A vila também promoverá simulações de treinamento onde uma "equipe azul" é encarregada de defender um banco de dados de registro eleitoral de uma "equipe vermelha" de hackers. Moss disse que espera que vários funcionários de votação municipais compareçam.

A vila realizará uma conferência de um dia inteiro sobre fraude eleitoral, com palestras de especialistas das áreas legal e de tecnologia, bem como ex-funcionários do governo.

O evento é aberto para as mais de 20 mil pessoas esperadas na convenção Def Con deste ano.

Jake Braun, um dos organizadores da vila, disse acreditar que as conversas e o trabalho prático convencerão os participantes de que os resultados das eleições não são imunes a fraudes.

"Houve muitas afirmações de que o nosso sistema eleitoral não pode sofrer um ataque cibernético. Isso é bobagem", disse Braun. "Apenas um tolo ou mentiroso tentaria afirmar que seu banco de dados ou máquina não podem ser invadidos".

(Reportagem de Jim Finkle)

((Tradução Redação São Paulo, +5511 5644 7719))

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