Walmart aposta em computação em nuvem para reduzir distância ante Amazon

Por Nandita Bose

SAN BRUNO/SUNNYVALE, Estados Unidos (Reuters) - Uma das melhores chances do Walmart alcançar a Amazon.com no comércio eletrônico são as seis fazendas gigantes de servidores da empresa, cada uma maior do que dez campos de futebol.

Essas instalações, que custaram milhões de dólares ao Walmart e levaram quase cinco anos para serem construídas, estão começando a se pagar. As vendas online do varejista têm tido um forte desempenho nos últimos três trimestres consecutivos, superando os níveis de crescimento da indústria.

Esse desempenho está sendo impulsionado por milhares de servidores próprios que permitem que a empresa processe um volume elevado de dados de clientes internamente.

A maioria dos varejistas aluga a capacidade de computação que precisam para armazenar e gerenciar essas informações. Mas a decisão do Walmart de construir sua própria infraestrutura mostra sua determinação em obter uma grande fatia das compras online, em parte, imitando o uso da Amazon da tecnologia de big data para impulsionar as vendas digitais.

O esforço está ajudando o Walmart a permanecer competitivo com a Amazon em preços e a controlar rigorosamente as principais atividades da companhia, como os estoques. E está permitindo que possa atingir compradores com ofertas mais personalizadas e serviços aprimorados, disseram dois altos executivos à Reuters em entrevistas nos campi da Walmart em San Bruno e Sunnyvale, na Califórnia.

"Isso fez uma grande diferença para a rapidez com que podemos expandir nossos negócios de comércio eletrônico", disse Tim Kimmet, diretor de operações na nuvem para o Walmart.

Ele disse que o Walmart, por exemplo, está usando dados em nuvem para estocar itens freqüentemente encomendados por clientes através de dispositivos de compra por voz, como o Google Home.

A rede está ajudando o varejista a melhorar suas operações nas lojas físicas também. Usando dados obtidos de milhões de transações, a empresa acelerou o processo pelo qual os clientes podem devolver compras online em suas lojas em 60 por cento. E o Walmart pode ajustar os preços em seus locais físicos quase que instantaneamente em regiões inteiras.

"Agora somos capazes de executar mudanças mais rápidas", disse à Reuters Jeremy King, diretor de tecnologia do Walmart. Ele acrescentou que o Walmart agora pode fazer mais de 170 mil alterações mensais em software que suportam seu site, em comparação com menos de 100 mudanças anteriormente.

O Walmart, o maior varejista física do mundo, detém uma participação de apenas 3,6 por cento no mercado de comércio eletrônico dos EUA, em comparação com os 43,5 por cento da Amazon, de acordo com a empresa de pesquisa digital eMarketer.

Ainda assim, o esforço em computação em nuvem da Walmart é significativo no momento em que o varejo dos EUA está passando por uma imensa ruptura e a tomada de decisões baseada em dados tornou-se mais importante do que nunca para entender como os compradores fazem compras.

A receita online do Walmart cresceu 50 por cento em relação ao ano anterior durante o terceiro trimestre, ajudando empresa a divulgar o crescimento trimestral mais forte desde 2009.

"A batalha entre o Walmart e a Amazon está ocorrendo em todas as frentes e a computação em nuvem é a última fronteira", disse Kerry Liu, diretor-executivo da Rubikloud Technologies, que oferece serviços de tecnologia de inteligência artificial aos varejistas.

A decisão do Walmart de construir uma rede que não depende de um único provedor de tecnologia de nuvem transformou sua capacidade de entender os consumidores, que agora se movem entre a loja, computadores, dispositivos móveis e aplicativos para fazer compras.

Kimmet, da Walmart, disse que a segurança foi outro grande fator por trás do esforço, permitindo que a companhia proteja melhor os dados do cliente. Essa preocupação com o sigilo se estende aos locais de suas seis "mega nuvens" ou fazendas gigantes de servidores e 75 "micro nuvens", cujos locais a empresa não divulga publicamente.

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