De olho na segurança

Trump proíbe compra da Qualcomm por empresa de Cingapura com medo da Huawei

Em Washington

  • Evan Vucci/AP Photo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu uma ordem nesta segunda-feira (12) que proíbe a Broadcom de comprar a Qualcomm, alegando questão de segurança nacional.

A Qualcomm rejeitou a oferta de aquisição feita pela Broadcom, sediada em Cingapura, avaliada em US$ 117 bilhões. A proposta está sendo avaliada pelo Comitê de Investimento Estrangeiro nos EUA, uma agência liderada pelo Departamento do Tesouro que analisa implicações para a segurança nacional geradas por aquisições de empresas norte-americanas por grupos estrangeiros.

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"A proposta de aquisição da Qualcomm pela compradora é proibida e qualquer fusão ou aquisição substancialmente equivalente está também proibida", afirma a ordem presidencial.

A ordem cita "evidência crível" que levou Trump a acreditar que a compra da Qualcomm pela Broadcom "poderia ser uma ação que ameaça desequilibrar a segurança nacional nos EUA".

Esta é a quinta vez que um presidente dos EUA impede uma transação entre empresas com base nas objeções levantadas pela agência e também a segunda operação bloqueada por Trump.

A indústria de semicondutores está desenvolvendo chips de tecnologia de quinta geração (5G), que permitirão velocidades maiores de transmissão de dados sem fio.

Uma fonte próxima da agência afirmou que se um acordo entre Qualcomm e Broadcom fosse concluído, os militares dos EUA teriam receio de que em 10 anos "haveria essencialmente uma empresa dominante nestas tecnologias e ela seria essencialmente a Huawei e as operadoras norte-americanas não teriam escolha. Elas teriam que comprar (equipamentos) Huawei."

Preocupação com a Huawei

Em fevereiro, seis chefes das principais agências de segurança dos EUA, incluindo aí CIA, FBI e NSA, disseram durante uma reunião do Comitê de Inteligência do Senado americano, que existe risco de espionagem em aparelhos fabricados pela empresa chinesa Huawei.

Temos preocupações profundas com os riscos de permitir que qualquer companhia ou entidade que tenha laços com governos estrangeiros que não compartilham nossos valores ganhe posições de poder em nossas redes de telecomunicações

Christopher Wray, diretor do FBI

"Isto permite a capacidade de exercer pressão ou controle sobre nossa infraestrutura de telecomunicações", continuou ele. "Traz a capacidade de modificar maliciosamente ou roubar informações. E traz a capacidade de conduzir espionagem sem detecção."

O histórico entre a Huawei e o governo americano é longo e conturbado, começando em 2003 com acusações da empresa Cisco sobre roubo de código para software de roteadores.

Em 2011, o Departamento de Defesa dos EUA comunicou o Congresso americano sobre uma conexão de risco entre a companhia e as forças militares da China, e um relatório da Câmara de Representantes de 2012 corroborou esta preocupação. Em 2013, o ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência) e NSA (Agência de Segurança Nacional) Michael Hayden declarou que "não é preciso nem dizer" que há uma relação íntima entre a Huawei e o governo chinês, que em teoria pode colocar usuários americanos em risco.

Durante a CES 2018, a maior feira de eletrônicos do mundo, o CEO da Huawei, Richard Yu, criticou o posicionamento do governo americano e o bloqueio de negócios que a empresa sofre:

"Ganhamos a confiança das operadoras chinesas, ganhamos a confiança de mercados emergentes [...] e também ganhamos a confiança de operadoras globais, do Japão e Europa", disse. "Servimos mais de 70 milhões de pessoas pelo mundo. Provamos nossa qualidade, provamos nossa proteção à privacidade e segurança."

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