Microsoft mira Amazon ao investir em pagamento automatizado para varejo

Por Jeffrey Dastin e Stephen Nellis

SAN FRANCISCO (Reuters) - A Microsoft está trabalhando numa tecnologia para eliminar caixas e filas no pagamento em lojas, desafiando a loja automatizada da Amazon.com, disseram seis pessoas familiarizadas com o assunto à Reuters.

A gigante de software está desenvolvendo sistemas que rastreiam o que os compradores adicionam aos carrinhos de compra, dizem as fontes. A Microsoft apresentou uma amostra da tecnologia para varejistas de todo o mundo e tem tido conversas com Walmart sobre uma potencial colaboração, disseram três das fontes.

A tecnologia visa a ajudar varejistas a acompanhar o ritmo da Amazon Go, loja altamente automatizada que abriu para o público em Seattle em janeiro. Os clientes da Amazon escaneiam seus smartphones numa catraca para ingressar na loja. Câmeras e sensores identificam o que eles removem das prateleiras. Quando os clientes terminam de fazer compras, eles simplesmente deixam a loja e a Amazon lança a conta no cartão de crédito registrado.

A Amazon Go, que em breve será aberta em Chicago e San Francisco, fez com que rivais busquem maneiras de se preparar para mais uma mudança liderada pela maior varejista online do mundo. Alguns testaram programas em que os clientes escaneiam e embalam cada item enquanto compram, com resultados mistos.

Para a Microsoft, tornar-se um aliado estratégico para os varejistas significa grandes negócios. Além de desenvolver tecnologias de varejo, a empresa ocupa o segundo lugar, atrás da Amazon, na venda de serviços em nuvem, essenciais para a operação de sites de comércio eletrônico, por exemplo.

Não está claro em quanto tempo a Microsoft levará um serviço de pagamento automatizado para o mercado, ou se sua tecnologia será a resposta que os varejistas estão procurando. Mas alguns vêem a tecnologia como a próxima grande inovação em compras, que os concorrentes da Amazon não podem ignorar.

"Este é o futuro para pagamentos em lojas de conveniências e mercearias", disse Gene Munster, chefe de pesquisa da Loup Ventures em Minneapolis, que estima que o mercado norte-americano de pagamento automatizado em 50 bilhões de dólares. O trabalho de caixa é um dos mais comuns Estados Unidos.

A Microsoft disse que "não comenta rumores ou especulações". Walmart e Amazon se recusaram a comentar.

EQUIPAMENTO CARO

O esforço da Microsoft até agora é liderado pela equipe de inteligência artificial, disse uma pessoa. Um grupo de 10 a 15 pessoas trabalhou em uma série de tecnologias para lojas de varejo, e apresentaram alguns de seus esforços para o presidente-executivo da empresa, Satya Nadella, disse a fonte.

Em reunião com a equipe meses atrás, Nadella recomendou um dispositivo que possa gerenciar dispositivos conectados, como câmeras de vigilância, com transferências mínimas de dados para a nuvem, o que reduziria os custos, disse a pessoa.

Tornar sua tecnologia barata o suficiente para não acabar com as já apertadas margens de lucro dos supermercados é um grande desafio para a Microsoft, disse outra pessoa.

A Microsoft já apresentou os fundamentos do seu sistema de checkout automatizado no seu centro em Redmond.

A equipe interna da Microsoft, incluindo um especialista em visão computacional contratado da Amazon Go, trabalhou na conexão de câmeras aos carrinhos de compras para rastrear os itens dos clientes. E estudou novas formas de os smartphones serem envolvidos na experiência de compra, disseram as pessoas.

Ainda assim, a indústria está tentando alcançar a Amazon.

A empresa passou quatro anos construindo a Amazon Go em segredo, antes de lançar um piloto apenas para funcionários em seu campus de Seattle em 2016. Ela coletou dados por mais quase 14 meses antes de abrir as portas de sua primeira loja em Seattle. A Amazon disse que não tem planos de introduzir a tecnologia de pagamento automatizado em sua cadeia de supermercados Whole Foods Market, que comprou no ano passado.

A empresa ainda está trabalhando duro para melhorar o serviço. O vice-presidente da Amazon, Dilip Kumar, disse à Reuters no início deste ano que está treinando computadores para identificar itens ou atividades com um mínimo de informação.

(Reportagem adicional de Salvador Rodriguez e Nandita Bose)

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