Dobre-se

Galaxy Fold, o celular dobrável da Samsung, dá início a uma nova era na telefonia

Gabriel Francisco Ribeiro e Fabiana Uchinaka Do UOL, em San Francisco (EUA)* e São Paulo

Sabe o Galaxy S10? Pois é, ninguém reparou.

Não adiantou a Samsung apresentar quatro modelos da linha S. Não adiantou trazer uma versão menor e mais barata, muito menos uma parrudona de tela gigantesca, 1 TB de armazenamento, cinco câmeras e tecnologia 5G.

Quando o seu novo modelo dobrável se abriu no palco do evento em San Francisco (EUA), colocou na sombra a até então estrela do dia.

Justin Sullivan/Getty Images/AFP Justin Sullivan/Getty Images/AFP

Fazia anos que a companhia sul-coreana prometia, com muita pompa e mistério, o smartphone que chegaria para revolucionar o mercado. Desde 2015, pelo menos, existem rumores sobre ele. Um protótipo meio esquisito chegou a ser anunciado no final do ano passado.

E eis que surge o Galaxy Fold, uma versão bem acabada do primeiro celular dobrável feito para ganhar o mercado.

Este não é o primeiro dobrável já feito, mas é um marco importante. Além de ser desenvolvido pela maior fabricante de smartphones do mundo, o que já garante um alcance infinitamente maior, ele chegou pronto. Poderia ser mais fino e leve? Poderia. Mas nem de longe parece uma coisa mal ajambrada, como era o FlexPai (veja abaixo).

O que temos de dobrável

  • FlexPai, da Royole

    Foi o primeiro modelo que começou a ser vendido, na China. É bem grosso e pesado, possui uma dobra feita em borracha dura e abre no sentido contrário ao de um livro. A tela chega a 7,8 polegadas e os dois lados funcionam de modo independente.

  • Protótipo da Xiaomi

    A Xiaomi mostrou um modelo bem bonito, que em vez de abrir no meio, tem três partes de telas infinitas que se dobram nas pontas. Se abertas, transformam o aparelho em tablet. Se dobradas para trás, fecham como se fosse uma capa.

  • Misterioso da Huawei

    A chinesa Huawei é uma das empresas mais promissoras na busca por um dobrável. A companhia marcou para o dia 24 de fevereiro, em Barcelona (Espanha), o lançamento de um possível aparelho assim. Mas não sabemos muito sobre ele.

  • Flip da Motorola

    Em um misto de nostalgia e modernidade, a Lenovo/Motorola quer reviver o Razr, flip queridinho dos anos 2000. O nome é a cota retrô, enquanto a tela dobrável seria a novidade. Os boatos são de que vem no primeiro semestre.

  • Telas flexíveis da LG

    As telas flexíveis Oled que aparecem nas TVs enroláveis da LG têm tudo para irem parar os celulares. A empresa teria planos de colocar uma segunda tela opcional, acoplada por meio de case na tela principal.

  • Rumores da Oppo

    A chinesa Oppo marcou um evento para o dia 23, no MWC (Mobile World Congress). Pode pintar um modelo dobrável, já que a empresa brincou no Twitter que os seguidores "ouviram os rumores".

  • E a Apple?

    A Apple não dá muita bandeira e parece estar atrás, mas uma reviravolta sempre é possível. Da mesma forma que aderiu às telonas, pode entrar na onda. Ela tem patentes do celular flexível, mas há poucos rumores sobre o modelo.

  • Android para dobrável

    O Google avisou que sua versão do sistema operacional Android para celulares dobráveis já está pronta. A empresa fabrica a linha Pixel de smartphones, mas não fala sobre um modelo com tela que se dobra.

Nova era

O celular dobrável representa, finalmente, uma ruptura no design dos smartphones --coisa que estamos esperando desde o primeiro iPhone. Sim, tudo isso.

E a novidade chega em boa hora para as companhias: as vendas de telefones, após sucessivos anos de alta, estacionaram nos últimos anos, o que afetou o lucro da Apple e da própria Samsung --a divisão de celulares da sul-coreana queda de 38% no lucro no trimestre passado.

Segundo dados da consultoria IDC (International Data Corporation), é cada vez menor a fatia de quem está comprando um aparelho pela primeira vez. As vendas de 2018 foram fracas, entre outras coisas, porque muita gente postergou a troca, dado o preço dos modelos e falta de novidades.

Pesquisa recente da analista de mercado Toni Sacconaghi, da empresa Bernstein, mostrou, por exemplo, que os donos de iPhones podem demorar pelo menos quatro anos ou mais para trocar de aparelho.

Então, aparelhos inovadores servem para inspirar esse grupo acomodado. A Samsung sai na frente.

O Galaxy Fold supera os céticos, que diziam que a inovação dos smartphones havia acabado. Estamos aqui para provar que estavam errados. Hoje marca um novo começo

DJ Koh

DJ Koh, presidente da divisão de dispositivos móveis da Samsung

Queremos telona

A grande vantagem do celular dobrável, que a Samsung demorou oito anos para tirar do papel, é a mistura do smartphone com o tablet. Então, o custo-benefício talvez valha para quem curte as duas experiências.

A tela interna é infinita, ou seja, deve ser ótima para vídeos. E ela não apenas se curva, ela dobra.

Dobrar é um movimento mais intuitivo e uma inovação mais difícil de entregar

Samsung

Para conseguir isso, a empresa criou uma nova camada de polímero e fez uma tela 50% mais fina --mesmo assim, vale dizer, o celular fechado parece grosso. O novo material é o que tornaria o Galaxy Fold flexível e resistente. Junto com uma dobradiça especial, ele abre e fecha suavemente, como um livro. O formato de livro, inclusive, é o que diferencia o dobrável da Samsung das outras marcas, que costumam fazer as dobras viradas para trás.

Agora, caso você não tenha notado, dá para ver pelas demonstrações que as telas só funcionam quando estão completamente retas. Isso quer dizer que você não consegue segurar o celular levemente aberto como segura um livro.

Arte UOL

Em detalhes

Tela principal: 7,3" QXGA+ Amoled Dinâmica (4,2:3)
Tela externa: 4,6" HD+ Super Amoled (21:9)
Câmera externa: 10 MP, F2.2
Câmera traseira tripla: Ultra-Wide de 16MP, F2.2; Grande-angular de 12MP e teleobjetiva de 12 MP, F1.5 / F2.4, Estabilizador Óptico de Imagem (OIS)
Zoom óptico: 12MP, F2.4, OIS PDAF
Câmera Frontal Dupla: 10 MP F2.2 e 8 MP (com profundidade RGB, F1.9)
Processador: Octa-core de 64 bits 7nm
Memória: 12 GB RAM (LPDDR4x), 512 GB (UFS3.0) sem espaço para cartão MicroSD
Bateria: 4.380mAh carregamento rápido compatível com fio e sem fio
Sistema Operacional: Android 9.0 (Pie)

Para quem gosta de câmeras, são seis para garantir uma boa foto: três ficam na parte de trás, duas na parte interna e uma na parte externa. Com isso, você terá imagens no formato ultra-wide, grande angular e de teleobjetiva.

A câmera frontal é dupla --há ainda uma outra frontal quando a tela está dobrada. Ou seja, o modo retrato (aquele de fundo desfocado) está garantido.

  • Curtiu?

    Ele começa a ser vendido nos EUA em 26 de abril, por US$ 1.980 (R$ 7.702 na conversão direta sem impostos). Comparando com o preço do Note 9, dá para estimar que vai passar dos R$ 10 mil no Brasil (ainda sem data). É o preço da inovação...

Gabriel Francisco Ribeiro/UOL Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Mas lembra do S?

Ninguém deu bola, mas vale terminar dizendo que a primeira linha de smartphones premium da Samsung ainda está na pista. E pode ser bem atrativa para a maioria de nós, pobres mortais. O 10º dispositivo surge em três versões, para todos os gostos.

As principais novidades são as câmeras turbinadas, o entalhe em forma de furo (que garante mais tela sem mexer no tamanho do corpo), o sensor de digital embutido na tela (ultrassônico) e a capacidade de carregar outros aparelhos por indução (basta aproximar do corpo de vidro).

  • Galaxy S10e: mais barato, vem com uma tela de 5,8 polegadas e sem curvas, duas câmeras traseiras e uma frontal (modo retrato via software). Não conta com o novo sensor de digitais, usa um botão lateral. Por US$ 749,99 (R$ 2.925 na conversão direta sem impostos).
     
  • Galaxy S10: versão padrão, com tela de 6,1 polegadas, câmera traseira tripla (uma principal wide, outra grande angular e uma teleobjetiva para zoom e retrato) e uma frontal. Por US$ 899,99 (R$ 3.510).
     
  • Galaxy S10+: versão parruda, com tela de 6,4 polegadas e 1 TB de armazenamento. Por ter câmera traseira tripla (como do S10) e câmera frontal dupla (modo retrato por lentes), conta com dois buraquinhos na tela. Por US$ 999,99 (R$ 3.900).
     
  • Galaxy S10 5G: é primeiro Galaxy com tecnologia 5G. Vem com tela gigantesca, de 6,7 polegadas, câmera com profundidade 3D e bateria grandona de 4.500 mAh. O corpo é igual ao do Note 9, só que com mais tela. Ou seja, temos a maior bateria e a maior tela de um aparelho da linha S.
  • Morreu, mas passa bem...

    Os novos Galaxy S10 começam a ser vendidos a partir de 8 de março nos EUA e devem chegar por aqui um mês depois. Com uma gama bem maior de preço, têm tudo para ganhar o bolso de grande parte dos consumidores brasileiros.

Arte UOL

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