Startup brasileira leva realidade aumentada para o chão de fábrica

Emiliano Agazzoni

Emiliano Agazzoni

  • Getty Images/iStockphoto

    ´Tecnologia da empresa GoEpik é uma espécie de Pokémon Go da indústria

    ´Tecnologia da empresa GoEpik é uma espécie de Pokémon Go da indústria

As startups e o avanço da tecnologia digital são frutos da popularização da internet nos anos 90. Com eles, chegaram muitas soluções que estão ao alcance de todos para mudar nossas vidas e nossos negócios.

Uma delas é a realidade aumentada - solução da qual escutamos falar há alguns anos e foi um sucesso com o lançamento do Pokémon Go. Mas o seu início remonta a 1955 na indústria cinematográfica, quando alguns diretores de cinema e artistas visuais combinavam elementos virtuais e efeitos especiais com a realidade humana que era filmada. Em resumo, a realidade aumentada é uma experiência de interação do mundo virtual com o mundo real

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Neste contexto aparecem diferentes startups com soluções que, por meio da realidade aumentada, ajudam a resolver problemas em diversos setores. Aqui, conto para vocês sobre a GoEpik, uma startup que atua no ramo da indústria com uma solução para reduzir custos e aumentar a produtividade. Peraí, como é que é? Reduzir custos e aumentar a produtividade com o uso da realidade aumentada?

Sim! Funciona mais ou menos assim: imagine que você é funcionário de uma indústria, trabalha no chão da fábrica e pega o celular como se estivesse jogando Pokemon Go. Aponta para uma máquina e, em vez de aparecer um zumbat ou magikarp (que são personagens do Pokemon), aparece uma imagem virtual que indica quais botões você deve apertar. Essa é apenas uma das funções da ferramenta.

Para que a plataforma funcione, os operadores precisam contar com smartphones ou tablets e, em alguns casos, com óculos de realidade aumentada, que os guiarão por dentro do chão de fábrica e permitirão que os processos sejam executados. Por exemplo, uma pane no sistema é encaminhada diretamente para o celular do colaborador responsável.

Usando inteligência artificial, a solução permite que o colaborador que recebeu a mensagem da pane vá até a máquina, aponte o celular para o equipamento e veja, por meio da realidade aumentada, os procedimentos que precisam ser feitos para aquela situação. Essa antecipação garante que a empresa gaste menos dinheiro com trocas e, ainda, que os seus processos não sejam interrompidos.

Dessa maneira, a solução da GoEpik consegue entregar dados em tempo real, coletando evidências de execução de processos, facilitando a tomada de decisão e sendo mais assertiva ao corrigir imprevistos. Funciona de forma intuitiva como um manual de instruções em tempo real.

A GoEpik foi inspirada em Lean Manufacturing e, por meio de tecnologias como a realidade aumentada, aprendizado de máquina, internet das coisas e visão computacional, a solução integra os setores de qualidade, manutenção, saúde, segurança e meio ambiente da indústria.

Grandes empresas estão investindo pesado em inovação, digitalização de processos e relacionamento com o mundo das startups. Busquei entender como esta tecnologia revoluciona as indústrias e perguntei como é usar essa tecnologia para Angelo Figaro, CIO da Renault-Nissan-Mitsubishi, ao que ele me respondeu:

"Com a ajuda da GoEpik fomos capazes de fazer experimentações em realidade virtual e realidade aumentada e aportar um alto valor ao negócio. Isto aconteceu não somente no Brasil, mas também em outras subsidiárias Renault no mundo, que hoje utilizam nossas soluções. Esta parceria foi fundamental para começarmos a trabalhar mais ativamente com startups, abrindo novas portas a cada dia, para trazermos novas oportunidades ao negócio através das tecnologias".

E você? Qual é sua opinião sobre essa tecnologia que já está impactando a indústria e também outros setores da economia brasileira?

Emiliano Agazzoni

Empresário, mentor e Head of Experience da Distrito no Brasil, Emiliano já operou e abriu 8 espaços de coworking nas cidades de São Paulo e Curitiba como Plug, Cubo e Distrito. A partir de 2013 foi um dos organizadores do Silicon Drinkabout São Paulo e, desde 2017, lidera a expansão da comunidade pelo Brasil e América Latina. Foi gerente de abertura da rede de hotelaria Che Lagarto, abrindo unidades no Brasil, Uruguai e Argentina. Foi professor e consultor de empresas em várias regiões da Argentina. Hoje também é representante no Brasil da TecnoSur, uma organização que fomenta a aproximação dos ecossistemas latino-americanos de startups. Convive semanalmente com mais de 600 empreendedores e 150 startups. Nesta coluna, Emiliano vai contar como as startups podem mudar sua vida e gerar impactos no seus negócios.

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