Após acidente com Uber, entenda as diferenças entre os carros autônomos

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • Tony Avelar - 13.mai.2015/AP

Carros autônomos são um sonho distante de filme para muitos de nós, mas eles estão por aí já faz algum tempo. Como toda nova tecnologia, o acesso a eles ainda é inicialmente bem restrito. Os custos para fabricar ou comprar um veículo desses é alto e ainda há muito a ser desenvolvido para que confiemos inteiramente até soltar o volante de vez.

Como um dos nossos repórteres atestou ao estar em um modelo desses, não apenas precisamos nos acostumar a isso, mas temos muito a percorrer. Nossas ruas estão preparadas? Como será multar um carro desses, ou culpá-lo em mortes fatais como a do Uber neste mês?

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Implicações morais à parte, podemos por ora entender como eles funcionam. A grosso modo, todos eles lidam com quatro ferramentas: inteligência artificial, câmeras, sensores e mapas. Durante o desenvolvimento, muitos testes são devidamente analisados e monitorados por olhos e ouvidos humanos.

Muitas das soluções atuais, embora confortáveis em se gabar de serem autônomas, não permitem o completo desligamento dos passageiros, pedindo algum tipo de reação humana para continuar automático. Afinal, prudência nunca é demais.

Por seu potencial de deixar o trânsito melhor, com menos veículos, o carro automático é um dos tesouros perseguidos por gigantes da tecnologia e da indústria automotiva. Veja o que as empresas andam aprontando.

Volvo
Volvo

Uber

Pivô de um acidente que resultou na morte de uma pessoa nos EUA nos últimos dias, a Uber é uma das empresas mais adiantadas nessa área.

Quando o carro está no modo de condução automática, um motorista treinado pela Uber fica no banco do motorista. O carro vem equipado com uma variedade de sensores, incluindo radares, scanners a laser e um módulo de câmeras de alta resolução em 360graus --que giram em alta velocidade no teto do carro-- para mapear detalhes do ambiente.

A Uber conta com um time de criadores de mapas que usam os dados coletados pelo veículo, que analisa os obstáculos, marcas de estrada ou sinal de trânsito pelo caminho. A análise vai retroalimentar atualizações de software para melhorar a autonomia do carro.

A ideia da Uber é colocar esse sistema em carros de montadoras por meio de parcerias. Pelo menos duas já ocorreram, com a Volvo e a Otto; esta última fabrica caminhões. Sim, a Uber sonha com caminhões autônomos também.
Reuters/Google/Divulgação
Reuters/Google/Divulgação

Google

Apesar dos primeiros testes da Google terem sido com adaptações de modelos de grandes montadoras, hoje a empresa usa um veículo próprio, menor, sem volante ou pedais.

O carro chega a 40 km/h e dispensa intervenção humana: todos os comandos são dados por um software, que recebe informações de sensores que eliminam pontos cegos e detectam objetos a uma distância maior que dois campos de futebol, em todas as direções. Assim como no Uber, um sistema de câmeras fica no teto do carro para capturar imagens dos arredores.

No interior, são dois bancos com cinto de segurança, um espaço para os passageiros colocarem seus pertences, botões para iniciar e parar a viagem e uma tela que mostrará a rota.

A dianteira do carro é concebida para oferecer mais segurança aos pedestres, com um material macio semelhante a uma espuma no lugar do tradicional amortecedor. Há também um para-brisas mais flexível, para reduzir lesões em caso de acidentes.

A subsidiária do Google, Waymo, está adiantada nisso e já realiza o primeiro teste público com passageiros de verdade em seus táxis autônomos em Phoenix, Arizona.

Apple

No ano passado, rumores diziam que a Apple estava interessada em carros autônomos. Uma pesquisa feita por cientistas da computação da Apple sobre como carros autônomos podem visualizar melhor ciclistas e pedestres usando menos sensores foi postada na internet.

Os cientistas propuseram uma nova abordagem de software chamada "VoxelNet" para ajudar os computadores a detectarem objetos tridimensionais.

Novas informações apontam que a companhia está deixando de fazer seu próprio veículo, e passaria a focar no desenvolvimento do sistema autônomo. A decisão está relacionada com a saída do líder do projeto, Steve Zadesky, da Apple. Dessa forma, a empresa deve fechar parcerias com montadoras.
Divulgação Intel
Divulgação Intel

Intel

A fabricante de processadores anunciou no início deste ano uma parceria com a NavInfo para desenvolver mapeamento e tecnologias para carros autônomos na China.

Segundo o anúncio, a solução combina visão de 360 graus (via câmeras), radar, mapeamento e localização de crowdsource (contribuição colaborativa), sensores, inteligência artificial e uma camada do software de segurança Responsible Sensitive Safety (RSS).

Primeiro, o veículo deve "ver" a estrada. O módulo de planejamento deve determinar o próximo melhor movimento. Primeiro, planeja uma trajetória que é semelhante à humana na assertividade e confortável para os passageiros. A camada de segurança RSS monitora continuamente a situação para "situações perigosas" definidas matematicamente e inicia uma resposta adequada se uma situação perigosa for causada por outro agente. Finalmente, a decisão deve ser traduzida em uma aplicação específica de direção, aceleração ou frenagem.
Mandel Ngan/AFP
Mandel Ngan/AFP

Samsung

Em 2017 a Coreia do Sul autorizou a Samsung a realizar testes com veículos que se dirigem sozinhos. O modelo em desenvolvimento combina aprendizado de máquina, sensores e módulos de computação controlados por inteligência artificial. Ele seria capaz de dirigir sozinho em condições adversas de clima, como tempestades.

Assim como na Apple, a ideia é exatamente fornecer equipamentos, algoritmos e tecnologias, em vez de trabalhar do zero na montagem de um automóvel. Um Hyundai equipado com câmeras e sensores serve de modelo para testes.

A Samsung mostrou sua visão na CES deste ano. Na apresentação de um vídeo, foram mostradas duas situações diferentes. Em uma delas, uma garota fala para seu relógio ?Bixby, venha me buscar?. A assistente da Samsung, então, dirige o carro autônomo futurístico até onde a garota está.
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Divulgação/Tesla
Divulgação/Tesla

Tesla

O sistema Tesla Autopilot guia o carro analisando dados do trânsito e de usando análise de imagens de câmeras presentes no veículo. Dessa forma, ele ajusta o carro à velocidade da via e segue um itinerário. É possível inclusive mudar de faixa em uma via, mas para isso, o motorista precisa fazer uma sinalização no volante. A Tesla avisa que o piloto automático foi feito para rodovias, não para ruas de cidade; e que o motorista deve permanecer no controle a todo momento.

São oito câmeras que oferecem visibilidade de 360 graus ao redor do carro num alcance de até 250 metros. Doze sensores ultra-sônicos atualizados dão apoio, permitindo a detecção de objetos. Um radar na frente com processamento aprimorado fornece dados adicionais, permitindo a visualização através da chuva forte, neblina, poeira e até mesmo do carro a frente.

Atualmente na versão 7.1, o sistema foi considerado "parcialmente culpado" em um acidente fatal em 2016. Um carro elétrico da Tesla bateu em um caminhão, matando o motorista do carro. Na época, o "excesso de confiança" do motorista no sistema permitiu um "relaxamento prolongado" que levou à colisão.
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