Por que algumas pessoas conseguem escutar este gif silencioso?

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    Você consegue ouvir o gif silencioso mais abaixo?

    Você consegue ouvir o gif silencioso mais abaixo?

Se em março de 2015 a internet se dividiu entre quem via um vestido dourado e branco e quem via azul e preto na mesma imagem, o debate da vez é entre quem ouve ou não sons na animação silenciosa de uma torre de alta tensão pulando corda.

Algumas pessoas afirmam escutar um som de batida quando a torre "pisa" no chão e a animação vibra. 

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O gif foi feito em 2008 pelo usuário @IamHappyToast como parte de um desafio do software Photoshop e circula pela internet desde então, gerando debates sobre uma espécie "ilusão de ótica para os ouvidos" de algumas pessoas. Confira ele abaixo: 

Na semana passada, a médica Lisa DeBruine, do Instituto de Neurociência e Psicologia da Universidade de Glasgow, na Escócia, reacendeu a discussão ao postar o gif com uma enquete, perguntando às pessoas se elas tinham alguma experiência auditiva ao ver o gif.

Até esta terça-feira, 158 mil pessoas haviam respondido à enquete - 69% delas disseram escutar um som de batida e 19% disseram não escutar nada.

"A resposta do meu filho de sete anos sobre a torre saltitante: 'Não escuto nada, mas meu corpo sente'", escreveu o usuário Jonathan Toolan.

Outro usuário que sofre de zumbidos no ouvido afirmou escutar "um som vibrante de batida, que restringe o tinido (no meu ouvido) no momento em que a câmera treme".

"A batida é causada quase totalmente pela tremida, e se você cortar as torres de alta tensão ainda conseguirá escutá-la", afirmou o criador do gif, @IamHappyToast.

Mas não há consenso científico sobre a causa desse fenômeno, segundo explica a própria Lisa DeBruine à BBC:

"Não sei por que algumas pessoas conseguem escutar (a batida) muito claramente enquanto outros apenas a sentem e há ainda aqueles que não sentem nem ouvem nada. Pessoas surdas ou com deficiência auditiva afirmaram terem experimentado as três sensações, bem como as pessoas portadoras de afantasia (condição neurológica que as impede de recriar imagens na mente)."

"Pensei que alguns dos cientistas visuais que eu sigo (no Twitter) conseguiriam me explicar o caso imediatamente, mas parece que há diversas explicações plausíveis e nenhum consenso claro", agrega a médica.

A troca de tuítes sobre o caso chamou a atenção de Chris Fassnidge, candidato ao doutorado de Psicologia na Universidade City, em Londres. Esse é justamente o seu campo de pesquisa.

Fassnidge sugeriu uma teoria para a experiência auditiva no gif: algo que seu laboratório chama de "ouvido visual".

Suspeito que o fenômeno do gif barulhento esteja relacionado à habilidade de algumas pessoas em ouvir objetos em movimento que não estejam fazendo som algum, o que pode ser uma forma sutil de sinestesia - quando um sentido desencadeia outro", explicou Fassnidge.

"Somos constantemente rodeados por movimentos que emitem sons, sejam passos de caminhada, barulhos do lábio durante a fala, uma bola batendo no chão do playground, o vidro se quebrando quando derrubamos um copo. Há algumas evidências de que essas associações sinestésicas sejam, até certo ponto, aprendidas na infância."

"Posso deduzir estar escutando passos de uma pessoa caminhando do outro lado da rua, quando na verdade esses sons existem só na minha mente. Esse pode ser um fenômeno comum, já que esses sons fazem sentido, mas justamente por essa razão pode ser que sequer nos demos conta de que temos essa habilidade incomum até que esse gif barulhento apareça em nossa tela."

Segundo ele, "diferenças individuais na forma como nosso cérebro está ligado" provavelmente determinam quem consegue escutar ou não gifs como esse.

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