Como o fundador da Amazon superou Bill Gates e virou o mais rico do mundo

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/The Verge

    Fundada por Jeff Bezos, a Amazon era uma livraria online nos anos 1990. Agora é uma das empresas de tecnologia mais importantes do mundo.

    Fundada por Jeff Bezos, a Amazon era uma livraria online nos anos 1990. Agora é uma das empresas de tecnologia mais importantes do mundo.

O fundador e chefão da Amazon, Jeff Bezos, é oficialmente o sujeito mais rico do mundo. Ele superou Bill Gates, cofundador da Microsoft, que liderou a lista dos ricaços da revista Forbes desde 2013.

A fortuna de Jeff Bezos é estimada em US$ 106 bilhões. Gates, o segundo colocado na lista da Forbes, tem US$ 100 bilhões. A diferença parece pequena, mas tende a aumentar: boa parte da fortuna estimada de Bezos vem das suas 78,9 milhões de ações da Amazon.

São tantos papéis que, em 08 de janeiro deste ano, quando a Amazon teve uma valorização de 1,4%, essa fortuna aumentou em US$ 1,4 bilhão em um dia.

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Mas como foi que ele chegou lá? Não foi "só" com as vendas online da Amazon. A empresa fundada por Bezos em 1994 é hoje parte de um mega império que investe em streaming, alimentação, inteligência artificial e computação na nuvem - setor em que compete de frente com a Microsoft.

Sua divisão de serviços web, a AWS, é responsável pelo armazenamento de dados em nuvem da Amazon e tem entre seus clientes Google, Apple e Netflix. A AWS faturou US$ 18 bilhões em 2017, valor inferior ao obtido pela Azure, da Microsoft (que fez US$ 27,4 bi) mas está crescendo num ritmo mais acelerado: 42% entre 2016 e 2017, contra 9% do Azure no mesmo período.

Os bons resultados dos negócios da Amazon se refletem no valor das ações da empresa, que é a terceira maior companhia de capital aberto dos EUA: o preço das ações da Amazon subiu 72% no último ano.

Isso sem contar a lista de aquisições bem-sucedidas de outras empresas. Entre as companhias adquiridas pela Amazon nos últimos anos inclui muitos nomes conhecidos, como Twitch (streaming de jogos), Goodreads (rede social de livros), IMDB (site sobre cinema) e a própria Alexa, responsável pela assistente virtual popular nos EUA (e que ainda não foi lançada no Brasil).

A mais curiosa (e cara) aquisição da Amazon nos últimos anos é a rede de supermercados Whole Foods, especializada em alimentos orgânicos e sem conservantes e outras adições artificiais. A compra do Whole Foods custou US$ 13,7 bilhões para a Amazon.

Em uma entrevista para a Forbes, Bezos deu alguns conselhos para quem quer começar seu próprio negócio:

"Não persiga o que já é quente. Se posicione e espere pela onda. Para isso, você precisa ser apaixonado pelo que faz. Missionários fazem produtos melhores. Mercenários querem vender a empresa e ficar ricos. E número dois, comece pelos clientes e trabalhe daí para trás"

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Em alguns anos, Bezos colocou US$ 1 bilhão do próprio bolso em sua companhia de foguetes, a Blue Origin

Portfólio diversificado

Os investimentos de Bezos não se limitam à Amazon e às empresas que compra. O empresário está sempre de olho nas novidades do Vale do Silício para poder colocar seu dinheirinho: Google, Airbnb, Uber, Twitter, Business Insider e Everfi são algumas das empresas das quais o cara tem participação.

Assim como o colega bilionário Elon Musk, Jeff Bezos tem uma companhia aeroespacial, a Blue Origin. Mas em vez de colonizar outros mundos, Bezos tem planos mais "modestos" e quer lançar voos turísticos para o espaço ainda em 2018.

Ele também investe em negócios mais, digamos, prosaicos, como a compra de propriedades. Segundo o Land Report, Jeff Bezos é o 25º maior proprietário de terras dos Estados Unidos, com mansões, fazendas, prédios e apartamentos na Califórnia, em Nova York, Washington e Texas.

Por fim, mas não menos importante, Bezos é dono da Nash Holdings, empresa que comprou o jornal The Washington Post em 2013 por US$ 250 milhões. Ao contrário do que se temia na época, o jornal continuou relevante, se sustenta sem o dinheiro da Amazon e nos cinco anos após a aquisição sua equipe de jornalistas foi ampliada em 140 pessoas.

"Nós crescemos para ter lucro ao invés de encolher para ter lucro", disse Bezos sobre a expansão do staff do Washington Post, em uma conferência sobre o futuro dos jornais realizada em Turin, na Itália, no ano passado.

Bill Gates está em outra

Claro, não dá para tirar o mérito de Jeff Bezos em se tornar o homem mais rico do mundo, mas é preciso reconhecer que ele teve uma ajuda de Bill Gates, o segundo nome da lista. Isso acontece porque o cofundador da Microsoft está mais interessado nas atividades de sua fundação filantrópica do que em ganhar ainda mais dinheiro.

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Na última década, Bill Gates investiu seu tempo (e dinheiro) em ações sociais na África e em outros países subdesenvolvidos.

Segundo uma análise da Bloomberg, Gates já doou para a fundação Bill & Melinda Gates cerca de US$ 2,9 bilhões em dinheiro e mais US$ 61,8 bilhões em ações da Microsoft, ficando com aproximadamente 103 milhões de ações.

Desde agosto de 2017, Bill Gates tem apenas 1,3% das ações da Microsoft. Ele já foi dono de 24% da empresa, mas anualmente o bilionário doa cerca de 80 milhões de ações para filantropia. Segundo a Bloomberg, se continuar nesse ritmo de doações, Gates não será mais acionista da empresa que fundou em 1975 já a partir de 2019. Com cada vez menos ações de sua própria empresa, ele ganha menos dinheiro a cada ano, o que facilitou a corrida de Jeff Bezos rumo ao posto de mais rico do mundo.

A Bill & Melinda Gates é uma ONG que conta com doações de Bill Gates, sua esposa Melinda Gates e de Warren Buffet (o terceiro homem mais rico do mundo) e tem sido a principal ocupação do empresário norte-americano nos últimos 10 anos.

Eles atuam em diversas áreas, como pesquisa para o tratamento de doenças e melhoria de condições de vida, higiene e saúde, alimentação e educação. A fundação atua principalmente em países da África, mas também está presente no sudeste asiático, na Índia e até no Brasil.

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