Carta vazou: funcionários pedem que Google deixe "negócios de guerra"

Do UOL, em São Paulo

  • Mark Lennihan/AP

    Funcionários do Google querem que empresa interrompa acordo com Pentágono

    Funcionários do Google querem que empresa interrompa acordo com Pentágono

Uma carta em que milhares de funcionários do Google pedem que a empresa deixa os "negócios de guerra" em que tem se envolvido nos últimos meses vazou na noite desta quarta-feira (4). O documento foi publicado pelos jornais New York Times e The Guardian.

A petição circula internamente na empresa de tecnologia exigindo que seu CEO, Sundar Pichai, interrompa o acordo com o Pentágono em que inteligência artificial auxiliada pelo Google pode ser usada para interpretar vídeo e aumentar a precisão de ataques de drones norte-americanos.

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Mais de 3.100 funcionários já assinaram a carta interna. O principal pedido é que o Google deixe os "negócios de guerra". Os trabalhadores pedem que a empresa interrompa a parceria com o Pentágono chamado Project Maven e anuncie uma política que impeça para sempre o envolvimento da companhia com "tecnologias de guerra".

Na petição, os funcionários chegam a citar o famoso mote do Google "Don't  be  evil" ("não seja malvado") para tentar sensibilizar os patrões. A carta ecoa insatisfações internas na empresa de tecnologia sobre o envolvimento da empresa com o projeto do governo norte-americano.

Project Maven

O Project Maven envolve uma vigilância de inteligência artificial personalizada que usa "imagens de movimento em grandes áreas" capturadas por drones do governo norte-americano para detectar veículos e outros objetos, rastrear seus movimentos e conseguir resultados para o Departamento de Defesa.

O Google afirma que o projeto é feito com propósitos "não ofensivos". A empresa ainda admitiu que "qualquer uso militar de aprendizado de máquina vai naturalmente levantar preocupações". Segundo a empresa, a tecnologia é usada para marcar imagens para revisões humanas e é planejada para "salvar vidas e pessoas de terem empregos altamente tediosos". Não é o suficiente para os funcionários. 

"Não podemos terceirizar as responsabilidades morais de nossas tecnologias. Os valores do Google deixam bem claro: cada um de nossos usuários confia em nós. Este contrato coloca a reputação do Google em risco e assume a direção contrária de nossos principais valores. Construir tecnologia para ajudar o governo norte-americano em vigilância militar – e resultados potencialmente letais – não é aceitável", diz a carta.

O documento interno lembra que Diane  Greene, uma das principais executivas do Google, assegurou os funcionários de que a tecnologia não vai "operar ou fazer drones voarem" e "não será usada para lançar armas". Para os funcionários do Google, contudo, a tecnologia irá ajudar os militares a desenvolverem essas tarefas.

"Requisitamos que 1) Cancelem este projeto imediatamente e 2) Escrevam, publiquem e reforcem uma política clara que diga que nem o Google nem seus empreiteiros construam algum dia tecnologia de guerra", exigem os funcionários.

Desde os seus primórdios, o Google sempre incentivou que funcionários deem palpites em questões envolvendo a companhia. Um porta-voz da empresa alega que a maioria das assinaturas da carta atual foi colhida antes que a empresa explicasse seu envolvimento no projeto do Pentágono aos funcionários.

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