Apenas metade do Brasil tem internet, e ela não é a ideal para ver Netflix

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

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Nosso país ainda usa internet a passos de tartaruga. Segundo os dados do livro "Banda Larga no Brasil: um estudo sobre a evolução do acesso e da qualidade das conexões à Internet", lançado nesta quinta-feira (28) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), apenas 51% dos domicílios tinham acesso à web até o ano de 2015.

Em 2013, esse percentual era de 43% --um crescimento de oito pontos percentuais em dois anos. A pesquisa abrangeu dados coletados pelo Simet, ferramenta criada pelo Nic.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR), entre os anos de 2013 a 2016. Mas algumas medidas, como a descrita acima, tiveram como ano final 2015.

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De 2015 para 2016, a proporção de domicílios com banda larga fixa ou móvel cresceu de 30,6 milhões (45,7%) para apenas 32,6 milhões (48,1%).

Tem mais: mesmo quem tem internet não está com conexões muito rápidas. Cerca de 94% das provedoras brasileiras de internet oferecem conexão de 1 Mbps (megabit por segundo) a 10 Mbps. E 89%, de 128 Kbps (kilobit por segundo) a 1 Mbps, o que sugere que a grande maioria da população consome internet nessas faixas de velocidade em suas casas.

Como arquivos geralmente são medidos em megabytes, é preferível dividir o valor da velocidade --descrita em megabit por segundo-- por oito. Assim você terá o valor real de download, pois um byte tem oito bits (um bit é a menor unidade de armazenamento de dados). Logo, 1 Mbps equivale a um download de dados de 0,12 MB (ou 120 kilobytes) por segundo.

Para se ter uma ideia, uma conexão de 1 Mbps é bem tranquila para a maioria dos usos: navegar em sites e redes sociais e enviar emails. Mas quando se trata de download e transmissão de vídeo (streaming), já complica. A Netflix, por exemplo, diz que 5 Mbps é a velocidade recomendada pela empresa para ver filmes em qualidade HD.

Apenas 2% das operadoras de internet no Brasil oferecem planos acima de 1 Gbps, a velocidade mais rápida da tabela. Mas uma quantidade considerável, 42%, oferece de 10 Mbps a 20 Mbps, uma velocidade mais confortável para o uso cotidiano.

Celular em alta

A pesquisa também aponta um crescimento do uso da internet móvel entre a população, principalmente a de menor poder aquisitivo. Na classe A do país, a banda larga fixa é usada em 89% das residências, enquanto a internet móvel (via modem ou chip 3G ou 4G) é usada em apenas 8% das casas.

Já as classes D e E a tendência se inverte: 34% das residências usam a internet fixa, e 49% a móvel. É possível que as classes mais baixas optem apenas por um tipo de conexão, e a maioria estaria optando por comprar internet para o celular, mais em conta. Afinal, segundo a pesquisa, 74% da banda larga móvel do país custa ao usuário R$ 10 a R$ 80 por mês. Na banda larga fixa, só 48% custa entre R$ 10 e R$ 60, e 41%, dos R$ 60 aos R$ 100.

É a mesma tendência vista na comparação entre áreas urbana e rural: se a primeira usa mais banda larga fixa, a segunda investe na móvel --talvez um reflexo da dificuldade das empresas de telecomunicações de ampliar a infraestrutura de cabos fora das capitais e grandes centros.

Em banda larga fixa, a região Sul é a campeã do ranking, presente em 71% das casas, seguida de Sudeste (68%), Centro-Oeste (58%), Nordeste (54%) e Norte (45%).

Já na móvel, os índices como um todo são bem distintos. A Norte lidera com 47%, seguida de Centro-Oeste (33%), Nordeste (30%), Sudeste (22%) e Sul (18%).

"Se, por um lado, as tecnologias 3G e 4G têm conseguido garantir que uma parte da população anteriormente excluída vença a barreira do acesso, por outro, levam a dinâmicas que podem favorecer a assimetria entre grupos conectados e aumentar as diferenças entre grupos sociais ao longo do tempo", diz o livro.

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