Inspirado pelo iPhone, mercado de aplicativos fatura alto e populariza venda de programas

Guilherme Tagiaroli
Do UOL, em São Paulo

Em abril de 2012, uma empresa composta por menos de vinte funcionários foi adquirida pelo Facebook por US$ 1 bilhão. O Instagram, um aplicativo móvel que aplica efeitos em imagens clicadas no smartphone, só passou a existir graças ao início de uma plataforma apresentada em 2008 que permitia que os usuários baixassem em um só local programas ou conteúdos. Chamada de App Store, a loja de aplicativos criada pela Apple fez (e ainda faz) novos milionários e ainda ajudou a popularizar a venda de software.

Criada em 2008, a App Store é uma plataforma mantida e controlada pela Apple. Só ficam disponíveis para os milhares de usuários de iPhones, iPods touch e iPads os programas que passam pelo seu crivo. Qualquer desenvolvedor (desde o que trabalha em grandes empresas como o "de garagem") pode incluir um aplicativo para venda. Do total arrecadado 70% vão para o programador e o restante fica com a Apple.

"O esquema da Apple de micropagamentos foi inovador para a época. As pessoas não tinham o hábito de comprar software e elas passaram a oferecer programas custando menos de US$10", disse Pedro Paulo, diretor de operações da Netfilter (desenvolvedora brasileira de aplicativos).

O mercado de aplicativos é visto com grande otimismo. Segundo a consultoria Gartner, o mercado de aplicativos movimentou cerca de US$ 15 bilhões em 2011 frente a US$ 5,2 bilhões em 2010. E a tendência é crescer ainda mais. Até 2014, a empresa prevê que serão baixados 185 bilhões de aplicativos. Em 2011, a estimativa é de que o ano fechou em 17,7 bilhões.

Aplicativo para iPhone

  • Reprodução

    Tela do jogo "Boliche Medieval", desenvolvido pela NetFilter; empresa tem mais de 40 aplicativos na loja de conteúdos da Apple

Era comum antes da loja que desenvolvedores vendessem programas em seus próprios sites que custavam por volta de US$ 10 e US$ 20. No entanto, a lógica da App Store fez com que os programadores cobrassem menos em troca de dividir os lucros e de ter seu aplicativo exposto para os 365 milhões de dispositivos móveis com o iOS, sistema móvel da Apple. O desenvolvedor perde no valor, mas ganha em volume.

"Como a própria Apple cuida da divulgação e hospedagem, não havia mais necessidade de cobrar US$ 15 por um programa, sendo que tudo é feito pela internet", afirmou Breno Masi, sócio fundador da Fingertips (desenvolvedora brasileira de aplicativos).

"Acho que as prateleiras com programas comuns em lojas vão sumir no próximo ano, pois não há justificativa em gastar dinheiro com uma caixa e logística, sendo que tudo pode ser feito pela internet." Para exemplificar a tese, Masi cita a própria Apple que cobra cerca de US$ 20 por uma nova versão do sistema operacional Mac para computadores .

Depois da App Store, outras lojas foram criadas como o Google Play (antigo Android Market) para o sistema Android e o Market Place para o Windows Phone.

"Frutos da App Store"

A possibilidade de qualquer um publicar um aplicativo na App Store fez com que muitas ideias de programas se tornassem "milionárias", em alguns casos até bilionárias. Além do Instagram, criado por Kevin Systrom e pelo brasileiro Mike Krieger, que foi comprado por US$ 1 bilhão pelo Facebook, a loja conta com diversos casos de sucesso de programadores independentes ou de companhias que "se fizeram" com a plataforma. E não são apenas os pagos que lucram.

A empresa  Evernote, que desenvolve um aplicativo gratuito para organização de mesmo nome, tem valor de mercado estimado de US$ 10 bilhões. A criadora do Angry Birds, a Rovio, passou a dar vida aos personagens do jogo após o sucesso na loja de aplicativos. A companhia passou a comercializar pássaros e porcos de pelúcia. A finlandesa Rovio está avaliada em US$ 10 bilhões.

No mercado independente, um dos casos mais famosos é do alemão Andreas Illiger. Ele criou um joguinho chamado Tiny Wings, que era vendido a US$ 0,99. O programa dele foi muito baixado na App Store – cerca de 6 milhões de vezes – e chegou até a ganhar o prêmio de aplicativo do ano de 2011. Só pelo programa, o desenvolvedor embolsou sozinho pelo menos US$ 4 milhões.

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    O alemão Andreas Illiger (foto) desenvolveu o jogo Tiny Wings; considerado o "novo Angry Birds", o jogo já foi baixado cerca de 6 milhões de vezes na loja de aplicativos virtual da Apple

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