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UOL Testa: Celulares

Queridinho dos brasileiros, Moto G4 ganha potência, mas aumenta de preço

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

Os fãs dos celulares Motorola sabem bem o que o nome "Moto G" significava para eles: um celular de ótimo custo-benefício, que entregava desempenho bem acima da média para a faixa dos aparelhos que custavam até R$ 1.000. Pois é, o "significava" no passado tem um motivo igualmente conhecido: a linha subiu de preço a cada atualização. E neste ano, os Moto G4 na versão "comum" e na Plus custam a partir de R$ 1.299 e R$ 1.499, respectivamente.

Antes de mais nada, é preciso levar em conta que a quarta geração do Moto G é bem diferente daquele simpático modelo de 2013 que se tornou o campeão de vendas da Motorola. Nesse meio tempo, a marca foi adquirida pela Lenovo e os chineses realizaram uma divisão de perfis em seu portfólio: os celulares "Moto" viraram uma linha premium, enquanto os "Vibe" são voltados a aparelhos de entrada ou intermediários.

O que isso causou no Moto G? Segundo a ideia da empresa, o público que comprou as primeiras versões da linha agora quer mais em termos de configurações e, para isso, estaria disposto a pagar um pouco mais. O resultado disso está aí: tanto o G4 quanto o Plus ultrapassaram bem a barreira dos R$ 1.000, mas justificaram o preço com seus incrementos mais recentes.

Pelos nossos testes, a teoria se confirma. Com desempenho praticamente idêntico, ambos possuem músculos suficientes para brigar com aparelhos que custam bem mais --às vezes até o dobro-- na concorrência. As diferenças entre o G4 simples e o Plus são sutis: o segundo traz câmera traseira melhor, mais memória interna, um carregador de bateria "turbo" na caixa e um sensor de digitais, enquanto o primeiro vem com TV digital de alta definição.

O usuário mais exigente vai querer esses mimos do Plus, enquanto o mais econômico não vai se importar em abrir mão deles e ficar com o G4. A Motorola não esqueceu do perfil de consumidor "das antigas" do Moto G; para ele, prometeu para agosto o Moto G4 Play --será a versão mais barata da linha, com preço inicial menor que R$ 1.000.

Irmãos quase gêmeos

Se colocados lado a lado, o Moto G4 e o G4 Plus passariam como quase clones. Com design reformulado, a linha perdeu a traseira curva e ganhou uma capa reta de plástico que simula textura de borracha, além de ficar curvo nas bordas. Na frente, a tela de 5,5 polegadas com resolução Full HD. A diferença nítida é o sensor de impressão digital no Plus, quadradinho e um pouquinho feio.

Durante o uso, os aparelhos têm uma performance melhor do que sua configuração dá a entender: a união do processador Snapdragon 617 octa-core e 2 GB de memória RAM com o Android 6.0 "quase puro" da Motorola demonstram uma fluidez bem acima da média para smartphones intermediários.

As transições são superrápidas, não houve travamento algum e games pesados rodam bem, apesar de esquentarem um pouco depois de quase uma hora de uso --o que é normal na maioria dos celulares. Uma experiência de uso bem próxima até de um Galaxy S7 ou um Xperia Z5, celulares muito mais caros que estes.

A tela de ambos é apenas ok. Não espere a explosão de cores de um Galaxy S7 ou a nitidez de um iPhone 6S. Em brilho médio, ela fica discretamente escura, legível o suficiente para situações normais de luz, mas sob sol forte a imagem já não fica tão boa. Pode ser que você precise apelar pro brilho máximo nesses casos.

A câmera frontal de 5 MP é ótima e tem uma boa angulação --até 85°, diz a Motorola--, abertura de 2,2 que permite mais luz e flash na própria tela. Já a câmera traseira marca uma das principais diferenças entre os modelos: no G4 são 13 MP, e no G4 Plus são 16 MP com dual-flash (mais potente que o simples) e foco a laser. No teste, a diferença na velocidade de ambas é real: o Plus é bem mais rápido entre cliques que o G4 por causa do foco a laser.

O modo profissional da câmera permite ao usuário que mexa mais com fotografia alterar o ISO, balanco do branco, contraste, velocidade e tipo de foco. E um app da Motorola permite que a câmera abra com um movimento de gestos ou que o flash se torne uma lanterna (ver vídeo acima). Tais gestos falham uma ou outra vez, mas pelo menos são interessantes e facilitam no uso constante.

Dito tudo isso, a qualidade final das fotos é ótima em situações normais de luz, com duas diferenças para o Plus, cuja foto recebeu um pouco mais de luz e ocupou mais megabytes de memória (5,4 contra 3,8). Só fez falta um opção para tirar fotos com menos resolução, para não pesarem tanto na memória. Veja a comparação abaixo:

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O Android dos seus sonhos

Para quem reclama das mudanças que as fabricantes fazem no sistema Android, podem ficar tranquilos: esse ponto forte da linha Moto G continua firme e forte. Não é um Android 6.0 puro porque a Motorola incluiu pouquíssimas alterações, que na verdade são muito boas.

Há a tela de notificações herdada da linha Moto X que ajuda a checar hora e atualizações dos apps sem precisar destravar a tela, o que ajuda a economizar um bocadinho de energia. Ela é toda preta, com a hora e notificações em branco, e é ativada quando você move o celular de alguma forma mais brusca, como quando levanta-o da mesa ou o tira do bolso.

Você consegue interagir com alguns apps por essa mesma tela. Por exemplo, arrastando o dedo da parte de baixo da tela em direção à notificação de e-mail, você abre o app do Gmail direto sem passar pela tela inicial --isso, claro, depois de colocar sua senha para abrir o Android. 

No espaço interno, o Plus tem a vantagem de vir com o dobro (32 GB) da memória do G4 (16 GB), mas ambos aceitam cartão microSD de até 128 GB. E a bateria também é idêntica: 3.000 mHA, que aguenta bem um dia inteiro de uso pesado, sobrando entre 5% e 10% para o dia seguinte. Mas o Plus vem com o carregador TurboPower que carrega do quase zero a 100% em pouco mais de uma hora.

Tem ainda o sensor de digitais, mas enquanto não há no Brasil boas opções para usá-lo como ferramenta de compra segura, ele serve mais para "tirar um barato" destravando a tela com o seu dedo.

Quem for fã da Motorola não vai se decepcionar com os novos Moto G4 --apenas, é claro, com o lamentável fato de que o preço aumentou bastante, mesmo levando em conta a mudança de perfil da linha. Quem não for fã poderá ter motivos para dar uma colher de chá. Mas, claro, há por aí outras boas opções em que se prestar atenção, como a linha A7 da Samsung --que começou bem cara mas já está na casa dos R$ 1.600 nos sites de compra; os Zenfone 2 da Asus (R$ 1.300); e o Lenovo Vibe K5, bem parecido com o Moto G4 mas bem mais barato.

Direto ao ponto: Motorola Moto G4 e G4 Plus

  • Tela: 5,5 polegadas, Full HD
  • Sistema Operacional: Android 6.0 Marshmallow
  • Processador: Octa-core Qualcomm Snapdragon 617
  • Memória: 16 GB (G4) e 32 GB (G4 Plus) com memória expansiva de até 128 GB
  • Câmeras: 16 MP (principal do G4 Plus), 13 MP (principal do G4) e 5 MP (frontal de ambos)
  • Dimensões e peso: 153 mm x 76,6 mm x 9,8 mm; e 157g
  • Preço sugerido: R$ 1.299 (G4) e R$ 1.499 (G4 Plus)
  • Pontos positivos: desempenho fluido com Android quase puro; ações por gestos; boas câmeras; sensor de digitais (no G4 Plus)
  • Pontos negativos: tela abaixo da média e preço um pouco acima da categoria

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