Há 10 anos, lançamento do primeiro iPhone iniciava revolução no mundo

Gabriel Francisco Ribeiro e Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • Kimberly White/Reuters

    Steve Jobs apresenta o iPhone 2G ao mundo em janeiro de 2007

    Steve Jobs apresenta o iPhone 2G ao mundo em janeiro de 2007

Se uma revolução tecnológica transformou nossas vidas de forma sensível, ela tem data: há 10 anos, no dia 9 de janeiro de 2007, Steve Jobs apresentava o primeiro iPhone produzido pela Apple. Se você hoje em dia não vive sem acessar redes sociais e WhatsApp em seu celular, a "culpa" recai sobre este dia.

De início, o lançamento do iPhone foi recebido até com certa estranheza. Muitos chamaram o dispositivo de um "celular com iPod". De fato, o produto era muito parecido com o iPod Touch, mas tinha um diferencial: a possibilidade de fazer ligações. A estranheza durou pouco. 

Recepção entre críticas e elogios

No lançamento do iPhone 2G, Steve Jobs fez suas tradicionais frases recheadas de exaltação à marca. "Um lançamento que vai reinventar o setor de telecomunicações". "De tempos em tempos, um produto revolucionário vem e muda tudo". As frases agora soam como previsões acertadas, mas nem todos na época acharam o produto tão maravilhoso.

Se por um lado as ações da Apple subiram 8% na fatídica data, a consultoria de análise Gartner chegou a emitir uma nota recomendando que empresas evitassem utilizar o iPhone. No ano seguinte, voltou atrás na declaração. Atualmente, você imagina alguma empresa sem algum tipo de ferramenta dos smartphones?

O primeiro modelo ainda era, realmente, um "iPod" com celular. Ele apresentava conectividade 2G, tela de 3,5 polegadas, memória RAM de 128 MB, armazenamento de 4 GB ou 8 GB e câmera traseira de 2 MP. A bateria, na rede Wi-Fi, durava apenas 6 horas. A grande novidade foi o dispositivo ser o primeiro celular com a ausência de teclado – nascia o touchscreen, regra em todos os celulares da atualidade.

A evolução

O primeiro modelo, 2G, demorou seis meses para chegar ao mercado, com preços a partir de US$ 499. Na época, a ansiedade era a mesma dos tempos atuais: fãs fizeram fila e acamparam dias antes da disponibilização do produto. Isso passou a ser uma constante nos lançamentos da companhia.

Uma coisa que se tornou fundamental para melhorar a experiência em um iPhone --e por tabela em todos os smartphones-- foi a criação de uma loja de aplicativos: a App Store, surgida em julho de 2008 na ocasião do segundo modelo, o iPhone 3G.

Ou seja, até então não havia Instagram, WhatsApp e jogos para o smartphone. Mas o sucesso foi imediato: foram 10 milhões de downloads na primeira semana da App Store, o que mostrava que a revolução móvel também se daria pelos aplicativos.

Seguindo os passos da Apple, no mesmo 2008 o Google lançava seu sistema operacional Android e sua loja de apps, a Android Market --que passou a se chamar Google Play em 2012. A ascensão do Android é até hoje uma pedra no sapato da Apple, pois o sistema aberto do Google é abrigado por celulares de diferentes marcas e preços.

Preço, aliás, sempre foi algo polêmico. Os US$ 499 cobrados no iPhone em 2007 eram altos demais em relação à concorrência, que cobrava até US$ 300 em média por seus modelos. Embora as companhias rivais já tenham modelos bem caros, essa sina perdura até hoje na Apple. Críticos afirmam que quase todos os recursos dos iPhones podem ser encontrados em celulares mais baratos na concorrência.

Depois do primeiro iPhone, vieram vários em sequência até os mais recentes, os modelos 7 e 7 Plus. A Apple organiza um evento por ano, muito aguardado pelos fãs, para apresentar os novos dispositivos. Contudo, os lançamentos causam cada vez menos o alvoroço protagonizado nos primeiros anos.

iPhone 7 Plus: apesar de caro e frágil, um ótimo celular

Por muito tempo a Apple realmente conseguiu se manter à frente dos competidores. Ao lançar o primeiro iPhone, Steve Jobs dizia que o aparelho estava cinco anos à frente de qualquer outro telefone. A distância, entretanto, foi caindo com o passar dos anos.

No lançamento do iPhone 4, por exemplo, a empresa iniciou mais uma mnirrevolução com novidades como o Facetime (chamadas em vídeo por meio da câmera frontal). Já o iPhone 5S apareceu com o sensor de digital que deixava de lado a necessidade de senhas no aparelho.

Ao longo dos anos, a linha Galaxy S da Samsung foi certamente o rival mais ferrenho. Quando o primeiro modelo surgiu em 2010, foi acusado pela Apple de copiar visual e recursos do iPhone. Aconteceu um processo de infração de patentes, que dura até hoje.

Em dezembro do ano passado, a Suprema Corte dos EUA reverteu uma decisão que forçava a Samsung a pagar US$ 399 milhões em danos por violar três patentes de design do iPhone.

O público de tecnologia se mantém dividido: enquanto os Applemaníacos creem que a Samsung foi desonesta ao copiar a Apple no início, os fãs da linha Galaxy afirmam que os aparelhos da empresa coreana atualmente são tão bons ou melhores que os iPhones, pois possuem entrada para cartão de memória extra e tela curva, entre outros recursos.

A estagnação

Enquanto foi pioneira no mercado, a Apple conseguiu manter a dianteira frente aos competidores. Mas os anos não fizeram bem à maçã. Atualmente, a empresa faz lançamentos cada vez mais "sem sal" e com poucas novidades. A revolução parece ter sido parada com a morte de Steve Jobs em 2011.

Hoje, por muitas vezes, é a Apple que tem que correr atrás. Os rivais têm celulares com telas enormes? Então o iPhone também terá. O público parece gostar de aparelhos de diferentes cores? Então o mesmo será feito para o iPhone. A inovação, aspecto tão característico da Apple, está cada vez mais rara. Houve até tentativa de emplacar novos produtos, como o Apple Watch, mas até aqui sem o mesmo sucesso do iPhone.

É bem verdade que o iPhone segue sendo um celular muito querido e com grande parcela do mercado de smartphones. Contudo, se quiser fazer o barulho que iniciou há 10 anos, talvez seja hora da empresa de Tim Cook retomar o sentimento de pioneirismo. É o que se espera para o novo iPhone que deve ser lançado no segundo semestre deste ano.

Veja a evolução dos iPhones 

Arte UOL

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