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De olho na segurança

Veja como proteger seu celular de roubos e o que fazer se ele for furtado

Paula Moura

Do UOL, em São Paulo

  • Think Stock

Uma das primeiras preocupações de quem quer curtir o Carnaval é proteger o seu celular. O número de roubos nas grandes cidades é alarmante, especialmente nesta época do ano.

Em São Paulo, por exemplo, cerca de 30% dos roubos e furtos registrados tiveram os aparelhos como alvo. Foram mais de 865 mil casos só no ano passado, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado. No Rio de Janeiro, foram 19.607 roubos de celular em 2016, segundo o Instituto de Segurança Pública. No site "Onde fui roubado", dá para ver onde os roubos costumam acontecer.

Com os smartphones cada vez mais caros, a perda pode ser bem dolorosa no bolso. Porém o maior problema do roubo de celulares não é o aparelho em si, mas seus dados, diz Rodrigo Filev, professor de Ciência da Computação do Centro Universitário FEI:

O melhor a fazer é ter algum mecanismo para apagar os dados [do celular roubado] para não sofrer danos pela revelação de informações confidenciais, financeiras e íntimas

Com as informações disponíveis em WhatsApp, Facebook, email e aplicativos bancários, os ladrões podem cometer crimes como o chamado "sequestro de dados", quando os criminosos pedem dinheiro pelas informações confidenciais e fotos íntimas, e a falsa identidade ou falsidade ideológica, quando uma pessoa se passa pela outra. Em outros casos, podem usar dados bancários e CPF para abrir contas e fazer compras no nome da pessoa que foi roubada.

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"A gente se vira para mexer numa nova versão do aplicativo, numa nova câmera, mas infelizmente ainda não temos essa cultura de uso seguro. Você tem que tirar um tempo para ficar fuçando nas opções de segurança do seu aparelho para ficar tranquilo", recomenda Rodrigo Nejm, diretor de educação da Safernet Brasil e pesquisador de comportamento, cidadania e segurança digital na Universidade Federal da Bahia.

Como se prevenir?

O primeiro passo, segundo Nejm, é fazer uma boa senha de bloqueio de tela. "Se não houver senhas de bloqueio fortes, por exemplo, os dados de redes sociais, e-mails e aplicativos que estiverem ativos ficam disponíveis mesmo off-line", alerta. 

"Não pode ser aquela tela em U que todo mundo tem, porque geralmente fica marcado onde o dedo passa", lembra. O ideal, neste caso, é evitar combinações mais simples como "U", "U" ao contrário, "V", "L" e "W", que são muito comuns.

Uma senha difícil de ser descoberta por hackers ou ladrões contém letras, números e caracteres especiais como *, @ e !, por exemplo. Tanto nas senhas conhecidas como PIN (de quatro números), quanto nas de seis dígitos (mais seguras), deve-se evitar sequências numéricas como "1, 2, 3 e 4", datas de aniversário ou outras datas óbvias que alguém possa ter acesso pelo Facebook, por exemplo.

O mesmo vale para senhas de email, redes sociais e do sistema operacional no celular. 

Vitor Serrano/Folhapress

Criptografia

O segundo passo é usar a opção de criptografar os dados tanto do celular quanto do cartão de memória. A tecnologia da criptografia está disponível na maioria dos aparelhos (Android, Iphone e Windows Phone). É necessário ir na opção "Configurações de segurança" e "Criptografar dispositivo" ou "Codificar dados".

A criptografia cria uma "supersenha" solicitada toda vez o aparelho for ligado para iniciar o sistema.

"Todos os dados do aparelho ficam com uma chave de segurança. Se acabar a bateria, a pessoa não consegue mais ligar o sistema", explica o especialista.

Geralmente quando roubam o celular, resetam o sistema. Se o aparelho estiver criptografado e sem a supersenha, o ladrão não consegue usá-lo e todas as informações estarão criptografadas

No entanto, são necessários alguns cuidados. O principal deles: memorize muito bem essa senha, pois sem ela você não conseguirá recuperar os dados do celular. Por garantia, tenha um backup dos dados também em algum armazenamento em nuvem --como o Icloud (Apple), o One Drive (Windows) e o Google Drive (Android).

Muitas vezes, esquecemos que o cartão de memória do celular pode guardar fotos íntimas e informações confidenciais. Por isso, também é recomendável criptografá-lo. Vale aqui o mesmo cuidado: se o usuário esquecer a senha, os dados nunca mais poderão ser recuperados.

Fui roubado, e agora?

Se o roubo acontece, é preciso trocar rapidamente a senha de ID do seu sistema --Apple, Android ou outro.

"É importante também que as pessoas troquem todas as senhas de contas de redes sociais, e-mail, etc", diz o educador do Safernet Brasil. 

Os celulares possuem a opção de configurar para destruir dados remotamente. "Basta entrar na sua conta ICloud, One Drive ou Google Drive e bloqueia o acesso daquele dispositivo à sua nuvem", diz Nejm.

Ao entrar na conta da nuvem, é possível ativar o modo "perdido". Entre na conta da nuvem e acione a localização do dispositivo (exemplo: "Buscar Iphone"). 

Mesmo se o GPS estiver desligado, ele é capaz de encontrar o aparelho pelo cruzamento da latitude da telefonia móvel. Mas, para uma localização mais específica, é necessário que GPS e a internet estejam ligados.

É possível bloquear o aparelho remotamente e resetá-lo para o padrão de fábrica remotamente, mesmo quando o modo localização remota não estiver ativo.

Ligue para a operadora ou procure uma delegacia

Depois, ligue para a sua operadora e peça o bloqueio da sua linha de telefone.

Em algumas delegacias, já é possível fazer o bloqueio do aparelho com o número da linha sem precisar do número IMEI (International Mobile Equipment Identity, que aparece na nota fiscal, na caixa ou no próprio aparelho quando digitamos o8/5 código *#06#).

O bloqueio pelo IMEI demora até 72 horas.

"O IMEI bloqueia todas as funções que dependem de uma operadora, e não bloqueia os dados propriamente. Portanto, se o IMEI for bloqueado o celular não serve mais para comunicação", diz Rodrigo Filev, da FEI.

Se bloqueia, por que ainda roubam celulares?

Os dados podem continuar a ser acessados offline e as peças do celular podem ser vendidas, por isso é importante checar, antes de comprar, se um celular de segunda mão teve o IMEI cancelado. Basta consultar no site Consulta IMEI.

Em fóruns da internet, há diversos comentários sobre a ação de assistências técnicas clandestinas, que usam programas para desbloquear o IMEI e substituí-lo por outro válido. 

Denúncias recentes na TV mostram que criminosos cobram R$ 100 para desbloquear o IMEI. Ao comprar e alterar o número do IMEI, comete-se o crime de receptação. A pena é de até oito anos de prisão.

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