Quem são os brasileiros que estão arrasando em MMA de robôs na China

Giselle Hishida

Colaboração para o UOL

  • Divulgação

    Da esquerda para direita: Renan, Filipi, Murilo e Expedito no estúdio do reality show

    Da esquerda para direita: Renan, Filipi, Murilo e Expedito no estúdio do reality show

Quatro jovens engenheiros e oito malas embarcaram no final de janeiro num avião rumo å China. Quem viu de longe, não imaginou que os brasileiros levavam ali 110 quilos de um robô que custou cerca de R$ 70 mil. 

Renan Martines (27), Murilo Marin (26), Filipe Balestra (25) e Expedito Barros (27) formam a equipe brasileira que representa o país em um campeonato internacional de luta de robôs na China. A competição, chamada Clash Bots, já está sendo gravada em formato reality show e vai ao ar na plataforma de vídeos iQiyi, uma espécie de Netflix chinesa da Baidu.

Não é qualquer programa. Os realities de robôs alcançam milhões de telespectadores, e só a iQiyi tem mais de 500 milhões de usuários ativos. O programa anterior do gênero, o King of Bots, lançou a moda em janeiro, atraiu grande atenção e popularizou o gênero, segundo reportagem recente da Quartz. Chegou a ficar em segundo lugar na audiência de programas de entretenimento em 52 cidades.

Além de disputar o prêmio com outros 35 robôs de sete países diferentes, a Ogrobots, criada em 2013 em Sorocaba (SP), está sendo filmada no dia-a-dia, já que o reality mostra os bastidores da competição.

Os quatro amigos dos tempos da Universidade Federal de Itajubá (MG) são os únicos sul-americanos e um dos favoritos.

Eles tiveram apenas 40 dias para projetar, fabricar e montar o robô Dark Wolf (ou Heilang, um monstro lendário chinês), que vem mostrando resultado --os avanços da equipe na competição são sigilosos, por enquanto.

Desenvolvemos todo o design, usando o que há de melhor no mundo para projetos deste tipo, além da nossa experiência de quase 10 anos de competição. Um projeto desse tamanho demanda ao menos 3 meses, em um ritmo normal, mas cumprimos a meta em 38 dias.

Renan Martines, fundador, capitão e piloto do time

Os custos do robô e das viagens dos participantes são pagos pela empresa chinesa, que também oferecerá prêmios em dinheiro aos primeiros colocados. O programa deve ser transmitido no final de março.

A Ogrobots já foi duas vezes segunda colocada no campeonato brasileiro e terceira colocada no mundial de luta de robôs em 2017. As três premiações foram conquistadas por dois robôs bem mais leves que o Dark Wolf, de 1,36 kg e 27,2 kg. Falta o título peso-pesado.

"Ser campeão da categoria peso-pesado em uma competição internacional é, sem dúvidas, o maior sonho de toda equipe de combate de robôs", diz o capitão.

Combate pesado e perigoso

A Clash Bots convidou apenas máquinas da categoria peso-pesado, entre 100 e 110 quilos, e o reality chinês segue as regras internacionais de combates de robôs. Ou seja, eles se digladiam em uma arena blindada (as peças arrancadas podem voar como projéteis) durante apenas um round de três minutos.

O vencedor é aquele que nocautear o adversário (deixá-lo sem condições de se movimentar por 10 segundos) ou por decisão dos juízes ao final da luta. Os robôs vencedores se classificam, mas também há etapas de repescagem.

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