Painel gigante de LED funciona como Lego e permite cinema até na chuva

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Rodrigo Lara/UOL

    As imagens dos telões estão cada vez melhores

    As imagens dos telões estão cada vez melhores

Você provavelmente já foi a um show de música ou evento de grande porte e se perguntou: afinal, como aquelas telas gigantescas que transmitem imagens - sejam elas filmagens ao vivo ou não - são montadas? E como elas continuam a funcionar, faça chuva ou faça sol?

O segredo disso é uma tecnologia que pega o que há de melhor da TV que você usa aí na sua sala e dos projetores das salas de cinema: os painéis de LED.

Eles podem ser montados em diversos tamanhos e formatos e são capazes de exibir imagens em ótima definição, permitindo que elas sejam vistas independentemente da situação climática e de iluminação.

Essa solução acabou substituindo, com vantagens, outras alternativas para a exibição de imagens em formatos maiores. "Nós já utilizamos o chamado video wall, que na verdade são TVs com bordas agrupadas. Depois passamos a usar projeção, porém ela depende de um ambiente sem interferência de luz para funcionar corretamente. O painel de LED não tem esse tipo de exigência, já que tem iluminação própria, o que torna mais versátil", afirma o executivo-chefe da Bravos, Thiago Pessoa.

A Bravos é uma empresa binacional, que produz esses painéis do tipo na China e os monta no Brasil, com sede na zona sul de São Paulo. Ela é a responsável por um projeto de exibição itinerante do filme "Nada a Perder", biografia do bispo evangélico Edir Macedo, além de já ter participado outros projetos do tipo, como a transmissão de jogos da Copa do Mundo de 2014 para comunidades do Xingu, na região norte do país.

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Como se fosse um Lego

Essa versatilidade apontada por Pessoa provém da própria natureza dos painéis de LED. Eles são capazes de emitir um brilho de até 9.000 nits (unidade utilizada para medir o brilho), valor bastante superior aos 2.000 nits de uma TV comum. Isso que garante que as imagens serão exibidas normalmente mesmo em ambientes muito iluminados. "Além disso, eles são resistentes à água, o que os torna perfeitos para serem instalados em locais abertos".

Essas características fazem com que essa tecnologia seja usada em várias circunstâncias. Um exemplo são telões de estádios de futebol, shows de música ou grandes eventos.

Divulgação
Projeto de cinema itinerante feito com painéis de LED

É provável que você esteja pensando neste momento sobre a dificuldade de se transportar uma tela, por exemplo, com mais de dez metros de altura, não é mesmo? Na verdade, é algo mais simples do que você imagina.

Esses painéis são compostos por placas menores e montados "como se fossem um Lego", nas palavras do próprio Pessoa:

As placas não têm bordas, o que é uma grande vantagem em relação ao video wall. A imagem fica contínua e, depois de montada, a sensação é que se trata de uma grande tela única. Isso abre diversas possibilidades de aplicações, em qualquer lugar e independentemente do clima

O painel não funciona da mesma maneira que uma TV de LED. "Ele é uma placa de circuito impresso gigante, com milhares de pontos de LED. Essa placa é ligada a uma unidade de processamento, que controla o funcionamento desses LEDs. Quando são montadas, essas unidades de processamento são ligadas a um computador que determina qual parte da imagem cada painel irá exibir", explica Pessoa.

Há dois tipos de tecnologia para esse tipo de painel. Na DIP, cada pixel do painel possui LEDs independentes nas cores vermelho, verde e azul, que formam as cores exibidas de acordo com a intensidade na qual são acionados. A SMD, por sua vez, é mais moderna e possui LEDs "três em um", sendo que dentro da mesma cápsula há filamentos para as cores vermelho, verde e azul. 

Independentemente da tecnologia usada, os painéis não são todos iguais. Isso acontece porque há modelos mais adequados para cada tipo de aplicação e distância de visualização.

"Esses painéis têm uma distância mínima para a visualização na resolução ideal. Há modelos variados, mas o que determina isso é o quanto cada pixel está próximo um do outro. Há casos de painéis de estádios em que os pixels ficam a cinco metros uns dos outros, o que significa que a distância mínima para que ele seja visto em sua resolução ideal é de 50 metros", aponta Pessoa.

Pessoa explica que não há exatamente um limite de tamanho para a montagem desses painéis. "Nós já montamos painéis de 500, 800 m², mas é normal ter painéis de 2 km² em grandes eventos".

O tempo de montagem também varia, mas no caso da exibição de filmes itinerante demora cerca de 40 minutos para deixar cada tela (de em média 4 metros de base) pronta.

Cinema em casa

Mas a tecnologia também pode ser aplicada a projetos menores.

"Quando se usa um projetor em uma sala de cinema doméstica, todas as luzes precisam estar apagadas. Isso não ocorre com os painéis de LED. Para uso doméstico, no entanto, os painéis precisam ser de altíssima definição", explica Pessoa.

É claro que o preço, neste caso, não é baixo: cada metro quadrado desse tipo de painel custa entre R$ 60 mil e R$ 80 mil, contra os cerca de R$ 10 mil para cada metro quadrado de painéis convencionais. Ou seja, uma instalação doméstica acaba saindo algo em torno de R$ 400 mil, sem contar o sistema de som do ambiente, uma vez que o painel só exibe as imagens. 

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