É possível que mais 200 apps tenham abusado de seus dados do Facebook

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • Saul Loeb/AFP

    Mark Zuckerberg, executivo-chefe do Facebook

    Mark Zuckerberg, executivo-chefe do Facebook

O alcance do problema do abuso de dados de 87 milhões de usuários do Facebook, descoberto em março, ganhou uma escala ainda mais perigosa nesta segunda (14). Segundo o próprio Facebook, cerca de 200 aplicativos que usam a plataforma Facebook foram suspensos na primeira fase da investigação da empresa.

Possivelmente esses apps realizaram algum tipo de operação indevida com coleta de dados de usuários em algum período, de forma similar à Cambridge Analytica, consultoria britânica que em 2013 e 2014 usou dados pessoais de participantes de um teste de personalidade no Facebook para aprimorar técnicas de marketing em campanhas políticas.

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Desde março, o Facebook vem investigando internamente todos os apps de empresas terceiras que tiveram acesso a grandes quantidades de informações da rede social antes dela ter alterado as políticas de privacidade em 2014.

Essa mudança deixou o acesso dos apps ao conteúdo de usuários do Facebook mais rígido. Mas no caso da Cambridge, a medida veio tarde demais.

A empresa já havia coletado determinados dados pessoais de 87 milhões de perfis de forma indevida, sem o consentimento delas. Amigos de amigos das pessoas que fizeram o teste de personalidade inicial em 2013 foram implicados e seus dados podem ter ajudado a eleger Donald Trump nos EUA ou o Reino Unido deixar a União Europeia.

Após o escrutínio público, a Cambridge fechou as portas dois meses após as denúncias, que saíram nos jornais "The New York Times", "The Guardian" e no canal de TV britânico "Channel 4".

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Em março, o executivo-chefe do Facebook, Mark Zuckerberg, deixou claro que, onde houvesse preocupações sobre aplicativos individuais, eles seriam auditados. Qualquer aplicativo que recusasse ou falhasse uma auditoria seria banido do Facebook.

O processo de investigação tem duas fases. Primeiro, está ocorrendo uma revisão abrangente para identificar todos os aplicativos que tiveram acesso a essa quantidade de dados do Facebook.

Em segundo lugar, em caso de suspeitas, a equipe do Facebook faz entrevistas, solicitações de informações com uma série de perguntas detalhadas sobre o aplicativo e os dados aos quais ele tem acesso, e auditorias que podem incluir até mesmo inspeções no local.

O Facebook informou que milhares de aplicativos já foram investigados, e destes, cerca de 200 foram suspensos para serem alvo de uma investigação minuciosa.

"Onde encontrarmos evidências de que esses ou outros aplicativos fizeram uso indevido de dados, proibiremos e notificaremos as pessoas por meio deste site", diz a empresa, apontando para o site que explica se você foi afetado pela Cambridge Analytica ou não. Ele também será usado para outros apps do tipo, pelo visto.

Como os dados de milhões de usuários do Facebook foram usados na campanha

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