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27/04/2010 - 07h00 / Atualizada 30/04/2010 - 13h51

Tela insensível ao toque e bateria cansada podem ser 'sintomas' do seu próximo celular

MICHELE MIRANDA | Para o UOL Tecnologia
  • Divulgação

Assim que um novo modelo de celular é lançado, a euforia em torno da novidade é tão grande que a compra pode se tornar uma frustração pouco tempo depois. Há quem não se adapte ao modelo ou se decepcione com as configurações. Também tem a tela touchscreen que se mostra insensível ao toque, a capacidade limitadíssima de armazenamento de dados e a bateria que insiste em terminar antes do dia, para citar alguns exemplos irritantes.

Por isso, o UOL Tecnologia preparou um guia com dicas sobre o que deve ser levado em consideração na hora de trocar o aparelho.

Apesar de muitos problemas serem específicos do modelo, uma sugestão para todos os casos é: teste o aparelho antes de comprar. As operadoras Claro, Oi, TIM e Vivo, além da Nextel, permitem que o cliente manuseie os celulares nas lojas e, em alguns casos, use seu próprio chip para ter ideia do funcionamento completo. Além disso, visite fóruns e comunidades em redes sociais para saber os prós e contras de cada aparelho. Vale também conversar com amigos que tenham o modelo em vista, para que eles deem uma opinião isenta sobre seu objeto de desejo.

Para o designer de produto Jorge Gomes, de uma fabricante de eletrodomésticos, a indústria de celulares costuma arriscar em seus lançamentos porque, se uma novidade não for um sucesso, não haverá tanto impacto. “Celulares são produtos de alta tecnologia, produzidos em massa e com ciclo de vida relativamente curto. Alguns produtos ousados são lançados tanto para testar sua aceitação no mercado, quanto para aliar a marca do fabricante a um status de inovador”, explica o especialista.

Confira abaixo as reclamações mais comuns de usuários e alguns modelos em que os problemas aparecem. As assessorias de imprensa de todas as fabricantes citadas na reportagem foram contatadas, mas somente a BlackBerry respondeu.

Tela insensível ao toque
A tela touchscreen trouxe a promessa de mais agilidade e praticidade ao manusear as funções do celular. A novidade começou com uma canetinha que ajudava a rolar e clicar nos ícones, mas com o iPhone o acessório foi abolido e substituído pelos dedos. O problema é que alguns modelos são pouco sensíveis ao toque, como o LG Cookie e Samsung Omnia.

“Me arrependi de comprar o LG Cookie. Comprei pela beleza e pela aparente tecnologia. Mas o touchscreen não é nada sensível. Tem que apertar com força ou ter unha comprida para funcionar”, reclama a advogada Mara Gomes.

Problema de software
Celulares como o iPhone (Apple), o N95 (Nokia) e o N97 (também Nokia) são exemplos de inovação tecnológica. A partir de seus lançamentos, o usuário ficou mais independente para fazer atualizações no aparelho, pois o download de software passou a ser disponibilizado na internet. O problema desses modelos é que suas primeiras versões “travavam” ou “resetavam”.

“Quando compro um celular, quero usar absolutamente todas as funções dele. Tenho o N95 e gosto muito, mas ele costuma travar em tarefas simples, como ao usar a câmera. Às vezes desligar e ligar o aparelho não adianta. É preciso retirar a bateria para que ele volte a funcionar”, contou ao UOL Tecnologia o editor de vídeo Felipe Hannickel. “Quando comprei o celular, ele tinha um bug na lista de contatos. Baixei um software disponibilizado pela Nokia, mas é difícil e eles não dão nenhuma assessoria. O usuário precisa ter conhecimento tecnológico para não fazer besteira. Precisei recorrer a sites para saber o que fazer.”

A Nokia afirmou ao UOL Tecnologia que o usuário pode ligar para o atendimento da Nokia (11 4003-2525) e pedir orientação sobre como agir para atualizar o software do aparelho.

Assim como Felipe recorreu à internet para tentar resolver o problema, são muitos os usuários que fazem o mesmo caminho para reclamar. Em uma comunidade do Orkut, o consumidor identificado como Diego conta o problema que enfrentou com seu aparelho. “Meu N95 estava funcionando normalmente, até que do nada ele liga e acende o backlight e as teclas do teclado da frente. Já o teclado numérico e o tocador ficam apagados. Depois a tela está preta e acesa e só desliga retirando a bateria. Já tentei o hard reset, mas não aparece nada.”

Pouca memória
A equação é simples. O Bluetooth permite a troca de dados entre aparelhos com essa mesma tecnologia. Se um consumidor compra um celular com Bluetooth, é bem provável que queira ter arquivos em seu aparelho. Logo, é necessário espaço para armazená-los. Ainda mais se o celular tem câmera, certo? Não no caso do Motorola i776, que vem com Bluetooth, mas possui 8 MB de memória interna.

Além disso, não é possível expandir a capacidade de armazenamento. "Comprei esse modelo, porque queria um aparelho que tivesse Bluetooth. Quando fui usar pela primeira vez percebi que não havia memória suficiente. Fui buscar um cartão para comprar e, para minha surpresa, descobri que não existe um compatível”, diz o jornalista Bruno Arraes.

Bateria fraca
Esse é um dos maiores problemas dos celulares modernos e algo impossível de ser testado antes da compra – a dica, aqui, é pesquisar na internet e perguntar aos amigos quanto dura a carga do aparelho. São tantas as funções e aplicativos, que a bateria não consegue atender à necessidade cada vez maior que os usuários têm de ficar conectados o tempo todo. Em alguns casos, é necessário levar o carregador de bateria para onde for.

“Todos os dias preciso recarregar a bateria do meu Nextel. O que a faz descarregar rapidamente é o maior tempo de uso do rádio, em vez do celular. Por isso tenho dois carregadores. Um fica sempre no trabalho e o outro dentro da mochila, que eu carrego para todo lado”, relata o analista de operações Alexandre Lago, dono de um Motorola i465.

Tradução
Os celulares chineses, como MP6 e MP7, vendidos no comércio informal, podem passar a ideia de um bom negócio. Apresentam várias funções, como MP3 player, TV, acesso à internet e jogos, por um preço bastante baixo. Mas, além da falta de garantia, o usuário precisa se adaptar a traduções de software que parecem ter sido feitas por um tradutor automático. Exemplos:

MP3 Player = Jogador de MP3
Ok = Está bem
Play a Song = Jogar uma música

Projetos
“Questões relativas à usabilidade do produto estão bastante ligadas ao seu design, mas limitações técnicas costumam impedir que a melhor solução seja implementada no produto”, explicou o designer de produto Jorge Gomes. "Alguns modelos são produzidos para parecer modernos, mas não são nada práticos e chegam a confundir os usuários.” Como exemplo dessas deficiências, o especialista cita os modelos Blackberry Pearl e Motorola Backflip.

"A solução de deslizar para o lado, do Motorola Backflip, é usada por diversos outros aparelhos. O problema não é a mudança de direção de abertura, mas a falta de indicação ao usuário de como deve proceder para exibir o teclado. Todo produto deveria ser intuitivo”, afirmou o especialista. Já o Blackberry Pearl, segundo ele, parece ser resultado do duelo limitação técnica X situação ideal. “Como oferecer um teclado completo num produto com 20 teclas? Eles usaram a ideia de duas letras por tecla, o que não é tão bom quanto um teclado completo, mas melhor que o teclado convencional de celulares."

Contatada pelo UOL Tecnologia, o escritório regional da BlackBerry respondeu à crítica. “A proposta da Research In Motion (RIM), fabricante dos smartphones BlackBerry, é oferecer uma solução adequada para cada um dos usuários. Pessoas diferentes gostam de coisas diferentes. Isso se aplica, também, ao teclado oferecido por cada aparelho do portfólio de smartphones BlackBerry. Combinado com um teclado numérico, as 20 teclas dos smartphones BlackBerry Pearl dispõem as letras no formato QWERTY [ou seja, no formato de um teclado de computador]”, diz o texto.

“Em vez de tentar adivinhar o que está sendo digitado com base em um dicionário restrito, a tecnologia SureType, que combina um layout de teclado a um software dinâmico, foi projetada para aprender o padrão de digitação e de palavras do usuário, para que ele possa se concentrar no conteúdo. Com teclas grandes e design que proporciona equilíbrio na mão, os smartphones da linha BlackBerry Pearl foram projetados para facilitar a digitação com um ou dois polegares”, continua a empresa.

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