Dicas de Tecnologia

Apps crescem em espaço ocupado, mas a memória do celular não; o que fazer?

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • iStock

Um problema comum nesses tempos que todo mundo passou a usar mais celulares que computadores: os aplicativos mais usados no mundo não param de "inchar" a memória do seu telefone. Mesmo o crescimento do espaço de armazenamento nos modelos mais recentes não tem sido suficiente para frear isso. Não tem muito jeito: é uma tendência que parece sem volta. E o que nos resta é tentar tomar medidas para amenizar essa fome dos apps por espaço (veja dicas mais abaixo neste texto).

Para quem vive irritado porque está com a memória cheia, essa informação vai te deixar com mais raiva. Os 10 aplicativos mais usados no sistema operacional iOS --para iPhones e iPads, portanto-- cresceram juntos mais de 1.000% em espaço ocupado no armazenamento do celular nos últimos quatro anos.

Os apps citados na pesquisa divulgada em junho pela consultoria Sensor Tower --Facebook, Uber, Gmail, Snapchat, Spotify, Messenger (do Facebook), Google Maps, YouTube, Instagram e Netflix-- ocupavam juntos 164 MB em maio de 2013. Esse espaço cresceu para cerca de 1,9 GB no mês passado.

Destes, o Snapchat foi o campeão de "engorda". subindo mais de 50 vezes em relação ao seu espaço há quatro anos, indo de 4 MB a 203 MB no período. Ele é seguido de Uber (22x), Gmail (20x), Messenger (15x), Facebook e YouTube (12x ambos), Netflix (11x), Google Maps (10x), Instagram (9x) e o "lanterna" Spotify, que cresceu "apenas" 6x.

Já o campeão de espaço ocupado, como era de se esperar, é o Facebook. A rede social mais usada foi dos 32 MB em 2013 para 388 MB em 2017. O Gmail é outro destaque recente, ao crescer de 41 MB em outubro do ano passado para 197 MB no mês seguinte --um aumento de quase 5x ou 380%-- após uma mudança de visual.

No entanto, o que é mais complexo é que esse fenômeno não acompanha o crescimento das memórias internas dos celulares. Em 2013, o iPhone do momento era o 5S, que começava em 16 GB de armazenamento. E ainda havia o iPhone 5C, com apenas 8 GB. Em 2017, o iPhone 7 com menos memória só dobrou a capacidade em relação a 2013: 32 GB. Há versões com até 256 GB, mas são muito mais caras.

Divulgação/SensorTower
Pesquisa da SensorTower mostra crescimento somado de 10 apps mais usados no iOS em quatro anos

Cresceram, mas ficaram melhores

Apesar da pesquisa só considerar os apps no sistema iOS, no Android não é muito diferente. Para se ter uma ideia, o app de instalação do Facebook para Android atualmente ocupa cerca de 80 MB. Já a instalação do mesmo app em 2014, segundo o site "APK Mirror" (que guarda pacotes de instalação antigos de apps), ocupava só 17,61 MB. E lembre-se que o app "cresce" após a instalação, guardando dados e arquivos de cache. 

Os novos recursos que os apps ganharam nesse meio tempo são um dos motivos para que fiquem mais pesados. Praticamente todos os apps da "família Facebook" ganharam a ferramenta de mensagens de foto e vídeo que duram só 24 horas, para enfraquecer o concorrente Snapchat. Por exemplo, os filtros de imagem que acompanham o rosto da pessoa exigem um processamento extra de imagem que certamente deixam o app mais pesado.

"As mudanças do mercado de apps estão relacionadas à maturidade das tecnologias. Isso estimula o surgimento de novas ideias e 'frameworks', softwares que provêm uma funcionalidade específica a ser usado por outro software, como serviços de geolocalização e envio de notificações. Tais ferramentas acabam por 'inchar' os apps", explica Alessandro Oliveira, gerente de desenvolvimento mobile da Studio Sol, responsável pelos apps Palco MP3, Letras.mus.br e Cifra Club.

Para ele, questões como "quanto de bateria meu app usa?" e "quanto de espaço ele ocupa?" acabaram ficando para segundo plano, mas estes assuntos "têm se tornado cada vez mais presentes na comunidade de desenvolvedores".

Outro motivo é a necessidade de otimizar o desempenho do app, fazendo-o rodar tarefas mais rapidamente. O redesenho do código e acréscimo de arquivos de sistema, em muitos casos, o deixa maior.

E o mais importante, há que se distinguir a memória de um aplicativo e o acúmulo de arquivos em cache e armazenamento de mídias, como áudios, fotos e vídeos, geradas dentro dele. O WhatsApp é famoso nesse sentido. Outros, como Spotify e Netflix, permitem guardar músicas e filmes offline.

Para Carlos Sampaio, chefe de informação do centro de pesquisa e inovação Cesar, é justamente a cultura de uso de mídia do usuário, que vai acumulando tudo sem querer ou se importar com isso, o principal vilão do espaço exagerado dos apps. "Eles têm como configuração padrão guardar todas as mídias, então isso vai consumindo armazenamento".

Ele acredita que reduzir o tamanho de um app passa pela definição do público alvo e pela regra de negócios do aplicativo. "O WhatsApp é superleve, mas o problema é que recebe mídia. Já o Facebook tem um bilhão de usuários, então tem que trabalhar pela média do público alvo. Não sei se faria sentido enxugar o tamanho do app para uma parcela de público que não seja significante para eles", especula.

O Facebook respondeu à reportagem dizendo que criou os apps Facebook Lite, em 2015, e Messenger Lite, em maio deste ano, como alternativas para quem tem celulares menos potentes e com memória no limite. "Por ser mais leve, com menos de 10 MB, essa versão é rápida de instalar e roda com mais facilidade nos dispositivos móveis", diz a nota.

Uma saída para o problema atual, na opinião de Sampaio, é o avanço da computação em nuvem, que permitirá tirar os apps do armazenamento local. "Já estão pensando até em games para streaming, com uma renderização pesada e resposta de controle que a placa de vídeo e CPU não teriam condições de realizar".

Além disso, um novo recurso do iOS 11 possibilitará apagar apps mantendo no telefone dados e metadados. Assim, o usuário poderá reinstalar o app e recuperar o status antigo sem perdas.

Divulgação/SensorTower
Pesquisa da SensorTower mostra crescimento individual de 10 apps mais usados no iOS em quatro anos

O que fazer, então?

Aqui tem algumas dicas básicas que devem ser seguidas a fogo e ferro se você quiser que a memória interna do celular tenha uma sobrevida. É possível que você já pratique algumas, mas é o que dá para fazer enquanto você não compra um celular com mais espaço.

  • Apague suas mídias: Fotos e vídeos enviados no WhatsApp ocupam bastante espaço, mas podem ser apagados. Para a versão iOS do app, um recurso recente de gerenciamento de mídias ajuda bastante; sabia como usar. Já para Android, a maneira mais eficaz é usando um computador; veja os passos. Também acesse as fotos e vídeos criados com a câmera do celular, delete o conteúdo inútil e guarde apenas o necessário.
  • Guarde conteúdo no cartão de memória ou no computador: Se você usa um celular Android, provavelmente ele terá slot para colocar um cartão de memória microSD, onde você pode, com a ajuda de um app gerenciador de arquivos (similar ao Windows Explorer), transferir o conteúdo para ele, desocupando assim a memória principal. Ou usar seu computador, de modo similar ao que ensinamos para o WhatsApp.
  • Delete apps em desuso: Parece mentira, mas muita gente não se lembra de apagar aplicativos que não estão usando mais. Dê uma boa olhada na gaveta de apps, veja quais estão ali parados sem uso há muito tempo e deinstale-os sem dó. No Android, vá em Configurações do celular > Aplicativos > escolha um app > Desinstalar. No iOS, toque e mantenha o aplicativo pressionado na tela principal e clique no "X" no canto do ícone.
  • Limpe o cache e use apps de limpeza: Esse procedimento é meio polêmico, pois alguns especialistas defendem que manter o cache faz parte do processo de eficiência de um app, pois ele ajuda a recuperar informações antigas mais rápido. Além disso, o cache apagado rapidamente será recriado com o uso. De qualquer forma, você pode experimentar e ver se funciona para você.
  • Use versões alternativas (e mais leves) do app: O Facebook e o Messenger são bastante pesados, mas a própria empresa disponibilizou versões "Lite" desses apps que ocupam menos memória e cumprem o básico --em compensação, deixam de incluir alguns recursos mais novos. Para outros casos, consulte a App Store ou Google Play para saber se existe algum que faz a mesma coisa que aquele app pesadão, mas ocupando menos espaço.
  • "Zere" seu celular: Segundo Carlos Sampaio, do Cesar, se a prática de eliminar cache estiver muito recorrente, talvez seja hora de tentar algo mais radical: restaurar o celular para o padrão de fábrica. O processo tem que ser feito com cuidado, pois ele vai deletar fotos, músicas, tokens de apps bancários e outros dados do usuário. Se estiver seguro e preparou seu backup, veja como proceder.

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