Cambridge ainda estaria com dados de usuários tirados do Facebook

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • AFP/PRU

    Alexander Nix, ex-CEO da Cambridge Analytica

    Alexander Nix, ex-CEO da Cambridge Analytica

Que não vai ser fácil para o Facebook sair do escândalo político em que se meteu, todos nós já sabíamos. Uma das tarefas da rede social é fazer uma auditoria para saber se os dados pessoais de 50 milhões de usuários continuam nas mãos da Cambridge Analytica.

Segundo o "Channel 4", a consultoria inglesa ainda detém esses dados mesmo após os fatos recentes. O canal de TV conseguiu visualizar os dados de 136 mil usuários que estão atualmente nas mãos de "uma fonte da Cambridge Analytica". Ou seja, esses dados ainda estão por aí à solta, longe dos domínios de Mark Zuckerberg.

VEJA TAMBÉM:

Esses "dados derivados do Facebook" seriam de moradores do Colorado (EUA) e foram originalmente usados no teste de personalidade da Cambridge Analytica de 2013, que deu início ao problema.

No começo de 2014, a Cambridge firmou um acordo com o pesquisador Aleksandr Kogan, criador do teste. Passou a pagar para que pessoas fizessem o teste e achou uma mina de ouro: o aplicativo gravava os resultados de cada quiz e ainda coletava dados da conta do Facebook envolvida. Pior: também coletava dados dos amigos das pessoas que participavam do teste.

Eventualmente, 320 mil pessoas foram pagas de US$ 2 a US$ 5 para fazer os testes com a sua conta do Facebook. Como dados de amigos eram coletados, a Cambridge Analytica acabou roubando dados de 50 milhões de usuários da rede social. A empresa disse ao Facebook em 2015 que os dados haviam sido deletados, mas a verdade parece ser bem diferente.

Não está claro quantas pessoas ou grupos ainda têm acesso ao conteúdo. De acordo com o "Channel 4", os dados de perfis foram "repassados via sistemas de e-mail genéricos e não corporativos". 

Entenda o caso

Em 2013, a consultoria britânica Cambridge Analytica supostamente usava dados pessoais coletados do Facebook para criar perfis psicológicos e gerar anúncios personalizados em campanhas políticas. O escândalo ganhou força após reportagens dos veículos "The New York Times", "The Guardian" e "Channel 4".

O fato provocou o movimento #DeleteFacebook, conclamando usuários a parar de usar a plataforma. As empresas do magnata Elon Musk, Tesla e SpaceX, saíram de lá, assim como a fundação Mozilla. O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, poderá testemunhar no Congresso dos EUA sobre isso, mas por ora, disse não ao Parlamento britânico

Big data eleitoral que elegeu Trump tenta se firmar no Brasil

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber as principais notícias do dia de graça pelo Facebook Messenger? Clique aqui e siga as instruções.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos