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Tela inquebrável: Moto Z2 Force e a liberdade de usar um celular sem medo

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

Se você é daqueles que se irrita tremendamente (e justamente) com a fragilidade da ampla maioria das telas de celulares na atualidade, saiba que há uma solução. O UOL Tecnologia testou o Moto Z2 Force, da Motorola, e sentiu na pele como é incrível usar um smartphone sem ter o conhecido medo constante de derrubá-lo no chão.

O aparelho é o top de linha da companhia (mas calma, não é tão caro) e conta com uma tecnologia que deixa a tela bem mais resistente do que basicamente todos os outros celulares disponíveis no Brasil hoje em dia. Só que, apesar disso, o smartphone não é perfeito e conta também com alguns defeitos incômodos.

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Tela realmente resistente

Durante as duas semanas em que testei o aparelho resolvi colocar à prova a tal tela resistente por não acreditar que isso realmente se provaria eficaz – apesar de que a Motorola já havia feito um bom trabalho no Moto Z Force original. Derrubei o smartphone de uma altura de cerca de 1,5 metro no asfalto, concreto, madeira, mármore, azulejo... Praticamente em qualquer superfície.

Na primeira vez que derrubei o celular (logo no asfalto), meu coração acelerou bastante. Era o famoso medo de ter estilhaçado a tela, como aconteceria com qualquer outro aparelho hoje em dia. Na terceira tentativa, já me sentia livre a derrubar o celular sem medo. A reação de amigos a quem dei o celular e falei para derrubarem no chão também era de incredulidade.

Essa resistência ocorre por causa da tecnologia Shattershield empregada pela Motorola. A última camada na tela do aparelho não é de vidro, mas sim de plástico – o que, é bom dizer, prejudica o touch do dispositivo.

A tela é forte, mas essa resistência não é perfeita também. Depois das várias quedas, o aparelho apresentou quebras em suas bordas e a tela ficou com muitos riscos (é, o Z2 Force não é "irriscável"). Mas antes algumas quebras laterais e riscos do que uma tela estilhaçada, né? Lembrando que modelos frágeis, como o Samsung Galaxy S8, têm conserto de tela de mais de R$ 1.000.

Motorola evolui nas câmeras, mas não o suficiente

A Motorola costuma pecar um pouco em suas câmeras, resultando em equipamentos não tão legais em modelos como o Moto G5 e outros. Não é muito o caso do Z2 Force: desta vez, a companhia entregou uma câmera muito boa.

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Câmera do Moto Z2 Force tem bom contraste de cores

A câmera principal do aparelho é dupla, com 12 MP em cada. Uma das funções dessa câmera dupla é fazer fotos monocromáticas – ou seja, em preto e branco. Achei um pouco desnecessário fazer uma função dedicada apenas a isso no smartphone, mas o resultado é bom e dá mais dramaticidade para fotos. Nada, contudo, que um simples efeito no Instagram ou outro app não resolvesse.

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Um dos recursos da câmera do Moto Z2 Force envolve fotos monocromáticas

Ao menos o dispositivo consegue captar imagens com um contraste de cores legal, ótima estabilização e também com uma boa qualidade. Mas é bom frisar que o modelo ainda está atrás de concorrentes tops de linha como o iPhone, o Galaxy S8, o Note 8 e do Sony Xperia XZ Premium.

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Detalhes da torcida da Inter de Limeira no Limeirão em foto tirada com o Moto Z2 Force

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Nesta foto tirada pelo Z2 Force, céu e horizonte ficam estourados

A mesma coisa ocorre no modo profundidade de campo e na gravação de vídeos – a Motorola segue atrás dos rivais nesse quesito. No profundidade de campo, ao menos é possível definir o quanto quer desfocar o fundo, mas a técnica não fica tão boa como no Note 8, iPhone 7 Plus e Zenfone 3 Zoom.

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Z2 Force tem modo profunidade de campo inferior ao de concorrentes

O dispositivo frontal também segue o padrão do principal: muito bom, mas atrás de concorrentes. O Z2 Force não deve decepcionar o usuário exigente, mas existem outros aparelhos melhores no mercado se o seu foco é câmera boa. Assim como outros modelos, a câmera do Z2 Force ainda conta com uma inteligência que mostra informações de pontos turísticos quando você aponta o celular para um local.

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Selfie com a câmera frontal do Z2 Force em ambiente com luz natural

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Selfie com o Moto Z2 Force em ambiente com luz artificial

Design não agrada

O ponto mais negativo do Z2 Force, de longe, é seu design. É claro que isso é muito abstrato e depende do gosto da pessoa, mas, para mim, o smartphone top de linha da Motorola é um aparelho bem feio. Sem criatividade, a companhia repetiu, em tempos de telas infinitas, o visual de quase todos os celulares da marca já lançados.

O jeitão quadradão de aparelhos da Motorola já não me agrada e isso ficou mais explícito no Z2 Force, que ainda tem bordas excessivas na tela. Outro ponto bastante negativo no design são as áreas deixadas para acoplar acessórios modulares da empresa, os Moto Snaps. A câmera principal na traseira também tem um relevo grande, algo que é cada vez mais evitado pelas marcas.

Reprodução
Moto Z2 Force é leve e fino

Nem mesmo o design do software dentro do dispositivo agrada – não é moderno como os aparelhos tops de linha da Samsung e da Apple. A usabilidade do celular ainda é prejudicada pelo sistema e pelo próprio tamanho do aparelho.

Ao menos a tela de 5,5 polegadas é excelente para ver vídeos no aparelho. Em ambiente com iluminação controlada, o celular conta com uma excelente qualidade no display. Mas tive problemas quando a luz solar na rua agiu diretamente sobre o modelo – sequer consegui ver o número de quem estava me ligando.

Desempenho espetacular e bateria de chorar

Celular top de linha, o Z2 Force conta com um desempenho espetacular. Ele vem com o melhor processador do mercado disponível para Android, o Snapdragon 835, e com 6 GB de RAM. Tudo gerará para você um desempenho tranquilo e favorável para tudo – desde redes sociais a jogos pesados. O celular no máximo irá esquentar um pouco, o que aconteceu algumas vezes em meu uso.

No teste de benchmark com o app Geekbench 4, o Z2 Force obteve 5.817 pontos quando considerados todos os seus núcleos e 1.854 quando considerado cada um individualmente. É um número similar ao modelo Zenfone 4, mas atrás de aparelhos como o iPhone 7 e 8, Galaxy S8 e Xperia XZ Premium.

Só não espere muito da bateria: este foi o celular com uma das piores autonomias que já testei. Em alguns dias, precisei carregar o aparelho mais de uma vez. Ele só não leva nota pior nesse quesito porque há uma versão com um acessório modular que dá uma energia extra à bateria de 2.730 mAh. Esse acessório, contudo, deixa o aparelho menos leve e fino, duas das melhores características do Z2 Force.

Vale a pena?

Como deu para perceber, o Z2 Force é um celular com vários pontos positivos e negativos. O grande ponto positivo e chamariz para o smartphone é, com certeza, a resistência da tela contra quebras. O desempenho também vai muito bem, obrigado.

Mas é bom dizer que o smartphone não tem um design legal, conta com uma bateria sofrível e uma câmera que não está à altura de rivais tops de linha, apesar de ser muito boa. Tudo isso deve ser colocado na balança.

No fim das contas, o Z2 Force é o celular top de linha com mais defeitos que testei neste ano. Mas é bom dizer também que ele é bom e é o mais barato – custando cerca de R$ 2.200 atualmente dependendo da forma de pagamento, já pode ser considerado mais na faixa de preço dos intermediários.

Se você quer um celular resistente e com um desempenho excelente, vai fundo que o modelo da Motorola vai te agradar.

Direto ao ponto: Moto Z2 Force

Tela: 5,5 polegadas
Sistema Operacional: Android 7.1
Processador: Sanpdragon Qualcomm 835
Memória: 6 GB de RAM e 64 GB de armazenamento (expansível)
Câmeras: 12 MP (dupla principal) e 5 MP (frontal)
Dimensões e peso: 155.8 x 76 x 6.1 mm e 143 gramas
Bateria: 2.730  mAh
Pontos positivos: tela resistente, ótimo desempenho e bom custo-benefício
Pontos negativos: bateria ruim e design feio
Preço: a partir de R$ 2.199

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