Vale a pena contratar um seguro de celular?

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images/iStockphoto

Enquanto temos 241 milhões de celulares ativos no Brasil atualmente - dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) - há pelo menos 8,8 milhões de aparelhos perdidos ou roubados. A escalada dos roubos e o crescimento dos preços dos aparelhos são dois fatores chave que levam muita gente a cogitar um seguro para seus celulares. 

O Cemi (Cadastro de Estações Móveis Impedidas), levantado pelo Sinditelebrasil (Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia) - guarda o total de aparelhos que foram roubados ou extraviados e por isso tiveram seu número IMEI - um número intransferível, espécie de "CPF dos celulares" - registrado no cadastro. Em 2010, eram 1,3 milhão de aparelhos nessa situação, um número seis vezes menor.

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A insegurança é crescente no país: no Estado de São Paulo, por exemplo, o número de roubos é o maior desde 1996 e o celular é o objeto mais cobiçado pelos assaltantes.

Além disso, os smartphones estão cada vez mais caros no Brasil. Para se ter uma noção, em 2012 o iPhone 5 e o Galaxy SIII custavam R$ 2.399 e R$ 1.873, respectivamente. Neste ano, o iPhone 8 e o Galaxy S8 começaram com preços em R$ 3.999. E modelos considerados de configuração intermediária geralmente não são vendidos por menos de R$ 1.000, quase o valor do salário mínimo vigente.

Dito tudo isso, vale a pena contratar um seguro para seu celular? A resposta depende de um monte de fatores, pois cada caso é um caso.

Entendendo o seguro

Os seguros podem proteger contra roubos, quebras acidentais ou os dois juntos. Ah, não cobrem perdas do aparelho por parte do usuário - se o esqueceu largado no bar e nunca mais o recuperou, por exemplo.

O valor da mensalidade depende principalmente do modelo utilizado e do valor dele mediante a apresentação da nota fiscal da compra. Mas as corretoras também podem levar em conta dados pessoais como CPF, data de nascimento e CEP do usuário.

O CPF serve para saber se a pessoa tem restrições cadastrais (dívidas pendentes, por exemplo), daí nestes casos o seguro não é possível. A data de nascimento informa a idade do usuário. "Quanto mais jovem, mais caro o seguro. Também não é aceito para menores de 18 anos", diz Fernanda Smelan, da ADN Corretora, que trabalha com a Porto Seguro no segmento.

Já o CEP também serve para precificar. "Dependendo da região de residência da pessoa, o seguro pode ficar mais caro ou mais barato, por causa do maior risco de roubo", explica.

Além de seguradoras conhecidas, como Porto Seguro e Mapfre, operadoras de telefonia como Oi, TIM, Claro e VIvo e até redes de lojas como Submarino e Americanas (em parcerias com seguradoras) oferecem seguros de eletrônicos como celulares, tablets, notebooks e câmeras.

Alguns seguros cobrem todas as marcas e modelos de celulares. Outros se focam apenas em modelos mais caros, como o Claro Up, da Claro, que só cobre iPhones e as linhas Galaxy S e Note, da Samsung.

O valor da mensalidade varia por cada empresa. Nos seus seguros de roubo e furto qualificado, a TIM cobra de R$ 2,99 a por mês - o aparelho neste caso deve ter valor máximo de R$ 250 - a até R$ 45 - para modelos na faixa dos R$ 4.000 a R$ 5.000. O combo com os dois tipos de cobertura  -roubo e quebra - vai de R$ 4 a R$ 58 mensais.

Além das mensalidades, o cliente também precisa pagar um valor de franquia para ser ressarcido após sofrer o prejuízo e acionar o seguro - ação conhecida como sinistro. O valor de tal franquia depende da categoria da cobertura do seguro (roubo, dano material, dano elétrico etc.) e do modelo de celular, mas costuma variar de 15 a 25% do valor do aparelho. Em caso de roubo, é preciso mostrar boletim de ocorrência.

Por exemplo, um iPhone 7 que custe R$ 4.000 e seu dono mora em uma região relativamente segura como Pinheiros, na capital paulista, pagaria, dependendo das particularidades de cada caso, entre R$ 500 a R$ 1.000 por ano  - ou R$ 42 a R$ 84 por mês. E sua franquia em caso de roubo, em sendo de 20% do aparelho, ficaria em torno de R$ 800.

A voz da experiência

Ainda que celulares mais baratos tenham seguros respectivamente mais em conta, a tendência geral é que quem opta por seguro de celular sejam os donos de celulares mais caros. Afinal, é um "patrimônio" valioso no bolso e que está propenso a muitos riscos.

Gabriela Magalhães, gerente de projetos de uma casa de shows de São Paulo, só contratou um seguro para celular logo após ter sido roubada em um bar na avenida Paulista, em 2011. "Era um Nokia, um dos primeiros com tela touch. Era meio carinho, por isso ficou visado. Fui roubada dois dias depois de comprá-lo. Comprei o mesmo aparelho de novo e fiz o seguro do segundo".

Ela não precisou acionar o seguro e pagava cerca de R$ 20 por mês a mais na fatura da conta de celular. Mas após um ano, optou por não renovar. Hoje ela é dona de um aparelho mais simples - um Galaxy J5 Prime, da Samsung. 

"Só teria seguro de novo se comprasse um iPhone. Para precisar de seguro, eu precisaria ter dinheiro para um aparelho caro. E por mais que o celular seja nosso companheiro para tudo, está ficando muito caro ter um aparelho de última geração", define.

Este é o caso do cinegrafista Adriano Delgado, que desde março usa um Galaxy S7 Edge e paga R$ 50 por mês no seguro contra roubo. "Fiz porque andava muito de transporte público e tinha uma grande chance de ser assaltado. E a franquia do seguro sairia mais barata do que um novo".

Ele, que já foi roubado - mas não levaram o celular "porque era velho" - acha que está mais "tranquilo" em usar seu celular com a cobertura do seguro. Mas só optou por isso porque comprou o aparelho com um bom desconto - por R$ 1.200, e na época ele custava cerca de R$ 3 mil. 

"Se eu for roubado, teria que esperar um ano para pegar outro celular bom com desconto", diz, referindo-se ao fato dos modelos mais caros caírem de preço meses após o lançamento. "Aí fiz o seguro, pois se for roubado, o valor do reembolso será o mesmo que eu paguei nele", explica.

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