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30/11/2007 - 07h14
Interatividade e multiprogramação ainda estão fora do cardápio brasileiro CINTIA BAIO | Do UOL Tecnologia Embora a interatividade e a multiprogramação sejam os principais atrativos da TV digital em todo o mundo, os recursos não devem chegar tão cedo nas telas brasileiras. Muito além das limitações tecnológicas, a impossibilidade de interagir com os canais ou de escolher outros programas no mesmo horário daquele filme chato (e no mesmo canal) têm relação com o poder de investimento das emissoras e também com o domínio dos novos recursos tecnológicos. Assim como no Japão, país de onde "importamos a tecnologia", aqui no Brasil nosso sistema de canais abertos é gratuito e tem grande penetração entre a população. Tanto aqui quanto lá, o principal objetivo da TV digital é tornar as imagens de tais canais muito mais nítidas. A interação e a multiprogramação são necessidades secundárias, em princípio. Já na Europa, o objetivo do sistema foi expandir o número de canais devido ao pequeno leque de opções da programação aberta. "No Brasil temos muitos canais, e a prioridade é melhorar a qualidade de imagens deles. Já na Europa, o objetivo era criar novos canais. Por isso precisavam da multiprogramação", diz Huber Bernal Filho, consultor e engenheiro de telecomunicações. Além de não ser o foco brasileiro, as emissoras ainda não tem fôlego para produzir mais conteúdo exibir simultaneamente. "Se já é caro fazer um programa em alta definição, imagina dois ou três", diz Huber. Para Marcelo Zuffo, especialista em TV digital, a linguagem é a peça-chave para a multiprogramação: "O Brasil ainda não sabe como colocar tanto conteúdo na televisão, não tem profissionais, nem 'know how'. Então, o problema está muito mais concentrado em como produzir conteúdo do que se há tecnologia para isso". Que botão eu aperto? E por que TV sem interatividade? Cadê as compras eletrônicas, os votos ao vivo? Calma, os recursos ainda estão a caminho e, mais uma vez, quem os atrasa não é a tecnologia. Se servir de consolo, boa parte dos espectadores dos paises que já têm o sistema consolidado mal podem interagir com os programas. Mais uma vez, a linguagem é uma das grandes barreiras para a chegada da interatividade. Para criar um sistema de voto ao vivo e até mesmo comércio eletrônico pela TV é preciso estar certo de que haverá compradores do produto. E compradores devem estar familiarizados com a tecnologia. Isso leva um certo tempo. Além disso, para garantir a troca de mensagens, será necessário que outros players entrem no mercado de TV digital. Os candidatos mais fortes são a banda larga e a telefonia fixa. E as operadoras de telefonia já estão se preparando para a disputa, com cabo, WiMax e 3G. Mas antes é preciso aumentar o índice que aponta apenas 19% da população brasileira com acesso a conexões de banda larga.
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